domingo, 2 de abril de 2017

A Saída

À mesa do jantar, nesta abastância de sabores

Perco o apetite.
Caio no mar
Quanto de mim espirra?
E quanto sobra para enviar?

Qual é o caminho?

Voa em direção à penumbra eterna
Dar o último gole, do último vinho
Segue no trilho da infinita caverna
Ou sustentar a morte com o amor.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Anapneo

Sonho como não deveria.

Deveria ser assim:

Da forma diferente de agora
Uma trilha na montanha leva pra cabana reclusa
Lá dentro não tem tristeza nem ansiedade

A gente olha pro mar e não sente saudade
De quem a gente é agora porque não sabe como é
Estar longe do que a gente não quer ser.

A gente anda na praia de mãos dadas
Com a sombra de quem completa nossas falhas
(Sem que as falhas voem para lá)
E sonha com o dia sem incômodo.
E com o dia sem gente,
Só com a gente.

O incômodo sem incômodo é incômodo menor
Não é assim tão mais cômodo?

Mas em um mundo sem tormento
Não há a beleza de movimento
A paz que eu espero desta parte
É a paz do constante envolvimento
Com o caos que envolvo esta arte.

Deveria ser, é assim:

Uma montanha erupta morro acima
Uma trilha para uma caverna confusa
Lá dentro não tem luz, nem felicidade.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Rock People

Você nunca será Disseram Não fui Porém sigo sendo Até enquanto houver ousar Mas ar enquanto está tendo Não hei O que quer que seja Que não seje Suje... Saja voa como voa a asa E vaza Ninguém se importa da sua importância Ou sabe da essência Como sangue em aberta artéria Arturia em sua lenda do ser No molde do teatro moderno Cumpro meu papel com feitio De fato em goma e falso estio Mas que impeça desta breve estilha de vida Dai-me então o pronto tiro Enquanto está ditadura morta Me dá preguiça. Do Basque até a Sevilha Cantabria é eterna lenda Celta afora nesta selva de matilha.