domingo, 16 de outubro de 2016

Apoena

Nessa casa que aí passeias
Há anos que habito
E tudo que faço não é por hábito
Só não gosto da casa suja

Querê-la silenciosa
Calma, presente
Sem aquele ardor iludido de ontem
De quando temos todas as respostas

Nessa casa que aí passeias
Há tempos que são só perguntas
Ambiente arejado, fresco, incômodo
Senta aí é só ouve o quanto é difícil

Tem coisa que fica porque ser humano
Como essa vidraça que o olho ofusca
Mas quando foca, limpa.

O que não se sabe é que a fachada é feia
Mas por dentro
Tudo é combustão por culpa
Por ter nascido como é

Mas não há parede que não possa ser derrubada
E feita de novo
Dá-me tempo
Encontrarei as ferramentas certas
Mas não para você

Essa casa que aí passeias
Ela é minha
E há tempos que por hábito
Habito.

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