sábado, 16 de julho de 2016

Vamos falar sobre o feminismo

Vamos falar de feminismo.

Sempre que me perguntam sobre o feminismo, eu digo que não consigo ver coerência em um homem ser feminista. Feminismo é uma luta da mulher, é uma busca pelos direitos igualitários em relação ao homem, dentro de uma sociedade em que homens prevaleceram por séculos. O máximo que posso fazer é dar o meu apoio.

Eu percebo que a minha sociedade brasileira tem uma inteligência social muito limitada no que diz respeito às questões de relação com outros grupos, uma vez que preciso ver oposições falaciosas para desaprovar e injustificar lutas sociais como feminismo (mas e quando a mulher chama o homem de gostoso?) e racismo (se um negro me chamar de boneco de neve, isso não é racismo?). Tal postura é covarde, ignorante e falaciosa. Feminismo e Consciência Negra não existem para contrapor a predominância e tomar o lugar do Machismo e do Racismo, mas sim para acabar com isso de uma vez por todas.

Agora como o machismo é prejudicial até mesmo para os homens? Existem homens peculiares, que tem atitudes e comportamentos que não condizem com o que é esperado de um homem. Por causa da sociedade machista, é esperado do homem um papel que é fisicamente e psicologicamente desgastante, como por exemplo, o de ser o provedor da família, algo que, nos dias atuais, tem se tornado cada vez mais difícil. Existe uma questão de auto estima caso uma mulher passe a ganhar um salário melhor do que o homem. As implicações psicológicas que recaem sobre um homem por causa da predominância machista são tão prejudiciais que nem ele mesmo é capaz de perceber. E como um homem poderia responder a isso? Esse tipo de violência psicológica não fica inerte, como toda interação social, isso também corresponde a algum tipo de reação: adultério, desinteresse em progredir financeiramente, abandono das obrigações familiares, etc, etc. Coisas que o tradicionalismo tende a confundir com honra ou responsabilidade, não passam de uma cobrança constante sobre a cabeça dos homens para manter um papel que é esperado pela sociedade. A luta das feministas é, em primeiro lugar, e principalmente, uma causa em favor das mulheres, mas defendê-lo rompe com um modelo de sociedade que nos torna obsessivos por poder, por sucesso e por conquistas imaginárias impostas por uma sociedade consumista.

Eu também, como um apoiador do feminismo, vejo-me no direito de ser um homem incomum. Não sou menos homem caso uma mulher seja financeiramente mais poderosa do que eu, afinal, cada um sabe das metas que traçam para si.

Viva o feminismo, e que tenhamos mais mulheres poderosas e menos homens com sentimento de ameaça.

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