segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Idéia

Efêmera como a respiração
Cristalizamos o nada
E por ele matamos e morremos
Vivendo os mesmos dias de cada vez.

Quando te disseram que eras único
Mentiram para ti
Não és único.

E te disseram que voarias alto
Mas não tens asas
Nunca terás asas.

E quando te disseram
Sigas teu coração
Seguiste, e viste que nada te aconteceu
Pois é só um coração.
É apenas sangue.

E quando sangraste
Disseram: sangra pelo que é sagrado!
Mas tudo o que ficou foi dor e cicatriz.

E tua platéia se foi sem apagar a luz
O lixo ficou no chão para que tu apanhaste.
Dali ninguém te comentou
E ficou aquela emoção tardia de que talvez nada tenha mudado
E não mudou.

Tu não és a natureza que muda sem querer que mude.
Nem o impávido que joga a pedra no mar
E não se importa com o que transborda.

Não é a natureza quando não sentes vontade
Ou ao menos a natureza quando tua vontade
É a vontade dos outros.

E quando te disseram: a vida valeu apena!
A vida não valeu a pena
Foi apenas um breve instante
E a menos que tu deixes uma lápide
Mal serás uma memória.
Serás, tanto mais, pó atrás de pó atrás de pó.

Não serás o molde que forma teu horizonte
Sobrarás o resto de ti
Apenas aquilo que te lembrarão.
Mas não serás o que quer

Amanhã, na porta de tua casa, talvez no auge do meio dia, pode ser que te tragam uma flor.

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