quinta-feira, 26 de junho de 2014

Refeição da Madrugada

Menu de restaurante burguês
Tu, eu e a vida,
Num encontro que era pra ser a dois

Tudo diante de nós, aí está:
Nosso erros do passado viram diamantes,
E o venenoso vinho sólido da altivez
A todos os sonhos cicatriza.
Fica o alívio preso em embriaguez.

E o que sobra pra depois?
Para o apetite tardio, às vezes em repúdio?
Para a digestão ácida, refluxa, má condicionada?
Uma confusa saudade?

Vermelha e negra meu bem, vermelha e negra.

Olhe para cá, veja essa vida que escorre
Escorre, mas como? Seca? Tinta? Nauseante?

E o que sobra pra nós?
Além desta garrafa vazia?
Desse prato sujo?
Além dessas palavras duras como pão?
Alem desses olhares crus como a carne?

Vermelha e negra meu bem, vermelha e negra.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Unerreichbar

Alcançaríamos mil luas diferentes
Contaríamos as estrelas
Entenderíamos a vida e a morte
Como se fossem algo normal
E subiríamos na vida
E entenderíamos isso também
E cairíamos, sem nos lamentar.

Mas de repente, na estabilidade
Na ordem de toda situação
Sempre, de repente
Num piscar de olhos
Quando o coração se aflige
E chora, e pede por paz

Num farol de trânsito que seja isso
Na distração de todo o nosso sofrimento
E atravessa, incauto, indeciso.
Meu olhar apenas
E tudo muda
Tudo se transforma
Tudo se constrói, e tudo se destrói.

Nas doces primeiras horas da manhã
A brancura suave é tudo o que domina esta mente.
O dia é bom
O dia é ruim

O dia é uma tortura do não poder.

Quando estamos sempre conscientes que é esse momento
Como somos mortais.