quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Flora

Uma luz límpida atravessou a janela
Tocou-lhe o rosto com delicadeza
Uma garoa que acaricia o jardim tão duramente cultivado

O dia não te amanheceu hoje porém
Como muitos não irão.

Olha lá fora, esses olhos que acabaram de acordar
E veja por si só, como haverá de ser
Sem escolha, sem pedido:

Túmulos e mais túmulos
De histórias que não conhecemos, mas que valeriam um verso!
Observe quantas rosas ali dormem
Tranquilas e conformadas
Como um mar solitário depois da tempestade.

O cenho franze de tristeza, a vida ensina
Mais ou mais do que a luz
Que atravessa-lhe a janela

E é quando tiramos o véu negro
Aceitamos
E saberemos quando olharmos para trás
Nossa rosa também estará ali

Um soluço preso na garganta não nos abandona

Toda luz límpida cruza a janela que se deixa aberta
O dia amanhecerá, porém.

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