segunda-feira, 20 de maio de 2013

Espírito do Tempo

Dorme meu filho, dorme
O jornal está sobre a mesa
E sobre o banco
E sobre a casa
Sobre o chão da rua
Sobre a feira livre
Sobre a avenida dos partidos de esquerda
E sobre as mansões dos indiferentes.

Nuvem, penumbra cinza, cheiro de queimado
Esta é a imagem.

Mordo uma maçã, sinto gosto de batatas

Mãos sobre a mesa
Pode ser a casa do meu bem
Ou a casa dos meus pais
Pode ser o céu ou o inferno
Tanto faz.

Ao chegar em casa, uma poça de sangue jazia anônima:
- Limpe os pés antes de entrar!

Morre-se de sede
Mas ninguém volta atrás,
Ninguém volta atrás.
Ninguém volta.

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