domingo, 14 de abril de 2013

Há mar gura

Um coração ferido soa
Como o canto melancólico no oceano
Ecoa de dentro em adiante
De dia em mês, de ano em ano
Basta visitá-lo de passagem
Quando a gente para pra escutar
Como quem é arrebatado

Escuta só:
Ouve essa melodia distante e maldita
Alguém ainda lamenta sem motivo lógico
E há tristeza, mágoa, angústia e ódio
É algum espírito desamparado
Que às vezes vagueia solitário
E pede compaixão e liberdade.

E como se curar desta maldade?
Como fazer com um suspiro final
Enxugando a última lágrima que destrói
O mais orgulhoso dos homens
Esquecer dos verdes bons anos?

Não houve toque debaixo d'árvore
Ou bonsai que sobrevivesse
Não houve música que tocasse
E pudesse deixar que caísse
Sem que o espectro durasse
Sob essa energia esquisita.

E para onde quer que o olhar relance
Num vácuo de memória lá estará
Aquela imagem distorcida e tão antiga, e tão doída.
E uma pergunta sem sentido
Por que ali reside?

Tudo por uma atitude sadia
Crendo na bondade dos homens
Num ethos antigo virtual
Que eclode nas mais inúmeras imagens
Para se aliviar

"Aí ele me disse bom dia e eu o estapeei!"
Para o dia correr melhor.

Teu narciso não te reconhecesse
Não sabe o que é dizer adeus
Não sabe o que é livrar-te de um peso
Pelo poder de uma simples melodia.

O oceano sombrio é calmo e silencioso
E ele soa ao longe, com sabedoria:
A vida não é um jogo
Diga, diga, diga...

Sua canção é pesada na alma
Não há orgulho implacável
É como se te ordenasse
- Cala-te, ajoelha-te e chora desgraçado.
E a única força é obedecer.
- Agora diga, diga, diga.

Devora-se como quem se odeia
Proclama-se maior
Mas imagens são diversas
O tamanho do teu reflexo
manda
o Mar.

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