sexta-feira, 19 de abril de 2013

Não-futuro

Viagem à terra sagrada de Xaltocan

- Chegamos em Buenos Aires!
Olha o mar...

- Cordilheira dos Andes!
Olha o mar...

- Miraflores!
Olha o mar...

- Montserrat!
- La Capilla del Hombre!
- Canal do Panamá!
- Cidade do México!

O mar...

Jamais conseguimos partir daqui.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A Chave

Catedral da minha vida
Nébula ulular distante
O ditame da insegurança
A ditadura da incerteza

Bato à porta e aguardo a pergunta:
nada soa
Bato à porta e aguardo a segunda
nada evola
Bato mais forte e o coração agita

Esvaece um perfume augure
E só retorna, reboa
Alguém aí?

A porta abre, ouço passos adiante
A cada passo meu, um passo atlante
Ouço um passo retornante

Alguém lá, além
Ou eu aqui, avante?
A chave jaz ilesa entre o invisível

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A música é a última coisa que pode fazer um homem desolado na vastidão de sua miséria sorrir novamente.
A música é a última coisa que pode denunciar se ainda nos resta algum vestígio de humanidade.
A música é a última coisa que pode nos restabelecer sem pedir licença.

domingo, 14 de abril de 2013

Há mar gura

Um coração ferido soa
Como o canto melancólico no oceano
Ecoa de dentro em adiante
De dia em mês, de ano em ano
Basta visitá-lo de passagem
Quando a gente para pra escutar
Como quem é arrebatado

Escuta só:
Ouve essa melodia distante e maldita
Alguém ainda lamenta sem motivo lógico
E há tristeza, mágoa, angústia e ódio
É algum espírito desamparado
Que às vezes vagueia solitário
E pede compaixão e liberdade.

E como se curar desta maldade?
Como fazer com um suspiro final
Enxugando a última lágrima que destrói
O mais orgulhoso dos homens
Esquecer dos verdes bons anos?

Não houve toque debaixo d'árvore
Ou bonsai que sobrevivesse
Não houve música que tocasse
E pudesse deixar que caísse
Sem que o espectro durasse
Sob essa energia esquisita.

E para onde quer que o olhar relance
Num vácuo de memória lá estará
Aquela imagem distorcida e tão antiga, e tão doída.
E uma pergunta sem sentido
Por que ali reside?

Tudo por uma atitude sadia
Crendo na bondade dos homens
Num ethos antigo virtual
Que eclode nas mais inúmeras imagens
Para se aliviar

"Aí ele me disse bom dia e eu o estapeei!"
Para o dia correr melhor.

Teu narciso não te reconhecesse
Não sabe o que é dizer adeus
Não sabe o que é livrar-te de um peso
Pelo poder de uma simples melodia.

O oceano sombrio é calmo e silencioso
E ele soa ao longe, com sabedoria:
A vida não é um jogo
Diga, diga, diga...

Sua canção é pesada na alma
Não há orgulho implacável
É como se te ordenasse
- Cala-te, ajoelha-te e chora desgraçado.
E a única força é obedecer.
- Agora diga, diga, diga.

Devora-se como quem se odeia
Proclama-se maior
Mas imagens são diversas
O tamanho do teu reflexo
manda
o Mar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Schools

Schools don't teach you anything at all. Schools, although, give you a substructure to real life. The learning comes from what you've built and fulfilled of this substructure.

Truth


Truth is not in the news, nor in the books, or science, or religion, or society, or factual events of life. 

Truth is in your inner and deep opinion about all these things. 

Everything else is a diversion of truth.