domingo, 24 de fevereiro de 2013

Xadrez



Já me habituei a escrever sobre coisas que só eu entendo. O mundo é a cada turno, mais e mais individual. Eu sou uma prova disso. Só escrevo coisas sobre mim. Andamos feito cegos em busca de uma visão, e como cegos, em busca de uma esperança.

Cremos no companheirismo, e deixamos para lá os maus assuntos. As nossas idéias filtram os males do dia-a-dia, e nos impulsiona para o futuro. Temos um propósito, temos um motivo para viver. Porque Deus parece não querer nos dar este motivo. Ele está silencioso, cada vez mais inaudível e profundamente incompreendido.

Não creio nas respostas, creio apenas na vida. Sinto-me cada vez mais só, em um tabuleiro de xadrez preto e branco, às vezes marrom. Tabuleiro de mármore, empoeirando. Sinto-me cada vez mais, uma simples peça de mármore.

História de uma florzinha invisível

Quem dera podia ver através do tronco d'uma árvore

Captar suas entranhas druídicas
como Deus imaginou que seria
tudo o que só podemos ponderar


no começo tudo é fofo e macio
nesse chão de terra viva
terreno forte terreno sadio

então uma florzinha imaginária
daquelas que valem a pena crer
deita ali e fica

Mas não será?

A gente pisa por cegueira
Por insabedoria dessatisfatória
E pior que uma gotinha de sangue
uma gotinha de lágrima
E quando cai no terreno novo
Abre um chão de cimento duro

Mas tem chão pra toda hora
E a florzinha ainda é nova
Respira muito depois que chora
E vai

Será?

no começo é quase tão fofo
Quase tão novo e quase tão brio
nesse chão de terra que vive
Terreno que prossegue e vigora

E uma flor madurando vai
Daquelas que querem viver
Senta ali, olhando para os lados

E a gente fala por ignorância
Por presunção ingênua indumentária
E pior que uma gotinha de lágrima
um vento no oco do peito
E quando cai no terreno novo
Treme, abre um chão de buraco novo

Mas ela se arrasta, insiste
Levanta meio em riste
Não liga se está triste, isto te faz pensar
Vai indo florzinha, vai.

Mas será...?

no começo é quase fofo
quase novo, quase com vontade de continuar
nesse chão seco, frio, trépido de não existir
Terreno que segue, insiste, existe
Bem assim...

E uma planta, pétalas à vista, caminha lentamente
Está ali, vivida, daquelas que perseveram
Fica de pé, esperando a chuva chegar

E a gente não fala mais
Por cansaçao, por tristeza receosa
Deixa lá o terreno descansar
Não joga sementes por medo de errar
E pior que um peito oco e vazio
É um terreno morto, sem nada, sem brio

E uma coisa que hora ou outra
Seja em forma de flor, seja em forma de dor
A gente nem sabe se vai existir mais.

Mas continua existindo?

Cada vez que surge uma brisa nova nessa vida imaginária...

Até um dia que não sobrar nada

Quem pudera sêssemos Deus e não se importar
Com o clamor desesperado do fiel que quer ser feliz.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A mother's mourning of a new January

Drop the flags
Drop the flags!

Cries the man with no hope
But thy deepest pain it  won't cope

Drop the flag of deadly lies
Leave it whilst where everyone dies

The silent look of owl and cat
The idea remains while man's in depth

For the coffin only it'll enfold
The man about himself stories
The flighty truth over the sea
Buried forever hidden untold.

Drop the flag of any color
Of any flimsy shallow dream

The rose is red on sad tears
Of a poor poor mother in huge vent
Lost in muttering mourning fears.

Drop the flag which kills the soul
And as a coffin blanket in the end
Will bring as it feels and as it falls.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

XLIV


Pensando hoje no quanto culpamos a tudo e a todos pelo fato de nossas vidas não serem do jeito que queremos, fazemos de tudo para fugir da responsabilidade que nós somos o nosso próprio guia. Ninguém é responsável pelas suas escolhas, nem seus pais, nem Deus, nem o diabo, nem o Governo, nem a sua mulher, nem o seu filho. Eu pensei nessa frase:

"Não terceirize a sua frustração, simplesmente admita a sua incapacidade."