quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

XLIII

Se esta vida não te requer
Revida!

O Sol de Todo o Coração

Neste buraco escuro cai um bichinho belo
Cai amendrotado e triste, neste buraco frio
De vil espectativa buraco pleno
E de venenosos ventos lugar sombrio

Bichinho puro, pássarinho vivo
Mas morre de medo, morre bichinho

Esse mundo não te quer no céu
És um rato
Uma lagarta
Um nada
Um verdadeiro nada
Pisa na asa da tua consciência
Como quem pisa no chão da tolerância
Chuta teu estômago forte, saudável
Não tens mais estômago.
Uma cobra, duas cobras
Dez cobras, dez leões
Uma manada de quem não quer nada
Só que ei, iluminou-te a vida

Tu sabes voar bichinho, tu sabes voar
E voa.

Bichinho não
Pássaro.

Teu coração o sol pertence.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

de uma só vez


Um mundo sem perguntas
Caminha livre, aliviado
Leve, a brisa calma te leva
Escorrega sem acanhamento
Num escorrega feito de gelo
Cai num poço sem medo
Livre da tentação
Envolve um vapor sapiente
Uma poção de água quente
O cheiro e o gosto agridoce
Doce como a lágrima caída
Como o clamor de viva vivida.
Uma forma de mulher nua surge
Braços abertos, sorriso seguro
O abraço traz o sono, o sonho urge
Cai num chão repleto de poeira
Ergue e sacode a bela sujeira
E segue
Fora de si, em paz, na calmaria do cálido arco-íris
Num mundo sem perguntas.