sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Desencantamento

Vai diminuindo chama
Da força e boa vontade
Reduz-se a um fogo flébil, parco, ponderado
Não mais a luz que projeta a sombra trêmula


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Passeio, sempre, como um que comeu e bebeu poeira

Calçada, mas a cabeça lá no céu
No alto inalcançável
Que erro grotesco e desumano!

Os mastros estão todos vazios
E as pessoas não fazem mais perguntas

Estes são ventos novos, ventos frescos
Se um pano vermelho ou verde tenta se erguer
Derruba-se sob palavras violentas de doce libertação!

Sonhar é um organismo defeituoso
Numa era em que sonhos são possíveis
Tanto quanto os abraços.

O Tumbeiro Fantasma

No século da glória de Pingala
Percebe-se uma verdade atroz
No sentindo e fazendo involuntário
Ouça, constante como um sino de chegada
Os sons de correntes se arrastando pelo chão
E o tilinte dos grilhões atados em vossas mãos

Um magote, falsamente ordenado
E repleto de superstição
O seu discurso ato é falho
E sua voz que tanto clamas não é sua

Mas veja tuas mãos, e esta fala
Em constante oposição
Há grilhões?
Não!
Há palavras postas em teu cérebro?
Não sabe, não vês.

A dúvida é o suporte da loucura
Portanto duvidosa
Portanto, verdade, distante, impossível.

Um sol se põe, eu vejo
O saber necessário, não sabemos.
A luz me alcança
Mas entre nós
Um abismo de suposições e medos.

Salta
Grilhões se partem
Morro?

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Flora

Uma luz límpida atravessou a janela
Tocou-lhe o rosto com delicadeza
Uma garoa que acaricia o jardim tão duramente cultivado

O dia não te amanheceu hoje porém
Como muitos não irão.

Olha lá fora, esses olhos que acabaram de acordar
E veja por si só, como haverá de ser
Sem escolha, sem pedido:

Túmulos e mais túmulos
De histórias que não conhecemos, mas que valeriam um verso!
Observe quantas rosas ali dormem
Tranquilas e conformadas
Como um mar solitário depois da tempestade.

O cenho franze de tristeza, a vida ensina
Mais ou mais do que a luz
Que atravessa-lhe a janela

E é quando tiramos o véu negro
Aceitamos
E saberemos quando olharmos para trás
Nossa rosa também estará ali

Um soluço preso na garganta não nos abandona

Toda luz límpida cruza a janela que se deixa aberta
O dia amanhecerá, porém.

sábado, 7 de setembro de 2013

Alberico

Como é cruel peneira da vida,
A arte.
Do que teu coração vivo e sensível
Faz verdade
Se todo aquele que lê, vê ou ouve
O sino não toca
Já não faz parte.

Fica como as grandes cidades:
Com lugares tantos pra visitar
Mas quando um novo chega, a gente diz:
Por que nunca antes estive neste lugar?
É um ar novo, repouso pouco sedutor
Amanhã vira limbo
Ou reflexo de consciência.

E quando o que lê, vê ou ouve
Em teus lábios se repete
Não sabe a quem atribui
Não sabe se não te pertence
Aquilo que não te compete.

É um espaço vazio
Como um cômodo de poucos móveis
E muito som
Xícara na mesa
E o pouco que se pensa
Tudo é saudade.
A velhice não adiante
Longe da eternidade.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

De passagem

Este mundo soa quase como se não me pertencesse.

Ouvidos atentos:

Se esse cesse
Cesse

Não sou deste mundo - não queremos

Não existe chão debaixo dos pés, sinto.
Flutuo.

A história me cospe
Fato atrás de fato
Sem pronunciar-me o nome
Ou pedir por favor.

O que me deve, ela?
Mas o que devo?
Não deveria

Sem ponto ou vírgula,
ou necessidade
Segue-o, sem visão

O que vale mais que a forma senão o som.
Senão

Vale-o

O som emite só, e só não é meu.

Vele-o

Como se os homens não existissem uns para os outros.
E não existem.

Exista
Insista.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

No fim das contas Andy Warhol

Existe uma cama tão fria
E uma casa tão silenciosa
Que quase crê que não existe
Ou que é Deus.

E ali está
A menos que estará
Se houver muita crença
E muita retribuição.

A TV está ligada
Converso com ela
- Olá TV

"-Bom dia" me responde.

O coração se alegra
A fé se aquece
Existo
Por mais que pense.

Quase acreditei que existia.

Disposição

Tive um sonho do mais surreal possível
Em que um amigo me tocava no ombro
Sorria carinhoso e me dizia:
Todo mundo neste mundo tem a sua sombra debaixo da árvore.

Acordei em paz com a casa em seu silêncio comum.
Com as coisas exatamente onde tinha deixado na noite anterior.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um dia de maio

Derrubaram a bastilha!
Mas que diabos é a bastilha?
Só sei desse suor no seu corpo belo!

Tudo que é consciência perdura
Só que nada pra sempre dura.

Como se fosse uma semente
Que cai numa terra indisponível e vai nascendo um brotinho.
Um dia a gente agoa.
Outro dia a gente põe terra
E aí a gente colhe
E tudo fica assim, lagoa.

Que nem quando éramos crianças
As casas e as árvores girando
De mãos dadas com os melhores
Dos nossos melhores amigos

Elefantes voadores, elefantes voadores!
Era só algodão doce.

sábado, 8 de junho de 2013

Vandalismo

Um barco
Uma lagoa
Um cenário qualquer.

Entre um travesseiro e outro
Havia um sonho

Pescador, pescava com segurança e com afinco de pescaria
Acendeu um cigarrozinho enquanto comia
Pedacinhos confiantes de atum.

Terminou a última tragada e atirou-se na lagoa pra uma nadada
O atum assumiu a vara

Atum, pescava com segurança e com afinco
Enquanto comia pedaços de atum confiantes.

Quando saiu da lagoa virou um cigarro
E foi excluído pela sociedade.

sábado, 25 de maio de 2013

Envelhece a Cidade

Frio, muito frio nas ruas
Um cinza e um laranja amarelado mancham o chão
Frio, muito frio e ninguém.
Mas algumas pessoa vagueiam

Motocicletas passam errantes
Frio muito frio.

Lastro de pensamento
Quem me beija quem me quer
Beija me mal me quem
Mas não era nada enfim.

Errante como uma condenação
Segue mais pesado que tudo
Mais pesado que a mão
Mais frio que o coração.

Frio e suor e um cheiro humano
Tentaram-te um abraço
Um perfume novo e temporário
E aquele sorriso piedoso
O coração até se aquece, mas passa.
Motocicletas passam errantes.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Espírito do Tempo

Dorme meu filho, dorme
O jornal está sobre a mesa
E sobre o banco
E sobre a casa
Sobre o chão da rua
Sobre a feira livre
Sobre a avenida dos partidos de esquerda
E sobre as mansões dos indiferentes.

Nuvem, penumbra cinza, cheiro de queimado
Esta é a imagem.

Mordo uma maçã, sinto gosto de batatas

Mãos sobre a mesa
Pode ser a casa do meu bem
Ou a casa dos meus pais
Pode ser o céu ou o inferno
Tanto faz.

Ao chegar em casa, uma poça de sangue jazia anônima:
- Limpe os pés antes de entrar!

Morre-se de sede
Mas ninguém volta atrás,
Ninguém volta atrás.
Ninguém volta.

sábado, 4 de maio de 2013

Legião Urbana: Somos Tão Jovens

Acabei de assistir ao filme Somos tão Jovens, que retrata a adolescência do falecido cantor Renato Russo e o embrião da Legião Urbana. Nunca fui um fã de Legião Urbana. Gosto da música, gosto do Renato e da importância que ele teve, mas não sinto isso na mesma escala em que a maioria de seus verdadeiros fãs o sentem, por isso me sinto meio a salvo pra falar bem dele, já que nunca fui fanático pelo cara, apenas um admirador distante.

Em se tratando de música, Legião sempre é um assunto polêmico. Muitas pessoas não conseguem compreender a razão do impacto do grupo na música brasileira, provavelmente porque não conhece. Aliás, desconhecimento geralmente leva à incompreensão, e logo, a preconceitos. Há pessoas que realmente acreditam que se trata de uma insistência de emplacar uma coisa por falta de coisa melhor, mas eu penso que Legião Urbana, para sua época, foi uma banda necessária, e o legado e importância bandas não poderiam ser manchados ou esquecidos, em outras palavras, gostem ou não as pessoas, Legião Urbana e o seu líder já fazem parte da história da música brasileira.

Renato Russo falou sobre a vida, e para entender o que ele diz, é preciso vivê-la organicamente, e não plasticamente, nessa era do silício.

Sobre essa banda já escutei um monte de idiotices, porque as pessoas se prendem a fantasmas e estereótipos midiáticos. Mas quando eu ouvi o cara falando, a voz verdadeira do Renato Russo, saindo através dele mesmo, dá pra perceber porque ele foi um dos últimos músicos realmente íntegros daquela época.

Quando se trata de arte, é preciso despir-se para sacar o que o artista quer. Renato não era um músico exímio, mas é inegável que sua voz era belíssima e que sua poesia era perturbadora para a emoção. Enquanto todo mundo falava da grandiosidade de um mundo que esperava dar certo através de  determinadas ideologias, Renato Russo falou do medo de se viver num mundo tão perturbado e insano como o nosso.

Mas seu legado ainda é manchado por causa de moralismos pífios ou desconhecimento da obra.

Falando do filme, achei que ele demora um pouco pra começar a acontecer. A introdução do filme pode cansar os mais imapacientes, mas o restante é praticamente tudo o que já ouvi falar sobre ele: um adolescente sensível ao extremo, muito culto, muito diferenciado e espontâneo, e que acima de tudo sonhava com o seu sucesso como músico e poeta. A interpretação de Thiago Mendonça foi impecável. Ele captou com tanta sutileza os trejeitos do Renato que você simpatiza quase instantaneamente assim que  o personagem começa a se mostrar mais. Ainda acredito que foi uma sacada do diretor em entender o quão medíocre o povo hoje é em conceitos, por isso maneirou no que quer se tratasse em relação à drogas ou homossexualidade.

E como comentário pessoal, poxa vida, os caras escolheram como título um verso da minha música favorita da banda.

Numa era em que a ignorância tornou-se algo endêmico, onde as pessoas acreditam e se deixam levar pelas mais diversas desinformações, onde as pessoas vivem suas vidas apenas através de suas opiniões limitadas em redes sociais, esse filme é nostálgico e emocionante, que traz de volta uma juventude de fato forte e tranformadora, que no mínimo de suas atitudes, não se impedia de sonhar com um mundo diferente e melhor para todos.

O jovem que apenas tecla, que não faz ideia do que é uma vida fora desse vício doentio de ser bem sucedido numa corporação invisível, pra satisfazer essa necessidade estúpida de consumo, esse filme fará pouca sombra em seus corações.

Renato Russo, foi como se você nunca tivesse saído daqui. Seus fãs e apreciadores agradecem.

O Poeta que Dorme

Arranca de mim o mais difícil
Os versos mais simples.

Olhos, um rio que leva
Um rio que rói.
Nesse sempre tem peixe bom
Peixe vivo.

Pode mesmo?
O peixe vivo viver fora d'água fria?

Poema de Três Acordes

Desperta o som antes do dia
Desperta a rainha.

O cheiro vai andando pela casa
Café fresco e pão fresco
Dia duro
Os sonhos vão ficando no travesseiro
E uma força insistente espera, ao lado da cama.

Dia duro
Tristeza... fica do lado de fora.

Migração

Caminhando
Ando
E ando.

Tanta flor diferente
Tanto jardim igual

Vê-se de todo muro
Vê-se de toda cor
O mesmo suspiro velho
E o mesmo ônibus cheio
A mesma garagem o mesmo quintal.

Pôrdosol
Igual em todo lugar
Diferente em todo olhar
O olhar voa...
Ê saudade...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Não-futuro

Viagem à terra sagrada de Xaltocan

- Chegamos em Buenos Aires!
Olha o mar...

- Cordilheira dos Andes!
Olha o mar...

- Miraflores!
Olha o mar...

- Montserrat!
- La Capilla del Hombre!
- Canal do Panamá!
- Cidade do México!

O mar...

Jamais conseguimos partir daqui.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A Chave

Catedral da minha vida
Nébula ulular distante
O ditame da insegurança
A ditadura da incerteza

Bato à porta e aguardo a pergunta:
nada soa
Bato à porta e aguardo a segunda
nada evola
Bato mais forte e o coração agita

Esvaece um perfume augure
E só retorna, reboa
Alguém aí?

A porta abre, ouço passos adiante
A cada passo meu, um passo atlante
Ouço um passo retornante

Alguém lá, além
Ou eu aqui, avante?
A chave jaz ilesa entre o invisível

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A música é a última coisa que pode fazer um homem desolado na vastidão de sua miséria sorrir novamente.
A música é a última coisa que pode denunciar se ainda nos resta algum vestígio de humanidade.
A música é a última coisa que pode nos restabelecer sem pedir licença.

domingo, 14 de abril de 2013

Há mar gura

Um coração ferido soa
Como o canto melancólico no oceano
Ecoa de dentro em adiante
De dia em mês, de ano em ano
Basta visitá-lo de passagem
Quando a gente para pra escutar
Como quem é arrebatado

Escuta só:
Ouve essa melodia distante e maldita
Alguém ainda lamenta sem motivo lógico
E há tristeza, mágoa, angústia e ódio
É algum espírito desamparado
Que às vezes vagueia solitário
E pede compaixão e liberdade.

E como se curar desta maldade?
Como fazer com um suspiro final
Enxugando a última lágrima que destrói
O mais orgulhoso dos homens
Esquecer dos verdes bons anos?

Não houve toque debaixo d'árvore
Ou bonsai que sobrevivesse
Não houve música que tocasse
E pudesse deixar que caísse
Sem que o espectro durasse
Sob essa energia esquisita.

E para onde quer que o olhar relance
Num vácuo de memória lá estará
Aquela imagem distorcida e tão antiga, e tão doída.
E uma pergunta sem sentido
Por que ali reside?

Tudo por uma atitude sadia
Crendo na bondade dos homens
Num ethos antigo virtual
Que eclode nas mais inúmeras imagens
Para se aliviar

"Aí ele me disse bom dia e eu o estapeei!"
Para o dia correr melhor.

Teu narciso não te reconhecesse
Não sabe o que é dizer adeus
Não sabe o que é livrar-te de um peso
Pelo poder de uma simples melodia.

O oceano sombrio é calmo e silencioso
E ele soa ao longe, com sabedoria:
A vida não é um jogo
Diga, diga, diga...

Sua canção é pesada na alma
Não há orgulho implacável
É como se te ordenasse
- Cala-te, ajoelha-te e chora desgraçado.
E a única força é obedecer.
- Agora diga, diga, diga.

Devora-se como quem se odeia
Proclama-se maior
Mas imagens são diversas
O tamanho do teu reflexo
manda
o Mar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Schools

Schools don't teach you anything at all. Schools, although, give you a substructure to real life. The learning comes from what you've built and fulfilled of this substructure.

Truth


Truth is not in the news, nor in the books, or science, or religion, or society, or factual events of life. 

Truth is in your inner and deep opinion about all these things. 

Everything else is a diversion of truth.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Xadrez



Já me habituei a escrever sobre coisas que só eu entendo. O mundo é a cada turno, mais e mais individual. Eu sou uma prova disso. Só escrevo coisas sobre mim. Andamos feito cegos em busca de uma visão, e como cegos, em busca de uma esperança.

Cremos no companheirismo, e deixamos para lá os maus assuntos. As nossas idéias filtram os males do dia-a-dia, e nos impulsiona para o futuro. Temos um propósito, temos um motivo para viver. Porque Deus parece não querer nos dar este motivo. Ele está silencioso, cada vez mais inaudível e profundamente incompreendido.

Não creio nas respostas, creio apenas na vida. Sinto-me cada vez mais só, em um tabuleiro de xadrez preto e branco, às vezes marrom. Tabuleiro de mármore, empoeirando. Sinto-me cada vez mais, uma simples peça de mármore.

História de uma florzinha invisível

Quem dera podia ver através do tronco d'uma árvore

Captar suas entranhas druídicas
como Deus imaginou que seria
tudo o que só podemos ponderar


no começo tudo é fofo e macio
nesse chão de terra viva
terreno forte terreno sadio

então uma florzinha imaginária
daquelas que valem a pena crer
deita ali e fica

Mas não será?

A gente pisa por cegueira
Por insabedoria dessatisfatória
E pior que uma gotinha de sangue
uma gotinha de lágrima
E quando cai no terreno novo
Abre um chão de cimento duro

Mas tem chão pra toda hora
E a florzinha ainda é nova
Respira muito depois que chora
E vai

Será?

no começo é quase tão fofo
Quase tão novo e quase tão brio
nesse chão de terra que vive
Terreno que prossegue e vigora

E uma flor madurando vai
Daquelas que querem viver
Senta ali, olhando para os lados

E a gente fala por ignorância
Por presunção ingênua indumentária
E pior que uma gotinha de lágrima
um vento no oco do peito
E quando cai no terreno novo
Treme, abre um chão de buraco novo

Mas ela se arrasta, insiste
Levanta meio em riste
Não liga se está triste, isto te faz pensar
Vai indo florzinha, vai.

Mas será...?

no começo é quase fofo
quase novo, quase com vontade de continuar
nesse chão seco, frio, trépido de não existir
Terreno que segue, insiste, existe
Bem assim...

E uma planta, pétalas à vista, caminha lentamente
Está ali, vivida, daquelas que perseveram
Fica de pé, esperando a chuva chegar

E a gente não fala mais
Por cansaçao, por tristeza receosa
Deixa lá o terreno descansar
Não joga sementes por medo de errar
E pior que um peito oco e vazio
É um terreno morto, sem nada, sem brio

E uma coisa que hora ou outra
Seja em forma de flor, seja em forma de dor
A gente nem sabe se vai existir mais.

Mas continua existindo?

Cada vez que surge uma brisa nova nessa vida imaginária...

Até um dia que não sobrar nada

Quem pudera sêssemos Deus e não se importar
Com o clamor desesperado do fiel que quer ser feliz.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A mother's mourning of a new January

Drop the flags
Drop the flags!

Cries the man with no hope
But thy deepest pain it  won't cope

Drop the flag of deadly lies
Leave it whilst where everyone dies

The silent look of owl and cat
The idea remains while man's in depth

For the coffin only it'll enfold
The man about himself stories
The flighty truth over the sea
Buried forever hidden untold.

Drop the flag of any color
Of any flimsy shallow dream

The rose is red on sad tears
Of a poor poor mother in huge vent
Lost in muttering mourning fears.

Drop the flag which kills the soul
And as a coffin blanket in the end
Will bring as it feels and as it falls.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

XLIV


Pensando hoje no quanto culpamos a tudo e a todos pelo fato de nossas vidas não serem do jeito que queremos, fazemos de tudo para fugir da responsabilidade que nós somos o nosso próprio guia. Ninguém é responsável pelas suas escolhas, nem seus pais, nem Deus, nem o diabo, nem o Governo, nem a sua mulher, nem o seu filho. Eu pensei nessa frase:

"Não terceirize a sua frustração, simplesmente admita a sua incapacidade."

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

XLIII

Se esta vida não te requer
Revida!

O Sol de Todo o Coração

Neste buraco escuro cai um bichinho belo
Cai amendrotado e triste, neste buraco frio
De vil espectativa buraco pleno
E de venenosos ventos lugar sombrio

Bichinho puro, pássarinho vivo
Mas morre de medo, morre bichinho

Esse mundo não te quer no céu
És um rato
Uma lagarta
Um nada
Um verdadeiro nada
Pisa na asa da tua consciência
Como quem pisa no chão da tolerância
Chuta teu estômago forte, saudável
Não tens mais estômago.
Uma cobra, duas cobras
Dez cobras, dez leões
Uma manada de quem não quer nada
Só que ei, iluminou-te a vida

Tu sabes voar bichinho, tu sabes voar
E voa.

Bichinho não
Pássaro.

Teu coração o sol pertence.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

de uma só vez


Um mundo sem perguntas
Caminha livre, aliviado
Leve, a brisa calma te leva
Escorrega sem acanhamento
Num escorrega feito de gelo
Cai num poço sem medo
Livre da tentação
Envolve um vapor sapiente
Uma poção de água quente
O cheiro e o gosto agridoce
Doce como a lágrima caída
Como o clamor de viva vivida.
Uma forma de mulher nua surge
Braços abertos, sorriso seguro
O abraço traz o sono, o sonho urge
Cai num chão repleto de poeira
Ergue e sacode a bela sujeira
E segue
Fora de si, em paz, na calmaria do cálido arco-íris
Num mundo sem perguntas.