quinta-feira, 12 de julho de 2012

Poema Cômico da Tragédia Alheia


Oh terras que nunca vi
O sangue dos chãos das guerras passadas
Cujos clamores sequer sei dos sons
Direi aqui coisas sem coração
E perdoem-me os bons pela pretensão
Serei pretenso como o poeta que inventa memórias

De todas as ninfas que me inspiram
A minha chama-se ambição
E tal como oportuno caso
Faz com que o verso seja vogue

Dom Quixote na cama esperando ser
Embutas-me à mente uma sinceridade lunática.
O doente se vê normal
Não crendo em sua anormalidade fanática.

Oh nordeste tão maltratado
Oh sina de uma coisa que não compreendo
Por que sofre aquela gente
Com quem nunca tive contato?
Por que as injúrias das pessoas
Que padecem de fome e sede
cujos detritos o cheiro não faço ideia
Porém me empardecem nos discursos das paideias?

Oh as pessoas que sofrem
Oh as crianças que morrem
Oh as pessoas que fazem oh
Sem valia, sem compreensão, sem nada para dizer!
Oh!

Oh Deus dos sentimentos vagos
De importância pálida e pouco consentida
Porém de necessidade humana intelectual
A que a ninfa entede pouco ou mal
Mas que a fama me fará dela bom serviçal!

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