domingo, 27 de maio de 2012

Despedida [ao senhor Jesus]

Na imagem de um deserto impõe-se a mim aquele homem
Caminhando em trapos sob vento arenoso
Sua humildade antecipa a natureza
Sua tez amiga pede-me um abraço
Quem diria ao ser
Escravo dotado de uma imagem
Por um homem que já morreu.

Se morro no abismo ou no morro
Ou se morro no chão
Morrerei só
Não me dê consolo ou a mão
Se não me puder dar a vida.

Largo esta cruz no chão
Que na verdade nunca foi minha obrigação
Carrego o peso dos próprios ombros
E da própria imaginação.

O vivo em função do sonho
Moribundo caminhante
Zumbis zombadores dos passantes

Vivo em função do chão.

Não, não posso voar
Não podes sonhar o viver
Vive o pensar.

Esse teu pranto desnecessário
Repugnante!
Comisera-se o teu espelho
E nosso espelho não é senão a nossa imagem.

Quando morrer não pede o céu
Não temais os anais terrenos da divindade
Não temais o amoque pela tua falsa liberdade

O tempo não passa senão a mudança de todas as coisas
De nada vale pintar o instante
Que não o que está diante dos olhos
A moldava teimosa de todas as coisas.

Cheira a vida, cheira!
Sente o gosto desse vento amargo
É a vida também, aí está!
Permanece.

Com licença bom senhor
Boas foram suas intenções
Mas deixarei sua cruz aqui ao chão
Partirei em demanda própria
Quando daqui partir,
Morrer!
Mandai-me ao limbo da inconsciência das coisas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Pessoas sensíveis esteticamente são pessoas mais éticas" - Viviane Mosé


Agora pergunte-se o porquê de termos uma educação artística e musical tão empobrecida? Pergunte-se por que será que não podemos ter pessoas mais éticas ao nosso lado? A existência de pessoas mais éticas não seria automaticamente a exigência e cobrança por cada vez mais pessoas éticas, uma sociedade justa?

Sim, a arte vai curar o mundo, Karina Guedes, ou pelo menos deveria. Arte, conforme você sempre diz, não é plástico pendurado em parede, a arte deve nos sacudir e nos mostrar que as coisas não precisam permanecer como estão.

É lugar comum que a política é corrupta, mas por que? Será mesmo por causa do nosso voto ignorante? Será mesmo? Será que não é a permanência, lá, de algo que mesmo nesse intervalo de 2 em 2 anos de eleições nós estejamos sendo coniventes? Talvez aquilo que absorvemos das televisões, das rádios? Talvez a nossa fantasia (que é muito confundida com sonho) de que um dia seremos tão ricos e glamurosos como eles? Será que 5000 anos de história registrada não é o bastante para mostrar como essa fantasia é ridícula?!