terça-feira, 3 de abril de 2012

O fim de um Narciso


Rodamos morro abaixo como se não houvesse ladeira
Sem paredes de vidro
Sem o vento oposto
Sem casas irregulares
Sem haver o que há de haver.

Assim de súbito arrebata o oceano
Tudo é tão fundo e disforme
Uma ordem de algas misteriosas
Sombrios sons vindos do além mar
Um outro mundo meu Deus

A baleia se choca com a superfície
Água que é calma teme o álamo
Opalas, vidros amarelos, flores acinzentadas
Por que não há de ser assim?

Sabe-se que o pasto seca no período do
"Seja como for"

Seja como for, não saberá de amanhã
Não mais certo que só será um dia claro
Cheio de pouca luz
Repleto da ausência distante do canto de um passarinho
Sem nuvem branca para cobrir nossa nublagem
Certamente vingativas ideias do inconsciente
Aquele fator inconveniente da vida.

E se antes disso fosse tudo diferente ou apraz?
E se antes de aprender a falar eu cheirasse melhor essa terra?
Como se fosse algo diferente para trazer pra casa?
Quando aprende-se a andar?
Até dar nomes às coisas e fazê-las morrer?

Saudades daquela ladeira repleta de um oceano.

O nosso ponto de reclusão
Não um quarto ou ambiente isolado
Mas o eu mesmo
Sóbrio ou embriagado
Destituído de realidade
Um parco festim de frialdade
Mas lá,
Lá é onde habita o segredo
A calma, a pura, a tranquilidade
Deem-lha o nome que bem querer
Para esta forma que resgatamos
Que diante do olhar rasteja
E onde desejamos ficar

Respira fundo, pare um pouco
Olhe para o lado que outra estrada habita
O escravo devedor jamais deve temer a liberdade
Desta vida colho desta vida levo
Nesta vida devolvo
Mas aqui só viveremos enquanto outro
Morre uma memória, não só, mas uma multidão

Não explico a cor da água
Explico nossa aceitação
Conformo-me
Água azul eu chamo de zular
Deus zuleou o céu
Mas do lá de fora onde nunca fomos, ele é negro e misterioso
Nossa inteligência nosso maior dos pecados
Que não nos permite despedida.:
O último suspiro
O último egoísmo, de fazer tudo sozinho.

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