quarta-feira, 25 de abril de 2012

Para um adulto, o maior problema em ser criança é que para eles, elas são indomáveis. A pressa que uma criança tem em ser adulto é para se livrar da opressão de ser criança. Se houvesse menos repressão na infância, teríamos mais crianças alegres, e menos adultos tristes.

A adolescência parece uma invenção onde essa pressão se torna bem articulada, confundida com a mudança do corpo. Corpo e mente são coisas tão distintas e ao mesmo tempo tão conjuntas. A mente comanda o corpo, e se a mente é criança, não há corpo que a negue.

Só sendo si mesmo para ter a certeza: sou adulto ou sou criança? A natureza é harmoniosa porque sabe se respeitar com naturalidade. Forçar o processo só reflete nossa dependência da produtividade material.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

As pessoas clamam enojadas que o Brasil tem 512 anos de história vergonhosa... bem, enquanto continuarmos ignorando a participação popular que aliás, é a verdadeira modificadora da história (embora não sejam os editores dos livros), não vejo perspectiva para um país de verdade, cuja população alienada corre desesperada no encalço de um modelo econômico de países falidos, consumistas, cruéis e criminosos. A começar, o Brasil não foi descoberto, pelo contrário, a terra indígena é que foi invadida e mutilada, e até hoje nós fingimos que eles não existem. Mais, ei, eles resistem!

domingo, 15 de abril de 2012

Frase XXXI

O educador joga sementes. Mesmo que seus braços um dia não tenham a força para colher os frutos, eles estarão ali, e sempre se lembrarão de quem os plantou.

As Horas Plenas

É necessária muita força,
ter consciência de si
E ainda ter motivos para sorrir.

É preciso muita constância
Determinação e relutância sadia
Para não se desesperar
com nossa própria miséria
E ainda viver bem o mesmo dia.

Em uma saudação de consternados
Com as aberrações que a palavra dita
Dissolve o coração amargurado
Aquilo que tudo de bom se colhe.

O silêncio da alma
O tumor dos desonrados.

- Honrai as suas loucuras senhores!
Pois já é inimigo da liberdade
A nossa teimosia aguda.
Assim diz o cavaleiro da nossa vontade
Brindando com água em copo descartável

Mais simples é a luz que bate no chão.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

XXX

O julgamento leviano nos priva de conhecermos pessoas extraordinárias. A padronização social proposta pela escola tradicional nos cega o entendimento de que cada pessoa é um ser humano profundo repleto de história e uma cultura próprias, e não um conceito.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

O fim de um Narciso


Rodamos morro abaixo como se não houvesse ladeira
Sem paredes de vidro
Sem o vento oposto
Sem casas irregulares
Sem haver o que há de haver.

Assim de súbito arrebata o oceano
Tudo é tão fundo e disforme
Uma ordem de algas misteriosas
Sombrios sons vindos do além mar
Um outro mundo meu Deus

A baleia se choca com a superfície
Água que é calma teme o álamo
Opalas, vidros amarelos, flores acinzentadas
Por que não há de ser assim?

Sabe-se que o pasto seca no período do
"Seja como for"

Seja como for, não saberá de amanhã
Não mais certo que só será um dia claro
Cheio de pouca luz
Repleto da ausência distante do canto de um passarinho
Sem nuvem branca para cobrir nossa nublagem
Certamente vingativas ideias do inconsciente
Aquele fator inconveniente da vida.

E se antes disso fosse tudo diferente ou apraz?
E se antes de aprender a falar eu cheirasse melhor essa terra?
Como se fosse algo diferente para trazer pra casa?
Quando aprende-se a andar?
Até dar nomes às coisas e fazê-las morrer?

Saudades daquela ladeira repleta de um oceano.

O nosso ponto de reclusão
Não um quarto ou ambiente isolado
Mas o eu mesmo
Sóbrio ou embriagado
Destituído de realidade
Um parco festim de frialdade
Mas lá,
Lá é onde habita o segredo
A calma, a pura, a tranquilidade
Deem-lha o nome que bem querer
Para esta forma que resgatamos
Que diante do olhar rasteja
E onde desejamos ficar

Respira fundo, pare um pouco
Olhe para o lado que outra estrada habita
O escravo devedor jamais deve temer a liberdade
Desta vida colho desta vida levo
Nesta vida devolvo
Mas aqui só viveremos enquanto outro
Morre uma memória, não só, mas uma multidão

Não explico a cor da água
Explico nossa aceitação
Conformo-me
Água azul eu chamo de zular
Deus zuleou o céu
Mas do lá de fora onde nunca fomos, ele é negro e misterioso
Nossa inteligência nosso maior dos pecados
Que não nos permite despedida.:
O último suspiro
O último egoísmo, de fazer tudo sozinho.

segunda-feira, 2 de abril de 2012