domingo, 4 de março de 2012

O Dever (?)

Não direi uma palavra
Nem uma só palavra sobre palavra
Enquanto olho não significa
Porque a poesia não deve dever
O artista não deve dever
O homem não deveria dever o dever

Assim prossegue o homem sem traves nos olhos
Vê-se o mar
Vê-lhe há mar
Vê-se a arte
Vê-lhe o apartar-te
Do quanto se faz parte
E enquanto a mar e arte
Para tantos o que há Marte.

Cabeças assim não se prescrevem
Porque elas teimam em ser menores

(Observando é claro que se menor for lido menor 
  [o olhar está cheio de traves e os pés de correntes 
  [e a cabeça está cheia de vento 
  [onde mora um pequeno duende que ri de tudo o que fazemos)

Para toda sombra existe uma luz
Para toda terra existe uma semente
E para toda arte existe uma parte que diz:

Arte para
Libertar-te?
Ou arte para
Militar-te?
Arte para obrigar-te a dever a sua parte?
O duende em minha cabeça me diz:
Libertas quae facere arte!

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