domingo, 2 de dezembro de 2012

A Casa Vazia

A casa vazia
Tem um capim fino na porta da casa vazia
Mas tem flores e manjericão também!

A casa vazia ecoa
Alô
ô ô ô ô...
E volta o mesmo som para os ouvidos de quem soa
ô ô ô ô...

Num monólogo
(ou debate com as loucuras)
Quando liberta os demônios que em ti habita
E queima a sensação de em si mesmo
Sinto que sempre me responde
Liquor de Lírios ou Vinho?
Vinho... vinho... vinho...

Mas tem música e vozes na casa ao lado
Tem música e vozes.

Frase XLII

Quem diz que vive plenamente feliz sem Deus está mentindo. Assim como os que dizem que vivem plenamente felizes com ele.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A penúlltima Volta do Parafuso

Diante do espetáculo sombrio
Dessa gente morta de pouco afeto
Pulsa o sangue aberto no pulso frio
Como lágrimas vermelhas em chão repleto
Verte a gota nesta cama amarga e sombria
Como sopram os ventos segundos do dia
Em cada pingo em chão o abraço
Uma fenda esfumaça a pena se revela

E sofre como açoite em velho hábito
O cantar de sofrimentos ocultados
Não senão pior é o castigo
O sofrer sem razão direta, concebida
O morrer de pouco sem saber o que te mata
Seja em corpo ferido e infecto
Seja infeta alma que acorrenta.
Ainda sendo o verbo que te maltrata.

Não cabe em ti o amargor externo
Como se não coubesse nuvem de ressaca
Em cabeça de inverno.

Ventania, carrega o passageiro solitário
Que desloca a poeira dos dias, lentamente

Já não será tamanha a dor
Não sendo sua ferida aberta.

Cede o caminho adiante
Ante o obstáculo terno
O invível de uma imagem que aprisiona

Para liberta a corrente uma palavra basta
Uma palavra vale mais que mil imagens
Para a liberta palavra vale apenas uma imagem
Um liberto vale mais que mil palavras.
Mas quando não se sabe...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

“Não contendas com alguém sem razão, se te não tem feito mal”. (Pv. 3:30)


“Não contendas com alguém sem razão, se te não tem feito mal”. (Pv. 3:30)

Mas para muitos evangélicos que conheci isso era uma desculpa para pairar na alienação e na preguiça de lutar pelo seu próximo. Quando me questionam porque abandonei completamente a religião eu deixo claro que me causa repulsa o individualismo e o consumismo do cristão, e mais me causa repulsa ainda a sua associação de benção com bens materiais. Mas nada disso me deixa mais decepcionado do que o fato de não assumirem tal comportamento.

Se Jesus fosse realmente conhecido de alguns, seria odiado pela Igreja e seus fiéis seguidores (da Igreja, não de Jesus), pois ele lutou pelo que acreditava, até o fim. Não seria ele alguém que participou e causou muitas contendas com um fim?

Existe uma censura silenciosa, agressiva e injusta pairando nas Igrejas cristãs, quando você, por mais jovem que seja, questiona alguma prática, é rotulado de pecador, e tão logo deve ser afastado por ser o "irmão que gera contenda entre irmãos", quando muito este mesmo "irmão" é o que enxerga o lobo no meio das ovelhas. Mas isso não importa, Igreja é uma total bobagem e perda de tempo.

Brasil, um país de um mundo atrasado.


Durante toda a minha vida escurtei a frase: "O Brasil é um país atrasado".

Vinha da boca dos mais velhos, obviamente; bancários, funcionários públicos, motoristas e cobradores de ônibus, dos pais, tios, padrinhos, amigos dos pais, taxistas, pedreiros, religiosos, enfim, este era o meu círculo social na época.

Mas de todos estes, dos que mais ouvi vieram da boca dos meus professores, especialmente de geografia e história. Era um bobardeio diário à imaginação e auto-estima: "O Brasil é um país atrasado", e tão logo vinha a inevitável comparação com os ícones da economia da época: EuA, Japão, e uma parcela ínfima de páises da península ibérica que todos teimam em chamar de Europa.

"O Brasil é um país atrasado" sempre esteve em meu imaginário quando eu posso ver reflexos de avanço representados pelas mais finas e altas classes sociais, que desfrutam de parte disso, geralmente trazidos do exterior, repetindo gole a gole, de seja lá qual for a sua bebida de café internacional: "O Brasil é um país atrasado".

A raíz, diversa, e os motivos, comumente emocionais, eclodem quando evidencia a nossa incapacidade de ser estrangeiro em território geo-político e econômico brasileiro. A impossibilidade de ser, porém não o de ter, estrangeiro.

Entretanto, esta frase foi perdendo a consistência ao longo dos meus anos de ser-humano. Se levar em conta o Brasil, parte de um pedaço de terra inserido num vasto mundo, inserido num vasto universo, o Brasil é um país atrasado. Mas gostaria de entender melhor de qual trilha estamos falando.

É ridículo dizer que um país é formado de pessoas, e as pessoas são o reflexo de seus próprios pensamentos e atitudes. Milhões de psicológicos e sociólogos podem negar a minha impressão humana do ser humano, por mais vivido que eu seja, uma teoria aceita é mais válida do que a minha própria impressão sobre mim mesmo.

Na tentativa de convencer o meu semelhante, a medida não-científica é covarde. Entretanto, para a satisfação do meu ser, ou para o entedimento dos meus próprios caminhos como ser humano, minha própria definição, é disso que precisamos.

Pensar ideologicamente tem sido um hábito de péssimo gosto no nosso meio social. Não se pode formular uma frase sem citar a memória de um morto. A ideologia está em estado terminal: o capitalismo é um velho folgado e arrogante que permanece clamando as vantagens de sua juventude. O socialismo e seu primo, o comunismo, ainda se vêem no luxo de dar esmola. 

O levante de ideias para fazer curativos às antigas ideias impedem o ser humano de dar um passo a frente. O atraso maior está em diariamente tentar, ainda, validar ideias falidas. A novidade, então, é sinônimo de avanço?

Atraso é violência. Se levarmos isso em conta, o Brasil ganha uma legião de companheiros. Atraso é o cerceamento da liberdade, e levando isso em conta, temos um monte de países mais atrasados em relação ao nosso, considerando até mesmo os nossos ícones de avanço. Atraso é alienação. Atraso, de verdade, é tentar ir em busca de um topo imaginário, mesmo que historicamente, temos bem claro que isso é impossível. Atraso é mentir para si mesmo, e viver guiado pela mesma ideia, dia após dia, sem se dar conta de que estávamos errados. Atraso é viver sob uma medida de comparação com um topo, sem nos dar conta da miséria que está ao nosso redor. Atraso é não se dar conta da miséria. Atraso é não se dar conta de nenhuma miséria. Atraso é acreditar que se chegou a algum lugar enquanto ainda nos odiamos sem saber porque. Atraso é se matar por poder, e regozijar-se com isso. E acredito que o auge do atraso é querer rotular qualquer pensamento que está isento de ideia, sendo apenas um pensamento, um direito de ser humano, um sopro de humanidade excluído da obsessão de ser científico, político.

No imaginário comum, o país que está no topo é diferente do antigo, do inimigo anterior. Um país como os Estados Unidos jamais seria comparado à Inglaterra e às suas atrocidades, porque os resquícios de positivismo nos faz crer todos os dias que o hoje sempre será melhor que o ontem, rumo ao portão do paraíso. Isso não existe. E um país como a Inglaterra, não teria sido violenta e injusta como foi a sua potência anterior, a Roma. E é claro,a China, Japão, e Vietnã nunca existiram. O Egito e a Arábia Saudita nunca existiram. E o Brasil, ou a América, jamais existiram. Sempre fomos atrasados, todos nós, o mundo inteiro e comum.

Está tudo errado.

sábado, 17 de novembro de 2012

Só mesmo Trindade


Estação Sto Amaro do Metrô
Escuta, o som dos trilhos
Mas não dá pra entender
O que ele tá querendo dizer

Tem gente com fone
tem gente com fone
tem gente com fone

Sobrevoa nas cabeças dispersas
Serpenteia-se por olhares perdidos
Uma pálpebra caída e um bocejo

Tem gente com fone
tem gente com fone
tem gente com fone

Numa tela de tinta homogênea
Pra que o preto, o branco, o marrom
É tudo muito cinza

Tem gente com fone
tem gente com fone
tem gente com fone

Uma mulher morde uma maçã
Um homem toma o seu pedaço
Mas aqui nunca foi o Edem

Tártaro metálico, homem bateria
Saúde e alegria é uma calunaria
Recolham o corpo esquartejado do Mário

Tem gente com fone
Tem gente com sono
Tem gente sem fome.

Só mesmo trindade
Para azedar esta verdade.

Frase XLI

Sua liberdade de expressão não te dá o direito de inibir a liberdade do outro. Enquanto estivermos tentando converter os outros em nós mesmos, a ideia de liberdade permanecerá como uma vaga ideia.
Quando eu era pequeno não achava justo meus bonecos não falarem.

Eu sabia que eles não falavam, era bobagem eles não falarem. Mas eu tinha um boneco do Buzz Ligthyear, totalmente High Tech para a minha simplicidade. Ele era meu único amigo em casa.

Conversando com ele uma vez me disseram: "Seu idiota, que coisa mais idiota brincando de conversar com os bonecos".

Não era justo Deus, Jesus e todos os santos terem o direito de falarem, mas os meus bonecos não.
Quem será mesmo senhor de si?

- Por que me socou os dentes?
- Porque te detesto - esta é a excusa.
O senhor de si diria: porque meu cérebro ordenou que meu braço se movimente até a tua boca.

- Por que me quer senhor de si?
- Para te comer todos os dias.

O senhor de si vive só em uma caverna desconhecida e nunca é o senhor do presente, é o senhor de um futuro distante e caótico que busca explicação para a própria miséria.

Bata com o pau no chão, fazendo o barulho antropomórfico. Seremos animais mudados em humanos.

Raio-X Número 1: O meu direito de egocentrismo

Não tenho muitos amigos ou simpatizantes, e os poucos que tenho vejo com tão pouca frequência, mediados apenas pela rotina, pela irreparável e inescapável rotina. Sou um antipático nato. To dizendo isso não porque eu gosto de ser assim, mas porque essa condição me incomoda e eu tento contorná-la diariamente, muitas vezes sem sucesso, porque a visão primeira de todo mundo é pior do que religião fundamentalista. Mesmo que você fique nu diante de todos, elas não querem saber, você vai ser antipático. Você vai ser mais você mesmo pelo que os outros estão dizendo de você do que o que você diz de si mesmo. Essa é o meu maior obstáculo na hora de me relacionar.
O humano mais fundamental
O humano mais famoso
O humano que ninguém ouviu falar
O humano que ninguém conheceu
O mar azul Grande como inconsciência Grande como o sonho de todos Mergulhou e quis sumir Só o mar conheceria Só o mar queria conhecer Só dele que saberia falar Que existiu O mar azul Coisas assim ninguém acredita E se de repente sumisse o mar Sumiria o grande espelho do céu E todos nadariam nas nuvens O mar azul como se respirasse os nossos segredos Ninguém sabe
O avô entrou na estante de livros
Adormeceu ali congelou ali estatuou-se ali
E só saiu para ser homem grande
O sangue fluiu quente e duradouro
Deitou-se na nuvem
E sonhou para o todo sempre

E levantou-se para um novo começo
Sem se importar com o final

Borboleteando


Virou uma semente
Quando caminhava na mata
Desde quando não soube como
Cada história que é extraordinária
por não sabermos
quando quem começou
como onde terminará

Perdeu-se na mata de borboletas coloridas
Todas borboleteando
Cada uma mais risonha para o espírito
E mais saborosa para a alma
Tinha a de círculos azuis e vermelhos
Tinha a preta, branca e amarela
A de listras vermelhas e violetas
A borboleta marrom, que se confunde com o seu nascer
A borboleta gigante
E a borboleta inexistente
Que ninguém nunca não viu

Até que brotou no ar
Virou uma árvore flutuante
Copa grande, folhas de pluma e tronco de folhas briófitas
Criou asas e começou a voar
Para sempre
E sem a nossa necessidade de final

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ritual de Libertação


      Vou te dizer sinceramente, até porque aqui não tenho risco de me comprometer, ontem foi um dia difícil pra caramba. Dia de trabalho, todo dia de trabalho é difícil. Ficar repetindo a mesma reclamação todo dia, isso é redundância de espírito. Piora até, a situação, me dizem. Não importa na verdade, se as coisas acontecem assim, e eu chego em casa e fico pensando é porque não to sabendo separar minha vida pessoal da profissional. Todo emprego começa com um sonho, normalmente de consumo. Troquei meu sonho por desejos pequenos, desejos de meia hora. A tentativa de grandeza é calada com a porrada diária, isso é duro pra caramba. Vou te dizer que tem horas, não to aguentando mais. O desrespeito coletivo pra tudo o que era correto, não é mais. Nosso lado correto é pura imaginação, é pura fantasia da nossa cabeça, parece às vezes. É só discurso. A gente acha que está tudo bem, mas quando vai ver, isso aqui está tudo uma merda. Ninguém respeita mais o farol vermelho no trânsito.
                Cheguei em casa, bati os pés no capacho, deus sabe porquê, impecável, começar o meu final de dia diferente, então tratei de jogar a pasta do trabalho em qualquer canto e o paletó em qualquer outro. Entrei de sapatos, estava com raiva de que alguém fosse me dizer alguma coisa, e era só abrir a boca.
                Mal permiti que minha casa me recebesse direito, ignorei a TV, a correspondência, um monte de contas a pagar, me deu preguiça pra organizar as ideias do que eu faria primeiro, ignorei o banheiro, fui direto pra cozinha e fiz um chá. Minha mulher acharia estranho, eu sempre nego chá. A verdade é que nunca tenho paciência de responder quando to pensando em outras coisas. Fui fazer o meu chá de camomila.
                Botei um pouco d’água na caçarola e fiquei olhando, contei cada molécula de segundo, senti o tempo de verdade, pela primeira vez, faz tempo. Até me permiti deixar um ventinho que veio da janela me bagunçar o cabelo. Pro fundo era a nossa piscina. O tempo ia fechar, to sentindo aquela brisa lânguida, melancólica. Tipo de palavra que um homem centrado não usaria. A água começou a ferver enquanto eu depositava cada recordação da minha vida em uma bolhinha que estourava. Casa grande, carro novo, moderno, aquele clichê capitalista do homem bem sucedido, afundado na merda até o pescoço com um monte de dívidas, mas bem sucedido, todo mundo de fora estava vendo. Homem feliz não dá suspiro pesado, respira leve.
                Despejei na caneca e de propósito deixei que o vapor me esquentasse o rosto, não liguei pro calor do dia, pro mormaço que anunciava uma chuva das brabas. Vai ser o caos na cidade hoje, vai ser o caos pra todo mundo chegar em casa, ainda bem que cheguei cedo. Vai ser o caos, isso me fez sentir alívio, uma certa alegria vingativa.
                Peguei o chá e fui tomar no quarto, que é proibido, sentei bem no puff do lado da TV, e não me importei mesmo se o vapor pudesse danificar o aparelho. Dali eu fiquei observando o gabinete do banheiro, tão retilínio e bem projetado, impecável e seguro. Desfoquei o olhar na distância curta de onde eu estava e da entrada do meu banheiro, imaginando o que poderia acontecer da minha vida agora. To infeliz, robótico, teleguiado. O clichê do homem moderno insatisfeito. Quem sabe eu devesse deixar o emprego, procurar algo novo. Mas todo mundo aqui em casa depende de mim, e quando eu digo todo mundo na verdade quero dizer só minha esposa, meus dois pássaros, meu cão e meu gato. Além do mais eu não sei fazer outra coisa, não consigo ver saída. Tenho medo de deixar certas coisas de lado, pra trás. Acho melhor parar de pensar nisso, to voltando a ficar tenso, me recomendaram não pensar em nada. Ouvi dizer, lembrei naquela hora, do budismo, que os monges tentam não pensar em nada pra alcançar a paz espiritual, acho que tinha lido em algum lugar, mas foi aí que a coisa aconteceu.
                Existem coisas que acontecem só nas histórias das outras pessoas, e às vezes nem mesmo testemunhadas por quem conta, fazendo parecer que a vida não é mesmo de verdade, que a gente não tem o prazer de ser espectador de grandes coisas, ainda mais quando entramos na rotina. E por mais boba que a coisa se pareça, sempre tem um problema maior do que ele realmente é, por causa das expressões de super impressionados, além dos excessos que algumas pessoas fazem para que tudo em suas vidas pareça extraordinário e maravilhoso, quando é só uma rotina moderna dessa merda de vida. É a mesma repetição, todas as épocas. Mas aconteceu de verdade quando o meu gabinete do banheiro simplesmente se despregou da parede e caiu no chão. Caiu no chão assim naturalmente, como fruto de um trabalho mau feito. Caiu e fez um tremendo barulho porque tudo o que estava dentro bateu contra a porta, ouvi ruídos de coisas quebrando, e de uma infinitude de embalagens plásticas se chocando umas contra as outras.
                Minha primeira reação foi unicamente de raiva. Gritei tão furioso, trabalho de merda e a gente ainda paga, mas no caminho de ver o estrago me senti diferente, comecei a pensar de verdade. O gabinete do banheiro sempre foi tão indiferente para mim, só me servia para pegar toalhas de 3 em 3 dias, e para pegar sabonetes a cada duas semanas, ou menos, mas hoje não, tomou uma importância simbólica naquela hora. Por que eu dava importância de querer tudo simplesmente no lugar? Por que as coisas não teriam um lugar novo depois de um tempo? Gargalhei frenéticamente e voltei para o meu quarto. Que momento mais surreal. Era como presenciar um terremoto e comover a todos depois com um evento natural. Uma ideia me ocorreu, uma ideia fantástica, um novo ritual dessa religião nojenta sem Deus, sem objetivo, dessa religião escrota e repulsiva do consumo, cheio de rituais diferentes. Eu criei meu próprio ritual de salvação dessa mentira toda.
                Abri a porta do closet e comecei pelas minhas camisas do trabalho. Rasguei-as, uma a uma, apreciando lentamente o som de seu tecido sendo descolado e dividido em dois, três, ou quantas partes fossem necessárias para saciar meu tesão. Depois fui para os mais caros, as de seda, as de linho, e outros tecidos que eu só sei quando minha esposa elogiava, e fiz tudinho em pedaços. Tive uma ideia brilhante então, juntei todos os trapos e joguei na privada, apertei a válvula e mantive segurada, até que a pobre não aguentou e entupiu, em seguida despejando toda a água pelo piso do banheiro. A sensação de prazer foi repleta, senti-me como o homem que descobre o fogo, e segurei até que pudesse sentir um tremendo orgasmo.
                Peguei minha xícara de chá e joguei na TV de 52. Liguei e vi que ainda funcionava. Como um Hércules levantei e fui até à sacada, atirei na piscina. Eu sei que isso não é de se desejar, mas eu desejei assim mesmo, ter visto o Titanic afundar teria me dado bem menos satisfação.
                Voltei para o quarto, com o carpete devidamente ensopado, e derrubei o colchão no chão, subi nos estrados e comecei a pisoteá-los, sem me importar com a dor ou com nada. Meu pé direito se cortou, uma farpa rasgou o lado do meu pé e eu senti aquela dor lancinante, aquela dor maravilhosa e sublime, e aproveitei para manchar todos os lençóis com o sangue. Peguei todos os vestidos mais delicados da minha mulher e levei até a cozinha, não sem antes, no caminho, derrubar todos os vasos de plantas no chão, fazendo questão de quebrá-los e estilhaçá-los. Uma voz distante na consciência me dizia que eu ia me arrepender de tudo isso, que eu iria para o inferno, que aquilo era errado, mas eu queria mais. Como um viciado em coca, que no fundo ele sabe que está se auto-destruindo, mas essa mão demoníaca do vício nos empurra com tanta força, eu não conseguia parar.
                Desci as escadas mijando em todo o tapete, escorreguei em meu próprio mijo que me ardeu a ferida do pé, tropecei e caí de costas no chão, senti uma outra dor lancinante, e esperava sentir, porque lancinante é uma palavra que eu sempre quis usar. Minha cabeça fez um corte, limpei com as mãos e passei nas paredes, criando um rastro disforme. Sequei o sangue com os vestidos e joguei-os todos no chão, arrastando tudo com os pés.
                Peguei um abajur de canto e comecei a arrebentar tudo o que via pela frente, TV, aparelhos de DVD e Blu-Ray, joguei meu estéreo contra a parede que se abriu imediatamente. Quando eu vi o buraco que havia ficado na parede eu caí no chão e rolei feito criança. Mas parei: meus álbuns de fotografia me causaram uma tentação tão grande, imagino que tenha sido assim que os ladrões da Jules Rimet tenham se sentido. Não abri, dei uma pancada na porta com o abajur que despedaçou o vidro. Peguei todos imediatamente e corri para a área de serviços. Lá peguei álcool e uma caixa de fósforos. Joguei metade dos palitos num balde de limpeza junto com as fotografias, banhadas no álcool, e queimei-as, uma a uma. Comecei a cantarolar Fire do Hendrix, ajoelhei no chão enquanto aquele poder divino emanava de minhas mãos, eu era um deus, sei lá, um demônio talvez, eu era o messias libertando os oprimidos desses fariseus malditos, que jogam mentiras diárias de merda na nossa cabeça. Voltei pra pegar os vestidos da minha mulher e atirei tudo no balde, deixei lá queimando, sentindo aquela fumaça me envolver, aquele cheiro me envolver. Queimando as bruxas, as feiticeiras, queimando os hereges da vida natural, simples. Queimem pecadores, queimem, padeçam no verdadeiro inferno!
                Peguei o balde e o atirei em chamas em cima do sofá. O sofá, me custou muito caro, meio ano de trabalho, um semestre inteiro de vida cristã para pagar um maldito sofá. Agora eu me vingava dele, eu ria, ria como um vilão maligno. Eu estava conquistando meu império.
                Corri até a cozinha e não parei enquanto não destruí até o último jogo de xícaras. Afinal, para quem tantas xícaras? Centenas delas para apenas duas pessoas e alguns animais. Assustado com todo o pandemônio que e estava criando, o Rustler começou a correr e latir como um cão de verdade.
                Saí de casa e vi de relance o quanto pegava fogo na minha sala, fiquei na varanda de entrada quando começou a chover. Eu ria prazerosamente, estava louco, tinha perdido a cabeça, e estava maravilhado com a minha loucura. Voltei e me vi escrito nas paredes das cavernas, me vi sentado diante de homens memoráveis que começavam a imaginar o futuro de todas as formas, menos daquela que um dia tinha pensado e em que eu estava merdamente vivendo. Gritei, como um homem que atinge o mais sublime gozo, gritei como um homem que atesta sua animalidade, eu estou vivo, eu estou aqui, vivo meus irmãos do passado, eu estou vivo. Me atirei no chão e comecei a rolar pela grama, me sujando todo de lama e esmagando os pequenos animais. Comecei a cavar no chão de terra, arranquei toda a grama e comecei a mastigá-la, levando à boca fosse galho, farpa ou minhoca, tudo eu mastigava e cuspia. Meu cão me observava debaixo do parapeito da porta, espantado, em transe. Houve uma comunicação e eu o dominava com comandos visuais e corporais. Era mais homem do que nunca!
                Mas foi quando eu vi, meu carro tamanho família, meu Tucson, meu maldito Tucson! Levantei e comecei a gritar, você! Você é o meu senhorio, o que me escraviza! Você é o chefe de toda esta quadrilha! Corri em direção ao quintal e peguei na sala das ferramentas uma picareta. Seus dias de senhor dos homens estão acabados! Tinha escutado esta fala num filme recente em que todos riam por acaso.
                Ergui a picareta e me lembrei dos meus antepassados índios. Alguém ergueu um tacape sobre alguém, que gemia ou tremia de medo diante da morte iminente. Uma tempestade ou algo parecido, uma ventania intensa, um era o deus da vitória, o outro era o símbolo da vergonha, e futuramente um novo deus da vingança. Meu carro e eu. Mas não havia olhar de piedade do miserável, ele me desafiava, me encarava com frieza, como se eu não tivesse coragem.
                Neste momento o portão da garagem se abria. Gritei como um louco e desferi o primeiro golpe fatal sobre o parabrisa. Minha esposa e sua colega de trabalho só tiveram tempo de parar o carro e olharem boquiabertas. Quando a fêmea se atrai pelo macho, no momento em que demonstra sua força. O segundo golpe foi sobre o capô, o desgraçado não aguentou e começou e relinchar de dor ao disparar o alarme. Nos olhos dos faróis, nos pneus, vidros, abri as portas e arruinei com os bancos, arranquei-os fora com uma força descomunal, em seguida arranquei uma das portas e golpeei o painel, uma, duas, dez vezes, dezenas de vezes que não pude contar. Abri o capô destruído e golpeei o motor com tanta fúria que começou a despejar fluídos de todas as suas partes. Estava morto. A vitória era minha.
                Ergui a picareta do chão e soltei um urro de vitória. Em resposta o céu me enviou um trovão. Urrei novamente e mais uma trovoada, até que minha voz se sobressaísse. Meu ritual estava pleno, completo.
                Me atirei exausto quando minha esposa veio até mim gritando em choque, você está louco?
                Estou homem. De novo. Ri sem sentido, chorei de libertação.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

XL

O que nos separa do potencial assassino é a farda, o esterótipo e a condição.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A contradição cristã está dentro da sua própria obra inspiradora: Velho Testamento X Novo Testamento. O cristianismo surge do Novo, mas os cristão não negam o velho, porém o livro em si é um constante embate entre um e outro. Afinal, como ter ideia do que se acreditar a partir de uma ideia que em si já se contradiz? Sim sim, as coisas de Deus são loucura para o homem. É esperar para ver, ou não ver.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Frase XXXIX

Não são necessários museus, livros ou teses para o brasileiro entender a sociedade medieval. Basta olhar pela janela de sua própria casa.

Frase XXXVIII

Uma sociedade cujos resultados dependem de números só pode ser uma sociedade enganosa. Pessoas felizes, isso sim é o resultado de uma sociedade justa e ética.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Esquerda, Partidarismo, Politicagem e Jornalismo Fajuto

Graças às notícias encomendadas por eminentes imbecis, uma série de conceitos tem sido mal utilizados e entrado no imaginário popular de maneira superficial, cada vez mais tomados como verdade por causa do vício de opinião.

O idiota que depreda a esquerda política dá um tiro no próprio pé, pois não fosse a esquerda, de origem francesa, nas primeiras ideias do iluminismo, jamais teríamos a noção de que somos explorados por uma minoria, e jamais teríamos a noção da injustiça social. Não fosse a esquerda, ainda estaríamos submissos a um poder clerical corrupto e submetidos aos caprichos de uma nobreza inútil. Esquerda é a síntese de uma ideia filósofica, e não a bandeira de representação de um partido. Como toda filosofia, a esquerda evolui,  a e a partir do iluminismo que vieram ideais como liberalismo, socialismo e comunismo, alternativas para um sistema capitalista explorador e injusto. É graças à esquerda política, inovadora e progressista, que desfrutamos da liberdade de sonhar com a liberdade.

PS: Tenho um carinho especialmente grande pelo adjetivo "eminente imbecil".

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Verdade Natural

Gotinha d'água
Saltando do teto

No grande espaço
Meu reflexo
Como sou belo
Dentro de ti.

Gota d'água
Despenca do teto

Num curto espaço
Minha distorção
Como sou inútil
Sem ti.

domingo, 16 de setembro de 2012

Anestesia

Os pais da sociedade de consumo são os maiores detratores para a própria sociedade. Os pais como sempre foram os pais, não os pais de ontem, ou os de hoje, todos os pais que se acovardam e compram filhos ao invés de criá-los.

Os pais deveriam ensinar aos seus filhos que a vida é difícil e um dia acaba, para sempre. Deveriam ensinar que  finalidade maior é viver duramente pela sobrevivência. Deveriam ensinar também que a vida não é uma festa interminável e repleta de sorrisos, a vida é difícil, muito difícil, e não importa o quanto você trabalhe, estude e sonhe, a vida sempre será difícil. Buscar a reflexão em função desta perspectiva fortaleceria o nosso espírito e amadureceria nossa alma, além de evoluirmos a nossa coexistência para a tão sonhada paz, apesar desta paz nunca ser possível de existir. O conflito humano é algo natural e que deve ser encarado desde cedo.

Viver a vida em busca do eterno prazer é pairar na infantilidade da consciência, pois cedo ou tarde a realidade do fim de tudo se mostrará presente. Ignorar o natural resulta nas reações mesquinhas e egoístas que presenciamos.

A evolução mostra que o que ignora a sua própria crise está fadado ao próprio fim. Apenas os que puderem resistir às dores mais duras é que terão condições de prevalecer e seguir adiante.

Quando questionar o porquê do caos e da crise da sociedade atual, ao invés de buscar refúgio no saudosismo, por que não enfrentar aquilo que ignoramos por causa de um moralismo falido e uma ética inexistente?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pseudo-chama


Pegou fogo o mundo durante 10 dias

No primeiro os olhos impressionados observavam
No segundo os olhos fascinados observavam
No terceiro os olhos fascinados olhavam
No quarto os olhos olhavam
No quinto os olhos percebiam
No sexto os olhos viam
No sétimo viam
No oitavo ouviam
No nono moviam
No décimo viviam

Iam

Depois tudo se transformou ao normal.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Involution Moderne

O vício em Televisão e Internet é justificado pela tendência moderna em estar informado. Mas a informação é realmente necessária da maneira como nos é imposta? O que qualifica uma notícia mais importante em detrimento de outras afinal? Ambas tecnologias trouxeram avanços para a humanidade, mas ao mesmo tempo, degradaram profundamente as raízes da relação social. O excesso de informação entra totalmente em contramão com o processo de desenvolvimento humano. Jornalismo é o pior de todos os vícios modernos.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Poema Cômico da Tragédia Alheia


Oh terras que nunca vi
O sangue dos chãos das guerras passadas
Cujos clamores sequer sei dos sons
Direi aqui coisas sem coração
E perdoem-me os bons pela pretensão
Serei pretenso como o poeta que inventa memórias

De todas as ninfas que me inspiram
A minha chama-se ambição
E tal como oportuno caso
Faz com que o verso seja vogue

Dom Quixote na cama esperando ser
Embutas-me à mente uma sinceridade lunática.
O doente se vê normal
Não crendo em sua anormalidade fanática.

Oh nordeste tão maltratado
Oh sina de uma coisa que não compreendo
Por que sofre aquela gente
Com quem nunca tive contato?
Por que as injúrias das pessoas
Que padecem de fome e sede
cujos detritos o cheiro não faço ideia
Porém me empardecem nos discursos das paideias?

Oh as pessoas que sofrem
Oh as crianças que morrem
Oh as pessoas que fazem oh
Sem valia, sem compreensão, sem nada para dizer!
Oh!

Oh Deus dos sentimentos vagos
De importância pálida e pouco consentida
Porém de necessidade humana intelectual
A que a ninfa entede pouco ou mal
Mas que a fama me fará dela bom serviçal!

Touch Screen

Era uma aura de inconsciência
A sublime demência da manhã

Mas como demoramos na lágrima!
E como permanecemos no riso!
Chorei por demais para me manter preso em mim mesmo
Oh libertação, padece na demência da fermentação.

Genericamente eu posso escutar rangidos
E a respiração frenética, enlouquecida de homens e mulheres.
Escuta esse som, essa voz metálica:

(.... .... ....)

Um homem faz sexo com um telefone
Para caminhar livre sob as mentiras de suas verdades
Na era das máscaras nossa nova máscara:

- Da era de Otavio Augusto e Ying Jien, ressurjo do túmulo!
A palavra.

Young Romance True Love!
Tudo colorido demais
Viva o ecstase do cinza
E a dormência da cor interna.

O futuro está diante de nossos pés
Portanto olhemos para trás

Quantos de nós olhamos para trás?
Os que estão à beira do fim.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Frase XXXVII

Aviso aos crescentes: Vinte e seis é um número, ano é uma medida de tempo... sou um corpo e uma mente, ora jovens, ora velhos. Maturidade não é medir o que se diz, mas ser responsável pelo que se diz.

Frase XXXVI

Todo século tem o seu mal. Do ponto de vista da medicina o mal do século é a depressão. Do ponto de vista literário o mal do século é o best-seller. Do ponto de vista social e político o mal do século é o jornalismo.

Frase XXXV

O homem ensimesmado adoece e começa a se isolar desenvolvendo alguma patologia social. Quando a doença e o isolamento estão num estágio elevado ele começa a escrever livros.

Frase XXXIV

Como ficou jovem o mundo conforme envelheceu
Quem nos ensinará a caminhar adiante?

Frase XXXIII

Na minha cabeça eu sou o melhor dos poetas. Minha cabeça é o melhor mundo do mundo.

Salve Geral

As paredes não são feitas de tochas

Cento e quarenta mortos na capital
Por tiros do corpo policial
Cento e quarenta mortos na capital

Mas as crianças correm pela rua
Tanto faz o menino deitado no chão:

- Olha, é lua cheia!
- É lua cheia!

domingo, 17 de junho de 2012

Ego et Circenses

Surge nessa imensidão de cordialidade mansa
Uma necessidade vinda do estômago
Arde-se em chamas, inquieta
Seja lá uma necessidade de rouquidão romântica
Mas por tudo o que há de mais sagrado
Xinga-me à minha mãe
Xinga-me à minha geração
Soca-me os punhos nos dentes até não sobrar mais dobra de língua
Do que lançar-me este pobre olhar cinza
Esta pena por cordialidade
Não deve existir de todas a maior das maldades
De que enganar por incertas bondades.

Consola-te aqui, no meu sofrimento
Nesta minha angústia solitária
Venha e deite-se sobre a minha miséria
Como nunca soube deitar-se com a sua própria
Trairá a minha desgraça consecutiva
Quando dela sentir-se seduzida

Há quem goste da verdade, mas nunca a serão!
Nunca a serão!
Aproximar-se nunca é o bastante para tê-la em si
Sê-la em si
Moldá-la ao que seja como espera desta concepção
Nunca será, nunca a serão.

Pois quem vier primeiro já esteve aqui, no chão
A verdade deita-se e desfaz-se
E corrói, e constrói, e destrói-se como quer
E mil homens passarão
Mil mulheres deixarão de ser
E dela seremos a tua vontade
Seja-me a minha esposa ou marido
Mas nunca dela teremos um beijo ou um afago ou um sexo inesquecível
Seremos dela seus escravos tortos, condescendentes
Por ela mentiremos e jogaremos o pão no chão
E cagaremos por todos os lugares
E comeremos depois
E carregaremos o pesar de um ou dois.
E nunca admitiremos não ser ou ser ou não.

Deita aqui, faz-se confortável para dizer
Palavras mudam ações.
Oh verdade, sua traiçoeira!
Estarás sempre oculta em nossas maiores cegueiras!

domingo, 10 de junho de 2012

Senso Comum

Esta foto eu peguei do perfil do Facebook Brado Informativo. Infelizmente não sei o autor para lhe dar os devidos créditos e os parabéns pela imagem. Caso ele apareça por aqui, pode me informar via comentários.

Já vi uma charge muito parecida há anos, na escola. Se eu encontrar posto aqui também.

Pessoalmente não acredito que o senso comum seja totalmente ruim. A mensagem abaixo supervaloriza a importância da ideia. Mas eu prefiro pensar e escrever sobre isso num outro momento.


Frase XXXII

Não são as armas de fogo a maior arma de um homem. A maior arma de um homem é a linguagem, a única arma que tem o poder de nos convencer, em nome de algo ou alguém, a usar as armas de fogo.

sábado, 9 de junho de 2012

Sobre Inveja

Sempre achei medíocres as pessoas que ficam preocupadas com a inveja alheia, talvez por eu ter uma mente tão ocupada com coisas mais importantes que não me parece que tal coisa, inveja, possa existir para mim. É foda... hoje comecei a entender um pouco disso e realmente dói. Não é medíocre quem foge da inveja, medíocre é quem vive em função disso. 

Para estas pessoas eu só preciso dizer: procurem algo melhor para fazer da vida. Ninguém cultiva nada esperando que a horta do vizinho seja destruída. Essa de distorcer verdades porque você não tem amor próprio pra contribuir com sua própria vida, isso é muito pobre, pequeno. Vivemos num universo muito vasto. O que faz sua atitude e sua opinião parecerem tão fundamentais assim?

Se precisar de ajuda, conselhos, eu sou ótimo pra isso, faz parte do meu ser querer ajudar os outros, da melhor maneira possível, mesmo tendo a certeza de que nunca me agradecerão por isso. Sem ressentimentos. Mas não espere a destruição de pessoas boas que também cometem erros. Isso não é legal e de acordo com a crença comum, aquele Deus parece não achar isso grandioso.

Engraçado que questionam a ética de um ateu, um agnóstico ou até mesmo de um Deísta. Atribuem o mal do mundo aos incomuns, aos questionadores. Estas pessoas tementes a Deus não temem então conviver com uma consciência tão suja assim? Tirem Deus desta história. Segundo a história de sua bondade, Ele é grandioso demais pra isso.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amo meu povo brasileiro e suas raízes, mas se tem algo que eu realmente não suporto é a profunda baixa auto estima que muita gente carrega dentro de si.

Uma pessoa que diz ser boa no que faz não é arrogante, é auto confiante. Uma pessoa que não tem nenhuma noção do que é ser útil mas se considera melhor que todos, essa sim é arrogante.

Na dúvida consulte um bom dicionário.

Sobre essa tal liberdade...

Liberdade de expressão? Ah, conta outra vai! Nunca fomos livres nessa merda de país. Fomos é anestesiados. Enquanto você lida com seus probleminhas cheios de nhé nhé nhé, você é livre pra acreditar nessa falsa liberdade. Mas ouse dizer a verdade mesmo! Não verão país algum!

domingo, 27 de maio de 2012

Despedida [ao senhor Jesus]

Na imagem de um deserto impõe-se a mim aquele homem
Caminhando em trapos sob vento arenoso
Sua humildade antecipa a natureza
Sua tez amiga pede-me um abraço
Quem diria ao ser
Escravo dotado de uma imagem
Por um homem que já morreu.

Se morro no abismo ou no morro
Ou se morro no chão
Morrerei só
Não me dê consolo ou a mão
Se não me puder dar a vida.

Largo esta cruz no chão
Que na verdade nunca foi minha obrigação
Carrego o peso dos próprios ombros
E da própria imaginação.

O vivo em função do sonho
Moribundo caminhante
Zumbis zombadores dos passantes

Vivo em função do chão.

Não, não posso voar
Não podes sonhar o viver
Vive o pensar.

Esse teu pranto desnecessário
Repugnante!
Comisera-se o teu espelho
E nosso espelho não é senão a nossa imagem.

Quando morrer não pede o céu
Não temais os anais terrenos da divindade
Não temais o amoque pela tua falsa liberdade

O tempo não passa senão a mudança de todas as coisas
De nada vale pintar o instante
Que não o que está diante dos olhos
A moldava teimosa de todas as coisas.

Cheira a vida, cheira!
Sente o gosto desse vento amargo
É a vida também, aí está!
Permanece.

Com licença bom senhor
Boas foram suas intenções
Mas deixarei sua cruz aqui ao chão
Partirei em demanda própria
Quando daqui partir,
Morrer!
Mandai-me ao limbo da inconsciência das coisas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Pessoas sensíveis esteticamente são pessoas mais éticas" - Viviane Mosé


Agora pergunte-se o porquê de termos uma educação artística e musical tão empobrecida? Pergunte-se por que será que não podemos ter pessoas mais éticas ao nosso lado? A existência de pessoas mais éticas não seria automaticamente a exigência e cobrança por cada vez mais pessoas éticas, uma sociedade justa?

Sim, a arte vai curar o mundo, Karina Guedes, ou pelo menos deveria. Arte, conforme você sempre diz, não é plástico pendurado em parede, a arte deve nos sacudir e nos mostrar que as coisas não precisam permanecer como estão.

É lugar comum que a política é corrupta, mas por que? Será mesmo por causa do nosso voto ignorante? Será mesmo? Será que não é a permanência, lá, de algo que mesmo nesse intervalo de 2 em 2 anos de eleições nós estejamos sendo coniventes? Talvez aquilo que absorvemos das televisões, das rádios? Talvez a nossa fantasia (que é muito confundida com sonho) de que um dia seremos tão ricos e glamurosos como eles? Será que 5000 anos de história registrada não é o bastante para mostrar como essa fantasia é ridícula?!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Para um adulto, o maior problema em ser criança é que para eles, elas são indomáveis. A pressa que uma criança tem em ser adulto é para se livrar da opressão de ser criança. Se houvesse menos repressão na infância, teríamos mais crianças alegres, e menos adultos tristes.

A adolescência parece uma invenção onde essa pressão se torna bem articulada, confundida com a mudança do corpo. Corpo e mente são coisas tão distintas e ao mesmo tempo tão conjuntas. A mente comanda o corpo, e se a mente é criança, não há corpo que a negue.

Só sendo si mesmo para ter a certeza: sou adulto ou sou criança? A natureza é harmoniosa porque sabe se respeitar com naturalidade. Forçar o processo só reflete nossa dependência da produtividade material.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

As pessoas clamam enojadas que o Brasil tem 512 anos de história vergonhosa... bem, enquanto continuarmos ignorando a participação popular que aliás, é a verdadeira modificadora da história (embora não sejam os editores dos livros), não vejo perspectiva para um país de verdade, cuja população alienada corre desesperada no encalço de um modelo econômico de países falidos, consumistas, cruéis e criminosos. A começar, o Brasil não foi descoberto, pelo contrário, a terra indígena é que foi invadida e mutilada, e até hoje nós fingimos que eles não existem. Mais, ei, eles resistem!

domingo, 15 de abril de 2012

Frase XXXI

O educador joga sementes. Mesmo que seus braços um dia não tenham a força para colher os frutos, eles estarão ali, e sempre se lembrarão de quem os plantou.

As Horas Plenas

É necessária muita força,
ter consciência de si
E ainda ter motivos para sorrir.

É preciso muita constância
Determinação e relutância sadia
Para não se desesperar
com nossa própria miséria
E ainda viver bem o mesmo dia.

Em uma saudação de consternados
Com as aberrações que a palavra dita
Dissolve o coração amargurado
Aquilo que tudo de bom se colhe.

O silêncio da alma
O tumor dos desonrados.

- Honrai as suas loucuras senhores!
Pois já é inimigo da liberdade
A nossa teimosia aguda.
Assim diz o cavaleiro da nossa vontade
Brindando com água em copo descartável

Mais simples é a luz que bate no chão.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

XXX

O julgamento leviano nos priva de conhecermos pessoas extraordinárias. A padronização social proposta pela escola tradicional nos cega o entendimento de que cada pessoa é um ser humano profundo repleto de história e uma cultura próprias, e não um conceito.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

O fim de um Narciso


Rodamos morro abaixo como se não houvesse ladeira
Sem paredes de vidro
Sem o vento oposto
Sem casas irregulares
Sem haver o que há de haver.

Assim de súbito arrebata o oceano
Tudo é tão fundo e disforme
Uma ordem de algas misteriosas
Sombrios sons vindos do além mar
Um outro mundo meu Deus

A baleia se choca com a superfície
Água que é calma teme o álamo
Opalas, vidros amarelos, flores acinzentadas
Por que não há de ser assim?

Sabe-se que o pasto seca no período do
"Seja como for"

Seja como for, não saberá de amanhã
Não mais certo que só será um dia claro
Cheio de pouca luz
Repleto da ausência distante do canto de um passarinho
Sem nuvem branca para cobrir nossa nublagem
Certamente vingativas ideias do inconsciente
Aquele fator inconveniente da vida.

E se antes disso fosse tudo diferente ou apraz?
E se antes de aprender a falar eu cheirasse melhor essa terra?
Como se fosse algo diferente para trazer pra casa?
Quando aprende-se a andar?
Até dar nomes às coisas e fazê-las morrer?

Saudades daquela ladeira repleta de um oceano.

O nosso ponto de reclusão
Não um quarto ou ambiente isolado
Mas o eu mesmo
Sóbrio ou embriagado
Destituído de realidade
Um parco festim de frialdade
Mas lá,
Lá é onde habita o segredo
A calma, a pura, a tranquilidade
Deem-lha o nome que bem querer
Para esta forma que resgatamos
Que diante do olhar rasteja
E onde desejamos ficar

Respira fundo, pare um pouco
Olhe para o lado que outra estrada habita
O escravo devedor jamais deve temer a liberdade
Desta vida colho desta vida levo
Nesta vida devolvo
Mas aqui só viveremos enquanto outro
Morre uma memória, não só, mas uma multidão

Não explico a cor da água
Explico nossa aceitação
Conformo-me
Água azul eu chamo de zular
Deus zuleou o céu
Mas do lá de fora onde nunca fomos, ele é negro e misterioso
Nossa inteligência nosso maior dos pecados
Que não nos permite despedida.:
O último suspiro
O último egoísmo, de fazer tudo sozinho.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

La Critique par rapport à la Plainte

Je vais ecrit au sujet de la différence entre la critique et de la plainte. La plainte frivole vient à une conclusion personnel, individuel, dont les impacts sur les société sont minimes, que faire une différence seulement pour le plaignante et leur correlée.

La critique, au contraire, c'est l'exercise de la raison à des fins de manifestation de la verité, de réfuter les sophismes, pointant dogmes dont les impacts aurait une incidence sur une partie important de la communauté humaine.

Bientôt, je vais de donner plus de détails sur le sujet que ici j'ai présenté.

domingo, 25 de março de 2012

Sementes

Por mais que existam idiotas blasés que falam de seu vegetarianismo como parte do status de sua falsa intelectualidade, baseada em livros de bolso da praça da Sé, ser vegetariano não é apenas uma questão de saúde, mas trata-se de um exercício de reflexão que nos faz conhecer uma diferente função do corpo vivo na terra, seja humano ou não, que está muito ligada à espiritualidade e ao respeito consigo mesmo, possibilitando a partir daí nos levar a questionamentos que envolvem até mesmo o nosso falido sistema econômico mundial.

sábado, 24 de março de 2012

Penso logo... só isso mesmo.

Pensar é uma necessidade de sobrevivência. Há quem diga que é um incômodo. Sobreviver é um incômodo. Que alguém viva minha vida por mim se for assim.

sexta-feira, 23 de março de 2012

All is Vanity

(desenho de Charles Allan Gilbert 1873-1929 - All Is Vanity)


Viver parece uma brincadeira de mau gosto
Quando não se sabe se o dia termina em sol ou futebol
Ou se a notícia vem às duas ou às dez
Ou se o leite faz doce ou coalha.

Por trás de toda segura muralha
Uma criança desesperada grita por socorro

Pesca o olhar que se desvia de tudo
As pernas que vão embora sem dizer adeus
As surdez voluntárias às mágoas do coração
Presta o seu atento ao silêncio social
Entre aquela coisa incômoda que à noite chega
E arranha o coração até lhe fazer mal
Quando uma lágrima cai
Silenciosa, solitária, murmurando sua rota

Os olhos parecem muralhas cujas fortalezas jamais são derrubadas
Não há palavras, gestos, toques, sorrisos, beijos ou perfumes
Não há nada de certo volume
Mas, ah, a lágrima
O poder maior e invencível está na simplicidade das coisas

Percebe-se sofrendo que viver não é vitória
Vale menos que um sorriso
Antes que os olhos se fechem
Numa eternidade de fadas encantadas.

Por trás de toda boneca perfumada existe um crânio
Igual a de toda decrépita existência.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Romaria dos Vencidos

Por que tamanha estrada
Por que ir adiante por esta difícil trilha?
Dizem que lá no fim há um céu, de uma luz brilhante
Então segue em frente

Sabemos de tudo o que se passa
Mas no mesmo instante não sabemos nada
As estrelas mudam de lugar e somos só nós
Pequenos rastejantes redescobrindo os mesmos sonhos
Alimentando-nos do mesmo peixe
E bebendo das mesmas águas

Não sou o primeiro de nada
Não fui o primeiro dos poetas
Nem dos loucos amantes
Desde os que só pensavam em mim
Aos que se dedicam ao semelhante
Que se detinham para não ir embora
E não sei se sigo minha estrada
Ou se deixo para trás para seguir ao lado
Nunca lembro da certeza
Ou da difícil solução de estar errado.
Por que tamanha romaria?
Ouça os murmúrios do dia:
Os ais e ohs, e os suspiros orgulhosos
Existe uma dor explícita atada aos calcanhares
Mas o olhar é firme e implacável adiante
Este é mais importante.

Em um certo momento surge algo
E fala-nos ao pé do ouvido
E diz que tudo o que até agora foi sabido
Estava completamente errado.
Permanecei aí por um instante
Parado.
E agora? Pra que lado?
Só existe um caminho, avante.
O que torna apraz é o que muda
Lá na frente, no horizonte
Então leva perna ante perna
E não se queixa da curva
E assim vamos.

A marcha de antes é segura e impertinente
Hoje passo ante passo
Sem saber o que após virá
Não há um palmo além do futuro
Que não pode deixar de ser um abismo
Ou um irritante muro
Pra onde vai após este furo?

Segue , não se doa, não se deixe largar
Olhar para trás, jamais
Mas veja, nada mais há que olhar
O passado apaga cada passo além
A memória é que se faz lactante
Do que é certo ou errado
Ou das mentiras que convencem a nós mesmos.

O fim desta poesia bela não há
A despedida se faz aquém
Aqui não será
O que aqui paro como ponto final
Como sinal de interrupção
Nunca será o fim desta aflição
Dos por ques ou para ques
Desta tamanha trilha sinuosa
Cheia de pedras, ou cheia de glosas
Cheia de motes incompreensíveis
Repleta de saberes e desabares
De tudo o que é impossível...

Olha um momento... um brilho no céu
Uma sombra no chão
Uma brisa no rosto
E o resto em nossas mãos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Quantos homens malditos não se esforçam nem metade de suas vidas por suas mulheres? Os demais eu sei lá se são homens, mas mulheres que estão entregues a seres assim não tem nem o valor de serem chamadas de mulheres. Escravidão voluntária é inaceitável para mim.

Existem homens extremamente insensíveis e extremamente rudes, mas o que eu mais vejo por aí, como homem, são mulheres extremamente cegas.

domingo, 18 de março de 2012

O Problema das Ilusões humanas

Nada do que não é fruto da nossa escolha existe de verdade além daquilo que existe na nossa cabeça. Aquilo que você crê em demasia e busca como crença pessoal é crença pessoal  e nunca abandonará o campo da sua individualidade, que foi moldada ao longo do seu ser até este momento, e nunca deixará de ser, mesmo que outros acreditem junto com você. Sua liberdade, sua religião, seu complexo de superioridade ou inferioridade, sua crença no bem ou no mal, seu credo em achar que o mundo vai ruir ou melhorar, sua gratidão ou ingratidão em relação às coisas, sua justiça ou injustiça pessoais, seu pessimismo ou otimismo; nada disso vem de um mundo que conspira em favor ou contra a confirmação disso; é a nossa mente quem monta os quebra cabeças a fim de fazer valer as nossas ilusões. O problema é que fora delas um milhão de homens e mulheres estão sofrendo sem que a gente entenda de verdade.

sábado, 10 de março de 2012

Domingo de Ramos

Vou embora
Sempre
Vou embora
Dói, passeia com angústia
Sofre vai
embora
com resigno comedido
Não traz o espelho
Não traz o reflexo
Vou embora
Sôfrego, acaba
Termina
Deixa pra trás
Subtraz
Comedido, retido, contido
Não tem mais
Vou me embora
Levarei de lembrança imagens
Repetições frias, inexistentes
Vou embora imagens
Não minhas, nunca serão
Vou-me embora doído
Cansado, deixado pra traz
Largarei a juventude
Largarei o descanso e o cansaço
Largarei a solidão e imensidão tardia
O não passo, a não estadia voluntária dissoluta
Levarei imagens da escuridão
Feliz
Quadro a quem não se diz
Jamais
Partirei
Egoísmo para lá
Sobras de eufemismos para cá
Tudo doença sombria
A escuridão me satisfaz
Metade de mim escondida
Numa saudade inconveniente
Daquilo que não se faz
Deixa vai, deixa pra trás
Esconde debaixo do que
Que visito no sono íntimo
Profundo
Onde reina temporária escuridão
Caem preguiçosos, como a manta cascateada
Brilha sob a luz, águas escuras ondulantes
Abraçando-me plenamente
Guarda tudo com zelo
Debaixo de cada cama ou coma, caixa ou túmulo
Debaixo de cada sílaba
Parecendo sempre fazer
Onde tudo o que está escrito
Está escrito
E que se não puder
Não se poderá não ser lido
Vou embora vai
Brincando com a lógica de frente pra trás
Negando o não da negação
Pausando em cada verso um outro não
Do que não posso negar não negando
Vou embora
Carregando o cesto de sílabas
Porteá-la-á substancialmente
As estrelas sabem quando olho
Não quanto olho
Carregando o peso do dia
Escuridão faz sombras
Luz faz sombras
Mas há quem pede...

Vou embora...
Vou embora vou
dormir vou
sonhar
com a escuridão.

terça-feira, 6 de março de 2012

Declaração Subsidiária

Mulher deitada assim
Com os mamilos empinados para o alto de tudo
A boca brilhante e suculenta

Numa declaração mais sóbria do que tudo

- Mulher, sou louco pelos seus cotovelos.

Sinto sentir

Ah fogo que brilha por tantas coisas!
Clamo ao próximo dia como um próximo dia

Se houvesse uma embarcação para degustarmos a vida
Chamaria Menino

Saudade é uma imposição muito séria
Estou com saudades do sorvete que tomei esta tarde
E sinto falta da brisa que me bateu no rosto
Porque sempre importar com imposição
Sinto tristeza pela água que bebi uma vez transformada em amônia
Alegra-me a nuvem que passou lá no céu
Com cara de bebê e aspecto de algodão

Sinto cansaço pelas calçadas que pisamos
Pobres diárias o intactas o dia inteiro
Sinto pena dos pobres lençóis que só balançam
Mas se bem observo
Sinto inveja dos lençóis dançando ao som da música brisaica.

Andante assim, lentamente esvoaçada
Mexendo assim parece um samba
Fresca e com cores diversas
Ah varal, a epifania do conforto.

Na próxima vida quando houver pretendo ser um varal

Zôom Lógon Echón

Uma traição aos meus próprios saberes
E a minha própria concepção de ir além
Joga-me de volta quando estamos
Refletidamente invisíveis no meio do caos

O universo me agradece
Mas dentre tantas coisas consideradas importantes
Eu fui surgir também
Cabe a ele sua decisão

De dentro pra fora
O fantástico miserável cérebro
De dentro pra fora
As cores e formas impositivas nos limitam
No de limite e dizem não:
Árvores, somente verdes
Águas, somente cristalinas
Tudo em três dados de dimensão
Cumprimento Largura Profundidade
Tudo em outro lado de dimensão
Cumprimento Largura e Razão
Profundidade obscurecida
Na profundidade ilusão

Conectar ao que
Largue lá o sentido purista das preposições
Sem saber como texto reto
Que sarcasmo e ironia é um defeito da visão

Era incrível aquele tempo em que falávamos
Tudo o que pouco pensávamos
Hoje penso mais coisas sobre meu prato de sopa
Do que sobre a sobra dos meus pensamentos

antrhopos míchaní
gynaíka míchaní
apò mechanés théos

Que saudades de ser animal que imaginava tudo.

domingo, 4 de março de 2012

A sua Rosa

Que seja banal a sua moda
E que seus ciclos jamais estejam sincronizados
Apedrejem-nas por não serem tão homens quanto nós
Racionalmente propositais em fazer-se analíticas
(Na esperança de lhas deem à escola ou à rua o seu nome)

Que tenhamos medo de admitir que diante da força dos pulsos
  [desfalece o braço
E que sempre detiveram sobre nós o poder
  [que detemos sobre os outros
Que na mais turbulenta ocasião iluminam
  [e enudecem todas as nossas ilusões
Podemos nos enganar sobre isto também

Mas que nunca permaneça obstáculo
Entre uma mulher e o seu direito de receber uma rosa
Natureza não se converte, maquia-se;

Porém se esta data...

Acontecerá de tudo ficar decrépito
Morto, sem graça
Levantar da cama pra quê?
Já nos roubaram a infância tão cedo...
Tudo que conheceremos envelhecerá,
Antes da hora.

Mas dê aquela frágil criatura implacável a sua rosa...

O Dever (?)

Não direi uma palavra
Nem uma só palavra sobre palavra
Enquanto olho não significa
Porque a poesia não deve dever
O artista não deve dever
O homem não deveria dever o dever

Assim prossegue o homem sem traves nos olhos
Vê-se o mar
Vê-lhe há mar
Vê-se a arte
Vê-lhe o apartar-te
Do quanto se faz parte
E enquanto a mar e arte
Para tantos o que há Marte.

Cabeças assim não se prescrevem
Porque elas teimam em ser menores

(Observando é claro que se menor for lido menor 
  [o olhar está cheio de traves e os pés de correntes 
  [e a cabeça está cheia de vento 
  [onde mora um pequeno duende que ri de tudo o que fazemos)

Para toda sombra existe uma luz
Para toda terra existe uma semente
E para toda arte existe uma parte que diz:

Arte para
Libertar-te?
Ou arte para
Militar-te?
Arte para obrigar-te a dever a sua parte?
O duende em minha cabeça me diz:
Libertas quae facere arte!

Frase XXVII

Não adianta politizar a uma nação de mal educados enquanto não educarmos uma nação de despolitizados.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Jesus não foi à Tenochtitlan!

Existe uma tendência recente que prega a ideia de se desprender da ilusão mundana e conectar-se à realidade, que acaba sendo ofuscada pelo excesso de informação, de marketing, o excesso de comercialização de produtos de necessidade duvidosa, ou também pela nossa visão de uma educação humana voltada unicamente para a produção, trabalho e consumo. Desvencilhar-se das ilusões (o que custou a Nietzsche a sua saúde e solidão) de certa forma traz um conforto e consola o espírito inquieto dos que não concordam com o meio social.

Esta manhã estive caminhando no mercado e me assustei com o fato de já termos estandes dispondo as inúmeras variedades de ovos de chocolate para os feriados da Páscoa que virão em Abril. Se Jesus não conheceu os Mexicatls, ou Astecas, inventores do chocolate, então por isso, pra que diabos Ovos de Páscoa de Chocolate?. Nem gostaria de falar sobre a questão dos preços, mas é impossível não se deixar provocar e sentir repulsa do descaramento do comércio em cobrar R$20,99 por 170 gr. em um chocolate estilizado. E o mais triste é perceber como isso faz parte de um trabalho completo de imposição e manipulação, onde unem-se a referência diária baseada numa TV alienada, uma educação deteriorada e atrasada e o senso comum do benefício material, sem contar ainda com um rito religioso que não tem relação alguma com o Ovo de Páscoa de chocolate. É triste e desolador ver as pessoas apontando, escolhendo, fazendo cálculos...

Sempre digo aos meus alunos que o bem mais precioso que um ser humano tem é o seu cérebro. Somos bombardeados o tempo todo por informações, até mesmo no momento do sono. Sendo o cérebro o nosso bem mais precioso, por que permitir a entrada de tudo isso gratuitamente, sem um preço a se pagar? Por que permitir que tudo tenha acesso aos alojamentos sagrados da nossa mente e que ali residam, ocupando o espaço que nos permitiria sermos humanos melhores? Por que já comprar Ovos de Páscoa, ou, grosseiramente, 170 gr. de chocolate estilizado e ornamentado apenas para fazer parte daquilo que nos é imposto? Duvido muito se o verdadeiro significado e origem da Páscoa está sendo verdadeiramente vivido desta forma.

Agora forçando a ideia além, lembro-me sempre de quando Paulo Freire diz que a educação é um ato político. Lembro-me também de como a nossa educação e o nosso conceito de sociedade está desfocado e perdido, está completamente em crise. Lembro-me de como somos levados a discutir e brigar pelas coisas erradas, enquanto há pessoas arrecadando fortunas às custas da nossa falta de formação. Lembro-me de que tudo o que nos é imposto passa, livremente, sem debate ou resistência, de certa forma até mesmo nos tornando diferente daquilo que somos originalmente.

Sem saber como administrar aquilo que entra tão facilmente e grosseiramente em nossas casas, descontextualizadamente, sob o argumento da felicidade plena e realização dos prazeres, como então administrar e filtra o que é necessário para nossa vivência?

Apenas uma pequena parcela da humanidade inteligente faz uma relação direta dos eventos do mundo com a sua vida diária, e entende que a partir de uma mudança ligeira de comportamento existe uma mudança significativa nas chances de sobrevivência.

O consumo sempre existiu, e tentam derrubar o anti-consumo com este argumento. Mas um detalhe a que poucos se atentam é que não se trata apenas de consumo, mas de consumismo. Qual a diferença? O "ismo" oras, o sufixo que, de acordo com a gramática portuguesa, designa as práticas verbais relacionadas à doenças. Exatamente, o consumismo tornou-se uma doença mental dos tempos atuais, porque as coisas são compradas simplesmente por serem compradas, e não porque são necessárias serem compradas. As manobras criadas para que isso aconteça já não é mais novidade para ninguém: propagandas comerciais agressivas, apelos para a imagem, status social, aceitação, etc.

A crise de 2008 causada por um inchaço da economia global durar quatro anos já é um sinal de que é preciso de maneira urgente repensar os hábitos. Somos nós quem devemos moldar os produtos às nossas necessidades e não o contrário. Não é vergonha alguma admitir que não precisa de uma coisa justamente por não precisar de uma coisa. Não é vergonha nenhuma pensar com a própria cabeça. É uma questão de inteligência, e não de forçar um destaque social por ser diferente.

A história já nos mostrou que o forte sobrevive e vence a curto prazo, mas o inteligente sempre vai superá-lo, porque ideias não tem prazo de validade e são a prova de balas e socos.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Bem e Mal

O bem e o mal existem. Se são entidades ou não, isso é individual. Se há no conceito de preservação da vida algo que não condiz com o universo é a desordem. O universo é o oposto do caos, ele tende à organização, ao equilíbrio, e assim é tudo o que lhe compõe. Nenhuma vida resiste ao desequilíbrio e pertubação, e do ponto de vista da vida, esse é o mal, o que pode destruí-la. O moralismo e a ética sobre esta ideia, talvez isso venha ser motivo de debates, uma vez que o desequilíbrio humano parte do nosso julgamento de valores sobre o mundo à nossa volta.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Não ignore, transforme!

No mundo humano sempre existiram pessoas curiosas e com um impulso a compartilhar as suas curiosidades com os demais. Egocentrismo, preocupação com o futuro, auto-afirmação, amor ao próximo, chame do que quiser, mas estas pessoas existem.

Antigamente (e eu falo de antigamente mesmo) imagino que se um homem não se dava com outro haveria duas opções: fugir dele para outro lugar ou matá-lo. Hoje em dia o planeta anda cheio, repleto de seres humanos, repleto de direitos humanos e repleto de regras morais e éticas chocando-se por aí tanto quanto há de estrelas explodindo no universo. O maior desafio da atualidade é coexistir e conviver.

Discordar tornou-se algo tão leviano e trivial que perdemos a chance de aprender a melhor das capacidades humanas na aquisição do conhecimento de vida: absorver, extrair, abstrair, transformar e eliminar, para começar tudo de novo.

Alguns param simplesmente no extrair da coisa, e se impacientam, esperam que a eliminação venha de fora, não de dentro. Eliminar é um dos processos mais difíceis no que diz respeito à informação que o nosso corpo e mente absorvem, e no aspecto da nossa convivência social, ela é pouco trabalhada. As pessoas se esqueceram de como respeitar ao outro. Os curiosos sempre vão compartilhar suas curiosidades, e sendo elas idiotas ou não, a validade destas informações não são nada mais que o julgamento de valores daquilo que esperamos por ideal. Não é verdade que não somos obrigados a conviver com certas idéias. Nós somos sim! Estamos aqui, vivos, vendo coisas. E agora, como coexistir?

O efeito de toda forma de violência ocorre quando não entendemos os passos da extração, abstração e transformação da informação a nosso favor (e de toda a sociedade!). Espera-se que aquilo não aconteça, que não exista ou não se manifeste. Pairamos na angústia da indignação sem descobrir uma solução simples para conviver com o problema. Esperamos que a solução venha de qualquer parte, menos de dentro, baseados numa concepção ilusória da felicidade plena. Perdemos a habilidade de perceber os limites, os lugares que não podemos ir e não iremos, por mais que essa angústia não nos abandone. O planeta não nos pertence, somos meros habitantes, e é uma pena quem tenta nos fazer acreditar no contrário. Não há mais lugares no mundo para nos escondermos da informação, porque hora ou outra ela simplesmente nos abraça sem ao menos darmos permissão.

O entendimento na absorção da informação nos transformaria em pessoas mais seguras, eficientes em transmitir os valores que esperamos de outras pessoas, ou de uma sociedade próxima àquela que idealizamos. Esperar que a informação não exista é desrespeitar a razão de existência de outro ser humano, suas crenças e seus valores aprendidos desde a infância. Julgar a informação é agir com arrogância, tomando como ponto de referência apenas a si próprio.

Eu não sou o primeiro a pensar sobre isso, estas idéias não são novidade alguma. O mais terrível para  a mente é imaginar que há séculos lidamos com esta questão que parece nunca ser resolvida. Eis aí algo mais a ser digerido pelo meu cérebro.

"O que seria do mundo se não fosse as pessoas que tentaram mudá-lo?" - Karina Guedes

Frase XXVI

Nostalgia é uma doença mental que nos torna escravos da memória.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Elevador

Num edifício de 70 andares
O vinho traz a embriaguez mais plena
O entre as pernas da moça tem mais sabor
O ar é mais puro
A água tem gosto
E o feijão não queima na panela
Quando o elevador atinge
O 71

A Soja

Na plantação de soja cosmopolitana
O agricultor das doze e cinquenta
Plantou duzentas mudas

Mas quando na colheita
Não nasceram quando deviam brotar
O mundo se acabou
E o agricultor foi mais feliz.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma fato solitário é mentira ou divagação.
Um fato entre duas pessoas é complô.
Um fato entre três pessoas é motim.
Um fato entre mais de quatro pessoas já se torna uma verdade inquestionável.

Deus acuda a sociedade.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012