sábado, 3 de dezembro de 2011

Cálice




Esta canção tem suas raízes históricas na repressão da ditadura em relação à liberdade de expressão, como muitos sabem, a proibição de poder manifestar o seu pensamento livremente. Penso que quando observo a sociedade atual, percebo que muitas coisas não mudaram, apenas foram mal disfarçadas. Fazem nosso povo acreditar em uma falsa autonomia de pensamento, e provavelmente a maioria não se sente reprimida porque sabe que pode dizer o que pensa, e por tal razão, muitos acreditam que a liberdade de expressão realmente acontece.

Isso seria válido afirmar se o que a maioria da sociedade pensa e expressa fosse digno de atenção. É claro que o que se vê é unicamente a manifestação da futilidade, de observações pequenas a respeito de um cotidiano limitado e que só faz sentido para quem se manifesta. Além do que, parece completamente proibido alguém se levantar e tentar trazer clareza a algum assunto polêmico, os mesmos assuntos que são tratados com tão pouco caso e respeito nos meios de comunicação de massa. E logo expressar realmente aquilo que se pensa acaba por ser reprimido por uma avalanche de reprovações voluntárias por parte daqueles que insistem em defender quem só prejudica a nossa vida.

Fala-se tanto em progresso e evolução da sociedade, mas a unica coisa que eu vi evoluir ao longo destes anos foi o número de tralhas que temos trazido para dentro de nossas casas, inspiradas por um consumo estúpido e desnecessário. Quando é que vamos falar do progresso e evolução em relação à coexistência da sociedade, e em relação de quem verdadeiramente está fudendo com a nossa vida? O governo? Não está fácil demais? Não está óbvio demais?

O brasileiro é preguiçoso sim, eu concordo, mas a classe média tende a dizer que a preguiça vem do pobre, que não trabalha, por isso é pobre. Entretanto a preguiça real poderia vir da maioria que não gosta e nem quer pensar. A preguiça poderia vir de verdade daqueles que só apontam os problemas, mas não se importam com as soluções, uma vez que falar em soluções é falar na mudança de comportamento e atitudes; quem se predispõe a mudar pelo bem da maioria? Quem se predispõe a abrir mão pelo bem da maioria? Quem se predispõe a apoiar o popular pelo bem da maioria, e largar de vez essa desculpa capitalista de que tudo se faz apenas por dinheiro? E essa preguiça me dá realmente muita preguiça de continuar acreditando em alguma melhora desse país de preguiçosos.

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