terça-feira, 19 de julho de 2011

O Lago Interior

Minha quietude
Orvalhada num vale de assombrações
Por onde até
O mais imponente dos seres
O alvo homem sentado ao chão
Franzindo o semblante destilador dos destinos
Enquanto deixa que as folhas caiam sobre si
Não impressionam tão ou mais
Que a mais exposta arquitetura.

Meu mistério
Mais fundo, oculto.
Um caminho só.
Na trilha tortuosa do
Além do Bem e do Mal
Descobre-se um ser de mim
Colhendo pedras pelo chão
Enquanto possuo o dom de saber
Que não se transformam em pão.

Numa feira livre tudo se vende
O homem das alfaces
Ao homem da Pera
Numa feira livre.
O mistério, mais fundo, oculto
Está comigo
Meu reflexo no lago interior
Distorcido, mal visto, mal mal inacabado,
Está vendido.

Um torpor imaculado
Uma nesga de boa aceitação...
Quando mais, o que de verdade está
Nos olhos das gentes da feira livre
É o que está nos meus olhos.

Enquanto me importa se sou mais ou menos
Alfaces e peras são vendidas.
Enquanto colho pedras para mim
Alfaces e peras são colhidas.
Enquanto nego a cortesia
O velho sábio serve-se das frutas.

Enquanto morro vivendo
Vivem, mesmo morrendo.

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