quarta-feira, 20 de julho de 2011

Epitáfio

Carlos de Ossanha era Cristão
Mas Ossanha não era nome de Cristão.
Antes de Carlos morrer
Veio o Padre da Sacristia de São José
Fez-lhe uma oração na presença do nosso Senhor
E Carlos morreu sob a extrema unção.
Mas Ossanha não era nome de Cristão.

Quando lia em seu epitáfio
"Carlos de Ossanha, ardoroso Cristão..."
O seu Ossanha chamava atenção
Então Carlos foi condenado após a morte
A arder no inferno da especulação.

Tudo o que era carne:
O cérebro de idéias apassarinhadas
Os braços que carregavam o que queria
As pernas que lhe levavam segundo seu desejo
E o seu coração sincero consigo mesmo
Já entravam em decomposição.
Por isso Carlos de Ossanha
Servo de Jesus Cristinho Cristão
Virou mártir do que o povo achou que fosse
E caiu no esquecimento da condenação.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Lago Interior

Minha quietude
Orvalhada num vale de assombrações
Por onde até
O mais imponente dos seres
O alvo homem sentado ao chão
Franzindo o semblante destilador dos destinos
Enquanto deixa que as folhas caiam sobre si
Não impressionam tão ou mais
Que a mais exposta arquitetura.

Meu mistério
Mais fundo, oculto.
Um caminho só.
Na trilha tortuosa do
Além do Bem e do Mal
Descobre-se um ser de mim
Colhendo pedras pelo chão
Enquanto possuo o dom de saber
Que não se transformam em pão.

Numa feira livre tudo se vende
O homem das alfaces
Ao homem da Pera
Numa feira livre.
O mistério, mais fundo, oculto
Está comigo
Meu reflexo no lago interior
Distorcido, mal visto, mal mal inacabado,
Está vendido.

Um torpor imaculado
Uma nesga de boa aceitação...
Quando mais, o que de verdade está
Nos olhos das gentes da feira livre
É o que está nos meus olhos.

Enquanto me importa se sou mais ou menos
Alfaces e peras são vendidas.
Enquanto colho pedras para mim
Alfaces e peras são colhidas.
Enquanto nego a cortesia
O velho sábio serve-se das frutas.

Enquanto morro vivendo
Vivem, mesmo morrendo.

sábado, 16 de julho de 2011

Pretensões Futuras

Estou cansado de tentar desvendar o universo, os problemas sociais ou a psiqué. A partir de agora quero apenas desvendar os mistérios da imaginação.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Poema Perfeito

Assim seria a fórmula de um poema perfeito:

Sem meias palavras
Sem frases inteiras
Reduto de uma simples conclusão
Envolto apenas de si mesmo
E exclusivo para uma única emoção:

Karina meu amor nunca fui mais feliz na vida do que tenho sido desde quando te vi pela segunda vez.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Flor posta sem saudade
Plena de todos os valores
Solta por aí por entre outras flores.
Repleta de todas vaidades.