sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não tanto pela eternidade
Nem pela glória
Nem por mim mesmo
Por que então?

Matéria palavra
Sentimento quase consentido
Que fica preso
Que fica solto
Fez-se eterno enquanto pode
Nos olhos cansados de tanto trabalho
(Quanto trabalho, oh deuses dos confins das religiões que ninguém fala ou ora mais!)
Mas que ainda brilham.

E por trás de cada olhar sutil
Uma vida vive antes
Ante a uma ilusão tardia.
Não por si própria
Nem pela crença
Nem pela criança
Por quem então?

Aquele brilho azul noturno
De cair de uma noite lenta
Atrasada
Silenciosa
Sedenta por o que seria mesmo?
Aquele olhar de tédio
Como um pasto quente, e só verde
Cheio de vacas e bois preguiçosos
Que me enchem de preguiça.

Se não é pela palavra
Se não é por nada
Por qual destas seria?
Pelo quem a vida ainda respira?
Do por que que tanto teimamos?
De quanto mais viemos e vamos
Cai suor, sujeira, choro e sangue
Por que ainda tentamos?

Quanto mais anos passam
E mais passos erramos
E como cegos caminhamos
Cavando buracos aleatórios
Nos imensos mistérios do não saber
A noite é dia
Adia o açoite
A plena sorte
O dia é noite
Odeia a noite
Dorme à noite
Dorme há dias.
Por quem então?

Um pássaro sobe
Voa e contempla sem saber
O céu que sempre esteve ali.
Numa parcela de água no chão
Ele mata a sua sede
E só.

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