sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Nação

Houve um dia que eu me cansei um pouco da burocracia que envolve o curso de licenciatura. Esse dia foi, de certa forma histórico, só que meus pés não são o limite do mundo, então tanto faz. Acontece que a burocracia do ensino superior para aqueles que buscam a licenciatura é, tão desnecessária, e tão medíocre, que acaba cansando as energias únicas que sobram ao estudante que paga pela sua faculdade, e que deveria se preocupar apenas com o conteúdo do curso.

Quem cursa alguma área de licenciatura sabe do que se trata, a extensa lista de disciplinas que despreparam o ânimo do professor para enfrentar um monstro ainda maior e mais feio: a secretaria da educação e o Ministério da Educação. Parece final de Super Sentai!

Professores e políticos, em geral, parecem farinha do mesmo saco. Submissos uns aos outros, dependendo de quem tem o interesse mais poderoso do que quem, todos sob a ordem de uma mão mais forte, que é a do Corporativismo. Quero dizer, nos despreparam para desconfiar do serviço público, no caso, o da educação, e darmos créditos ao privado, que funciona apenas para quem detém algum poder capital, pois para os demais, pagar por um serviço privado é pagar pela própria corrente que vai jogar o seu nome na lama e vai te sufocar por alguns anos de vida.

O que funciona sob a ordem do sistema, a meu ver extremamente injusto, apenas serve para alimentar o sistema. Meu pensamento já foi medido como pequeno, imaturo, de rebelde sem causa, e por um tempo eu o mantive calado. Mas pensando bem, a praga capitalista (obrigado GOG) dá aos pobres (de mente e de dinheiro) o sonho de ser um alguém que não quer partilhar o seu pedaço asqueroso de poder. O seu pedaço com sangue e suor alheios, repulsivo e descarado, vulgar e imoral.

Pensando sobre o mundo como ele é hoje, tudo o que o capitalismo está nos ofecerendo de novidades trabalha para fomentar a imbecilização do homem. E parece que esta praga está cada vez mais eficiente, pois o consumo impensado e irremediável tem crescido a cada brinquedo inútil que a indústria nos lança aos olhos.

Um momento apenas precisamos fechar os olhos e prestar atenção ao nosso ser, que está por baixo de toda essa caca meteórica de novidades que nos impede de pensar.
A licenciatura não nos prepara para refletir estas questões tão urgentes sobre o mundo. É mais uma indústria, quem sabe para nos tirar a esperança de transmitir os nossos conhecimentos aquém. Vamos sobrevivendo como animais enquanto outros parasitam o escremento que vai se acumulando nas esquinas deste mundo sujo e mal projetado. Mesmo assim, o universo é tão maior, e o nosso mundo é apenas a nossa história. Se ele acabar, ele não acabará.


A Nação

Se algum dia obtivesse o poder da criação
Criaria uma nação de seres incompletos.

Trezentos homens destros e manetas.
Quatrocentas mulheres correndo pela esteira.

Um milhão de freiras com rosários de cabeceira.
Duzentos cientistas para dois tratados científicos
(Um de princípio paternalista e outro de cunho dinheirista)

Vinte senadores, cinqüenta deputados, dois juízes de direito
[e meios promotores.
Duas corjas de ladrões e uma de caluniadores.

Sete executivos com coroas de espinhos
(Contanto que à mesa, um saboroso vinho)
E em seus aposentos sobre as cômodas
Bibelôs de presidentes e professores
Todos comprados por seus credores
Ornado pelos papas com água benta e cores.

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