segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Carrossel

Enquanto o mundo inteiro não pára por um segundo, enquanto as coisas acontecem porque as pessoas vivem, e não porque algo já esteve escrito, vamos por aí de mãos separadas lutando por uma causa só, mas com a minha percepção do que é correto, ignorando o todo, e juntando diante de mim apenas aquilo que me for conveniente. Pois até mesmo a luta revolucionária, esta que parece já ter manual de instruções de uma causa, junta cabeças que pensam por uma coisa única e jamais por si próprias. Enquanto isso, o altruísmo distante nos faz esquecer da nossa miséria constante. Por mais do quanto tivermos, seremos sempre miseráveis, conformados com nós mesmos e inconformados com os mesmos de nós.

O Carrossel

Um não pela pessoa
Acima de um reflexo perfeito
Roda no carrossel perfeito
E vaza solidões no centro de si mesmo
De um céu estrelado e perfeito.

O velho que desce para o mar
Encontra um céu azul
Cheio de estrelas
Longe daqui
Cheio de estrelas.
Mas no mar das solidões sombrias
Existem estrelas em todo céu
Todos os dias.
E existem velhos cheios de esteiras
Longe daqui.

Um pedaço de impessoa
Um não pela que perdoa
E como se não houvesse mais eu mesmo
Infelicito a decrépita condição
De ser feliz pela pessoa.

Rumino esperanças de longe daqui
Numa estaca de zero ao luar dos esquecidos
Resplandecendo pratas luminares
Nas minhas próprias idéias esquecidas.
Longe daqui.

Num carrossel colorido
Centrípetas forças oriundas
Rodam o sentimento para uma coisa só
Enquanto todas as coras viram o branco
Do mais branco que me acomoda
Até pegar no sono e virar pó.

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