domingo, 7 de novembro de 2010

A Valsa

Eu só não entendo quando acontece de duas pessoas que se amam tanto não conseguirem se entender de verdade. Eu danço para não racionalizar o sentimento que tanto sinto, e ofereço uma dança a quem sinta que não possa entender as confusões tão óbvias dos nossos corações. Valsa, foi-se o tempo em que era exclusividade. Até os mais pobres de espírito têm o direito de amar.


A Valsa

Dois para lá
Dois para cá
Dois que se cruzam
E jamais se apagam da memória.

Um de paixões meteóricas
Um de dolorosas retóricas
Dois para lá
Dois para cá
E no três quartos
Sobra um quarto vazio
E de compasso errado

Dois para cá em harmonia
Dois para lá que vão embora
Duas idéias conjuntas
Duas almas perdidas
Duas longas conversas
Duas para sempre feridas.

Dois beijos de desculpas
Duas paixões duas nucas
Duas mãos que se apertam
Dois corações que se expremem
Uma banda toca enquanto acertam
Se bramirem, alvoraçarem enquanto tremem.

Duas conversas inexistentes
Dois corações que dóem, latentes
Duas invisíveis conclusões
Sob soluços de terríveis confusões.
Duas vontades indivisíveis
Duas declarações impossíveis
Dois sonhos que acontecem
Que apenas nas fronhas permanecem.
Dois desejos adiante e como além
Duas dúvidas de quem, com quem.
Duas nuvens brancas e límpidas
Duas nuvens negras e pesadas
Dois sopros de brisa
Em dois suspiros de alívio
Numa nuvem que se vai sem sentido
De um compasso que sobra com uma pausa
De três quatros
De dois para lá, dois para cá.

Nas valsas dos momentos sozinhos
O casal de dançantes se separa
Dois para lá
O casal de dançantes se apara
Dois para cá

Caminhando na valsa frêmita
De sussuros nunca antes ensinados
Mas já aprendidos, já adotados
Dançando enquanto podem
Na juventude dos últimos amores
Da esperança de tentar pela última vez
Mais uma última valsa
Como se fosse a primeira.

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