terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Esperando o Trem


Esperei para nascer
Espero para morrer
Espero para tudo acontecer
Minha vida me bota a esperar
E esperando espero não esperar.

Espero o ônibus
O trem
E a minha incansável carona.

Espero a nuvem de chuva
E o sol escaldante
Espero aquela brisa fresca
Espero a barca.

Espero a noite chegar
E o dia terminar de nascer
Espero a lua brilhar
Enquanto as estrelas tocam
Uma sinfonia do iluminar.
Espero o sol parar de brilhar
E o mar parar de subir
A colina parar de ser alta.
Espero não sentir sua falta.

Espero para crescer
E ver que tudo o que aprendi
Era só questão de esperar.

Não espero para amar
Espero para receber
Recebo votos de esperança
Espero que a alegria não salte
Pela janela da desilusão
E depois de tanta espera
Espero a tristeza passar
Espero o choro passar
Espero tudo passar.

Espero pela lágrima que não cai
Espero pelo sorriso que não sai
Tudo é questão de esperar.

Espero um dia esperar
Que tudo o que um dia esperei
Não espere que eu possa voltar.
Espero voltar para trás
E ver do quanto fiz mais
O menos que tanto esperei

O dia me faz esperar
E a sombra espera sombrar
A luz ilumina o esperar
Espero luzir o luar.
Soletro a esperança no ar
Espero o sol se acalmar.

Espero a natureza acabar
Acabo o quanto tanto esperar.
Espero de vez em dormir
E durmo enquanto espero acordar.

A vida o quanto te espero
E vivo o quanto te quero
Espero não precisar errar
Espero não precisar chorar
Choro para não esperar
O quanto te quis pra voltar.

Feliz espero esperar
Espero o quanto durar
Duro o ser e o estar
Estou em um duro esperar
Eu sou a esperar do ar.

Areja minha espera de olhar
Eu olho a esperar de olhar
Eu espero a aspereza do olhar
Eu aspero o olhar de esperar.

Espero no horizonte
E busco a sua face perdida
Busco aquele sorriso sublime
Busco aquela voz estranha
E o sorriso que espera
Que a esparança jamais acabar.

Em verdade sempre esperei
Espero por todo esse amor
Espero por toda essa dor
Espero com sublime e sincero calor
Que a frieza pobre desapareça
E não me faça esperar na torpeza.

Em verdade sempre esperei
E espero como quem morre
De dia sim e dia não
Pois a cada dia de espera
É um dia que me faz falta
E cada falta que faz
É uma esperar de quem mata.

Espero pelo sim
E pelo não
Espero pelo sol
E pelo som
Espero pela noite
E o silêncio
Espero para nascer
Espero tanto
Para morrer.

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