domingo, 17 de janeiro de 2010

Amor de Profanação

Vozes ecoam por todo o meu templo
Veja as marcas do assoalho e do tapete
Borbulham o sangue e o vinho
Como quem borbulha dos lábios
O líquido mais repreendido.

Repreende-se a vergonha
E não sente-se o que mais se é humano.

Humanamente desagarrada contemplo a tua a adaga sagrada,
Perfura-me, estou morta, entregue, estou dada
Badalam os sinos, uma vez para cada gemido
Os vitrais exibem imagens de arguido.

Os anjos cantam, nós dançamos
A música mais bela está tocando

Com ardor e com paixão, vamos ignorando
Duas sombras que se mexem por trás dos lençóis
Duas fontes, dois montes, uma ponte, dois faróis.

Uma estrela explode em ebulição febril
As galáxias se unem num calor doentio
A ponte ante erguida se abaixa
A paixão se soma e continua
Eu sorrio, meus lábios se molham
O coração ardoroso
O coração pedregoso
Se entreolham.

Nenhum comentário: