quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Amargura

Meu coração é amplo
Vasto como o deserto do Saara

Tudo o que minha boca fala
O que o meu olhar vê
O que meus ouvidos escutam
O que minha pele sente,
Tudo já estava pré concebido
Sangrando veia a veia
Até a artéria da mente.

Ah esse amor de somente
Semente de um fruto apodrecido
Concebo o filho coxo
E ele caminha como a consequência inevitável
Dos mais incólumes atos.
Tento turvar a vista
Prender a respiração
Mas nada pode distorcer os fatos.

Sangra alma desafortunada
Alma cuja fúria divina
Deus muitas vezes o dedo apontou.
A mais maldita das mulheres
Arrasto-me como cobra asquerosa
Esgueiro a felicidade de aquém.

Sangra, e busca o refúgio na tua lágrima
Sangra ventre embebecido
Sangra coração amortecido
Amordaçado pelo erro
Ó coração amolecido pelo gesto de amar
Sangra e chora
No mundo que te negam, é tudo o que te resta
Sangrar
Chorar.

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