domingo, 29 de novembro de 2009

Frase IX (Ixé Ausûb Iandê)

Ensina-me o que é o amor sem me aprisionar na escravidão.
A partir daí, todas as músicas fazem sentido.

domingo, 15 de novembro de 2009

Eu, Criador de Mim Mesmo

Não planto árvores sobre a terra
Pois a terra me rejeita
Minha terra é o rio corrente
Rebelde e indolente
Triste e Solitário
Rio jocoso e salafrário
De águas venenosas e duvidosas
E ali um galho que nasce
Frenético e triste desfalece
No primeiro cotovelo
De seu curso fácil

Mas no rio
Tudo o que há é meu
As palavras
Os sons
A temperatura das salas
A largura das alas
Os critérios alfandegários
As burocracias portuárias
Os portos de ancoradouro
Os recifes que encalhei
(Sim, há recifes no meu rio)
As sacadas de serenatas
Os feiches luares de prata
São meus os risos das meninas
E o ódio por mim mesmo.

Só não me pertecem as árvores.
Em terra que só consome
Não crescem árvores.

Não planto árvores em terra firme
A terra que tenho é terra de açude
De lamaçal
De manguezal
Terra movediça e suja
Sem ânimo ou vitamina
Sem brisa fresca
Sem água de rio
(Rio seco cheio de recifes).

Saudades eu sinto
Da árvore lá de casa
De copa imensa para o menino
De sombra fresca como abraço
De folhas verdes como olhar
(O olhar e folhas que deixei escapar).

Não planto árvores em terra pura
Pois sou um péssimo agricultor
A semente da árvore que plantei
Deu-me o fruto sem encanto
Deu-me a flor invisível
De ego indivisível
Deu-me o estúpido pranto
(Bem ali, escorado no canto)
Deu-me as certezas duras
E as dúvidas burras
(Quando antes de plantar, pensei serem burras as certezas).

Oh Pai dai-me a luz
E o intento
Que roubei de mim mesmo
Destrói este vil espelho
E joga os estilhaços
Sobre os cortes de minhas veias
Dai-me o frescor das águas
E a brisa suave.

Pois fosse eu em Teu lugar
Escreveria a história do mundo com a mão esquerda.
Nasceriam árvores pelo fruto
E morreriam pela semente
Em tudo quanto é lugar.

A copa frágil
A raiz frágil
O tronco frágil
(Porém ágil em se safar)
Agitam-se pelo mais tóxico dos ventos
O vento que corta até a carne dura.

Oh árvore e rio
Rio e árvore
Rio solícito que deita sobre o leito
Da árvore sem coração e sem peito
A árvore do defeito
Rio Claro
Rio Amazonas
Rio Nilo
Rio Édem
Dali de onde surgiu o barro eterno
Abraça-me a árvore oh lama sagrada.

Oh lama abençoada
Faça-se a separação e o firmamento
E apareça a porção seca
Mas não seque completamente
Faça-se mais pura do que fértil.

Oh Deus misericordioso
Se me permite escolhar agora
Entre colher o fruto bom
Ou pisar no galho demente
Por que não me deixou escolher outrora
Quando ainda era semente?
Oh Deus, atenta a minha prece:
Joga na terra seca
Dentre todas as sementes
A que estava mais doente
E que cresce e flerta com a dúvida
A árvore movediça e confusa
Sem raiz forte e sem folha pura
Sem fruto doce.

Não sei plantar árvores
Em terra firme
Porém a terra é boa
Depende do Sol
Depende da Lua
A árvore que é débil
Não se deita em rio de curso firme
Que derruba montanhas
Sem medo e sem trégua.

Rio seco
Terra Dura
Árvore insegura.

Desengano


Eu abro as cortinas pra falar do seu estilo
Esguio o olhar nas guisas e nos contornos
De um olhar preciso de atenção.

Ouça atentamente a voz da minha lição
Não sou profeta do passado e nem poeta do futuro
Eu lanço minhas palavras assim, no escuro.
Mas se eu raspo a tua alma e te desnudo
Eu vejo como é capa de revista.
Revista e não encontre nada!
Alma desvendada, raspada por espátulas marcadas.
Existe mais de fora do que do interior
Salve-se exceção de verbos de labor.

Sinta amigo, este sabor!
Uma palavra puxa a próxima e a anterior
Como um trem sem destino os versos soam
Mas não viaja por acaso, quer chegar em algum lugar
Veja a fumaça da Maria-Fumaça.
Maria Virgem Mãe do Jesus de Praça
Fé de fácil acesso desfalece e embaça.

Desembaça as cabaças das suas traças
A alma é antiga e a mesma há anos
E enxerga em mim com males e desenganos
Mas eu viro pombos e minhocas, gatos e tucanos.
Eu sou um tudo e um nada resumido em simples plano.
Estou com o pé na estrada dos jupterianos.
Amanhã idealizo edifícios de sonhos
E depois eu os engulo na implosão das incertezas
Mas mesmo a incerteza tem lá sua beleza.

Se sou, flor, fé e espírito, razão e cobertura
Serei um tudo e um nada resumido em candura
Serei meu próprio déspota, minha própria ditadura.
Eu ergo a minha bandeira cor de nada num mastro vacilante.
A bandeira flui com a ventania e se solta do barbante
O mastro despenca e cai por um instante
Ora chora com o ardor dos injustiçados
Mas sempre levanta e vai, como guerreiro alado.

A minha língua está confusa
Está em mim e está em tudo
A minha língua lambe o chão ausente de firmeza
E sente calafrios.
Calos frios e duros da eterna caminhada
Se eu sento eu perco tudo a minha volta
E a minha morada torna-se revolta.
Não serei profeta saudosista lamentando o que não pode.
Não poderei ser o reescritor das histórias dos deuses
E o destino a eles pertencem
Tal como as mentiras, e os desenganos...

O coração dói na ferida aberta
Mas o futuro está aí.
Liberdade custa caro.

Paga-se o preço e mal se nota o reparo.
Liberdade custa caro
Encarece tudo o que envolve
Encarece os móveis de madeira folhada
As camas bambas de tanto amor e desamor
Encarece os que vão e os que ficam
Que são caros de desilusão e carecem de amor.
Liberdade custa caro.

Pague-me o preço e vá-te embora
Torna a voltar-me sem demora
Sem demora eu me vejo no meio de coisas que não vejo
Sem demora eu percevejo
E persevero
E sem demora de tudo quanto eu quero
Pacientemente eu espero.

Pobre da alma pobre que deita sobre a alma um olhar estático
E pobre da alma que é nobre, e se deixa prender pelo esporádico
As almas são como os ventos a bater nas montanhas
E as montanhas mal podem observá-los
Apenas sentem.
Sabe-se do vento pelo balouçar das árvores
Mas há montanhas nuas e mortas
E condenadas ao esquecimento.

Esqueça por um momento que a vida é um tormento!
E a alma subirá pelas montanhas
E sem crer verá o quanto está acima de toda esta torpeza.
Ó vã mediocridade!
Ó insalubres vontades!
Ó almas como montanhas e desejos como os ventos!
Ventos livres e gélidos
Liberdade custa caro.

Liberdade é para raros
E os raros ventos são solitários
As rasas almas sempre se calam
As rosas almas sempre me falam
Dos caros momentos libertários
Dos libertinos sabores dos sacrários.

Sacramenta-se o desengano
Que é interminável
E uma palavra aqui puxa a nova
E junta à anterior
O desengano não termina
A vida não determina
E resta-se um dissabor.

A vida não determina mais do que a morte nos ensina.
Deixai que a morte em seus túmulos falem por si só
Além por si só,
E que as sentenças sejam da palavra ouvida!
Palavras olvidas valem mais que palavras escritas
Em muros sórdidos de cidades enterradas
Arqueologias falhas, morte sábia da vida que não sabe nada.
Palavras mortas no túmulo
Palavras mortas nos epitáfios dos desmandos.

Parti no deserto sem rumo e sem chão
Atrás das dunas eu me escondi.
As retinas cansadas não olham para o céu
O sol queimou os meus cabelos
E deu-me motivos para adormecer...
Adormeci perdido nas estrelas de um deserto embriagado
Ó amizades por insistência!
Não me queixei da não assistência
Assistirei à falência de sua solidão
E depositarei uma flor em seus túmulos
Para que do céu, reconheçam o valor que reconheço.
Apenas do céu.

Desengano

Caí embaixo dos panos,
Apalpa-me as faces rubras e joviais
A juventude esmorece na alma cândida
A candura me escoa da cabeça aos pés.
Flores nos túmulos sinceros de amigos
Eu espero, ah, como eu espero.
Ferro e fogo, farinha e ervas – daninha.
Vi-os enlouquecer de dores e de paixões
Vi-os esquecer da fome e da miséria
Que põe a gente séria nos caixões.
Encaixotados mortos encapuzados
Segue-se a marcha fúnebre dos desgostados
Desengano.

O espelho não me engana
Meus olhos caem com o passar dos anos
A criança olha para o céu e ao futuro
O velho olha para o chão e ao passado
Eu fico preso no estrado.
O espelho não me engana
Desengana.

Desenganam
Esqueçam sua irreprensível gana.
Se irreprensível sou deixai-me só
Deixa-me morrer e virar pó
Desengano.

Um gato assustado debaixo da chuva
Ainda assim, ele treme, vive!
A chuva passa, o gato se enxuga e pula por cima do muro.
Não há muros suficientes para os gatos
Não há gatos decentes nesse mundo
Um gato debaixo da cama.

Desengano
O desengano não termina
Determina o que é fim
A honestidade que surpreende
A sinceridade que extasia
A paixão verdadeira que assusta
E o ser  humano que é humano
E impressiona pela sua humanidade
De ser menos máquina do que homem.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mar Nosso

Amar é se aprofundar
Nessa maré
O mar é se aprofundar
Nesse amor
Maré é se há mar
Nesse calor
Calar na imponência
De teu mar
Há mar na tua potência
de amar.
Há mar
Maré
Amar
O amor

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dedicatória

Há pessoas que aparecem em nossas vidas, e que de uma hora para a outra, as viram de cabeça para baixo. Isso já aconteceu comigo antes, mas posso dizer que raras foram as vezes. Em muitas delas, as pessoas que viraram a minha vida de cabeça para baixo, ficaram extremamente amedrontadas de se responsabilizarem por mim, uma vez que me teriam cativado para sempre. Pessoas assim, que involuntariamente (ou voluntariamente) roubaram um pouquinho de mim, para me deixar a dolorosa saudade, eu já descrevi em um outro dos meus poemas:

"Meu coração não é meu
Está em toda a parte dos caminhos que andei
Cada um carrega um pouco do que é seu"

(Poema Saudade, de Matheus & Borges, escrito em 11 de novembro de 2006 e publicado na página http://recantodasletras.uol.com.br/autores/bacobass).

A maior coincidência é que este poema Saudade foi escrito há quase 3 anos do dia de hoje. E hoje é um dia especial, porque descobri e redescobri um belo sentimento em meu coração. O coração endurecido é cativado pelas pessoas mais corajosas. Se o mundo é feito de pessoas, e se as pessoas se relacionam baseadas em sentimentos, então permita-me falar daquele que é o que todos tanto esnobam, por puro medo, pura covardia: o amor.

Sim, uma alma adolescente, porém nada imatura, ao contrário, uma alma cheia de energia e vida; esta alma foi quebrando com poucas palavras e simples gestos, a dura crosta que envolvia o meu coração endurecido. Esta alma merece dignamente todo o meu respeito e o meu amor, e uma demonstração disso está neste poema que para ela eu dedico.

Obrigado Renata Mulinelli. O amor não tem tempo para aparecer, ele tem apenas que aparecer pelas vias mais certas, trazidas pelas pessoas mais dignas. A sua personalidade cativante me fez relembrar disso.


Renascido

Tão nova e já tão cheia de vida.
Tão cedo e já com tantas perguntas
Tão sóbria e de respostas precisas.
Tão hoje, tão nobre, tão, querida.

O enlace desta vida
Se faz por mór desejo
Metafísico
Meta o físico da alma
E sinta a aura de sua calma

Voe voe ó querida
E busque para nós, lá naquele topo
A esperança que deixamos partir
Voe ó coração solto
voe e atravesse para nós
As nuvens mais soturnas

Dance cante, ó nossa vida
Exale este ar puro sobre nós
Embale-nos na viagem de tua voz
Ensina-nos a chegar
No reino das mais brancas paisagens
Dance cante e nos dê tua coragem.

Cave escave ó amiga
Desvende e vende por si mesma
Os segredos de nossos medos
Mostre-nos que a vida tão doída
Às vezes também pode ser brinquedo.

A cada passo que caminhas
Deixa um fundo rastro de saudades
Escorre um fluído de amizade
Transmite aventura, alegria e liberdade

Que a luz intensa de teus domínios
Aquela que te intensa ilumina
Não cegue os teus lúcidos desígnios
Não te traia no que mais te abominas.

Tão pura, tão forte, tão frágil
Tão ti, tão nobre, tão menina.
Tão jovem e com tanto pra dizer
Tão cedo enxerga a plena vida

Tão logo escolhe a trilha preferida
Tão nobre, tão forte, tão, querida.
Tão eterna até a sepultura
Tão eterna até a escultura

Tão minha amiga.


Vendaval

Começa com um sopro.
Os olhares, esguios,
Não se encontram mais.

Não é mais a voz que fala
Ela cala.

O corpo aos poucos estremece
Desescama, desencana...
As formas tomam formas
Da forma que o olhar desconhece.

A alma morta toma nota
Aviva-se em estranha calma.
A preocupação doentia fenece
E à nos, a música desfalece.

Canção noturna e sussurrada
Resplandece em tempestade de verão
E termina no frescor do amanhecer.

E a voz, aos poucos reconhece
Cai o sono no olhar estarrecido
E o corpo, dormente, adormece.

Renascido

Tão nova e já tão cheia de vida. 
Tão cedo e já com tantas perguntas
Tão sóbria e de respostas precisas. 
Tão hoje, tão nobre, tão, querida.

O enlace desta vida
Se faz por mór desejo
Metafísico
Meta o físico da alma
E sinta a aura de sua calma

Voe voe ó querida
E busque para nós, lá naquele topo
A esperança que deixamos partir
Voe ó coração solto
voe e atravesse para nós
As nuvens mais soturnas

Dance cante, ó nossa vida
Exale este ar puro sobre nós
Embale-nos na viagem de tua voz
Ensina-nos a chegar
No reino das mais brancas paisagens
Dance cante e nos dê tua coragem.

Cave escave ó amiga
Desvende e vende por si mesma
Os segredos de nossos medos
Mostre-nos que a vida tão doída
Às vezes também pode ser brinquedo.

A cada passo que caminhas
Deixa um fundo rastro de saudades
Escorre um fluído de amizade
Transmite aventura, alegria e liberdade

Que a luz intensa de teus domínios
Aquela que te intensa ilumina
Não cegue os teus lúcidos desígnios
Não te traia no que mais te abominas.

Tão pura, tão forte, tão frágil
Tão ti, tão nobre, tão menina.
Tão jovem e com tanto pra dizer
Tão cedo enxerga a plena vida

Tão logo escolhe a trilha preferida
Tão nobre, tão forte, tão, querida.
Tão eterna até a sepultura
Tão eterna até a escultura

Tão minha amiga.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Lago Interior Não Pode Secar


Ah caros amigos e raros companheiros!

Não calemos a nossa voz interior. Não depositemos o nosso brio no túmulo! Caros e Raros, sigam-me pela eternidade dos sonhos impossíveis! Oh jovens mentes, que nunca padecem, mas ora cansam e ora se enchem de alegria. Nós temos um inimigo em comum, um adversário em formato de idéia, completamente violenta. Essa idéia despeja mentiras como quem despeja água limpa a prestações baratas.

O fim do ano me trouxe fadiga, mas por ora também traz renovação. O que raios é o fim do ano? Uma idéia apenas! Teria mais vida se pudessem todos os fins dos meses serem fins de ano!

Eu acredito no efeito que a incompreensão causa, a de que uma verdade creditada por uma única pessoa vira loucura ou impossibilidade, e que uma mentira dita muitas vezes por mais de uma voz, acaba virando verdade. Pois é assim que aos poucos os valores se destituem.

Por que vê tanto negativismo nessa vida esse garoto tão jovem? - perguntam a mim. Que me abandone agora todo aquele que me vestiu nesse rótulo maldito! Onde há negativismo numa pessoa que clama pela vida? Onde há negativismo numa pessoa que se desfaz do irreal e do ilusório todos os dias de sua vida?

Quebro as cascas e me deito sobre o chão áspero de um mundo congelado. Mas eu sou a luz e o calor!

Não caros amigos, e raros companheiros, não permitam jamais que a loucura que nos vestem pareça fruto de um pensamento negativo. Ao invés disso, quando a voz for abafada pelo grito da multidão, sussurrem. Abaixarão os ouvidos para escutar o que tanto querem dizer. E quando o silêncio reinar, gritem novamente.

Eu vejo um mundo infestado de leitos e de pessoas que tem medo de curar as suas feridas. A segurança e a certeza são os maiores disfarces para as pessoas que nunca admitem que não sabem o que querem. Mas sim, sou seguro! Estarei seguro e olharei firme para o futuro, cheio de segurança. Não, ninguém é seguro de nada, apenas seguros são de suas incertezas!

Caem as máscaras e se estilhaçam pelo assoalho. Eu piso em um dos fragmentos e atiro para os dejetos da renovação.

Não se intimidem. O nosso meio de vida é apenas o meio, mas a finalidade, raros e caros, é algo ainda maior! Lutemos pela nossa finalidade, e mandemos os nossos meios para os meios diabos!

Este texto não será lido por todos, mas foi escrito para todos.