terça-feira, 6 de outubro de 2009

Incurável Enfermidade

Eu não sou o eixo da infinita roda
Que gira da planície ao litoral.
Eu não sou o remédio das ânsias
De vidas inexistentes
E que tanto insistem em se enfeitar.

Ah Apoteóse!
Ah Infinita Náusea!
Com tal crueldade eu escuto o ruído das máquinas
Mas não vejo nada.
Não sinto mais o cheiro dos doces aromas,
Mas com tal crueldade eu sinto!
Eu sinto o cheiro do óleo
Do carbono
E do silício.

Ah penoso destino
Onde tudo se acaba em rugas e bolhas!
Onde os suores de dois corpos não se conhecem mais
Mas por hora se entendem!
Não está ao meu alcance
Desde o meu nascimento
A sensação macia de uma mão carinhosa.

Ah severa mão penosa!
Com que crueldade caí no meio da tempestade
Desnudada de meus princípios
Enrugada em meus suplícios.

Ah, as minhas escolhas!
Merecida consequência!
O açoite silencioso desses morimbundos!
Ah como me mata a morte viva desse mundo!

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