domingo, 2 de agosto de 2009

O olhar definitivo

Sobre uma pedra lisa da rua
Solapada sem roupa e sem moral
Deitava-se serena uma criança nua

sábado, 1 de agosto de 2009

Condenação

Não adianta ornar com rosas
Com tulipas e querubins
Nem cravos de pétalas rugosas
E menos azaléias vistosas
A árvore que já se condena.

Seus galhos retorcidos assim permanecerão
Recurvada sobre a própria sombra
Com a copa estarrecida e faminta
De folhas secas acinzentadas.

Não há o que lhe tire da situação
Uma vez que a raiz caiu no solo
E já atinge as profundezas do inferno
Aquecendo-se vacilante
Neste eterno inverno.