segunda-feira, 29 de junho de 2009

Carpe Diem Mon Amis


Quando a mãe cobriu o rosto com as mãos
Caiu a primeira lágrima de muitas
E abriu no peito um buraco que não fecha mais
Você pisou na rua jovem.

É sempre assim com os artistas:
O opulento tem à disposição mil arco-íris.
Mas você faz mais do mundo com apenas preto e branco
O seu sorriso preto e branco
O meu amor preto e branco
Como nos primeiros jornais.

E mal mal, você não sabe
Que sempre que você pisa na rua,
Seus pés geminam e plantam.
E vão abrir, querendo ou não,
Um buraco que não fecha mais.
E deixam ali, querendo ou não, a mensagem:
"Aqui estive e agora estou em paz",
Até a planta criar folhagem.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ponto Final

Caiu uma gota, distância,
Dor efêmera, raio escuro,
Com um passo de constância
Atravesso a porta do obscuro.

Venço com rugir
A dor estranha do peito
Como o leão sendo sua presa
Caída, em paz, no leito.

Com mais um pouco de coragem
Enxergo o mistério restrito
Alcanço a luz dessa viagem
Que a imaginação tem descrito.

Céu, inferno ou simples terra
Destruo com faca e ferro
O que quer que seja é eterna guerra
Antes do morro, o berro.

E em poucos passos adiante
A dor que pulsa no pulso
Reduz-se a simples instante
Vermelha e negra, eu expulso.

A gota alcança o tapete
E o branco da paz que se mancha
Soa três badaladas e um lembrete:
A moça branda, enfim, descansa.