segunda-feira, 23 de março de 2009

E vai soltando...

Eu comecei este blog sem saber o que seria dele. Comecei tentando atingir uma pessoa por quem eu estava apaixonado com as minhas palavras. Então comecei o blog com um objetivo egoísta, íntimo. Teria sido melhor se eu tivesse escrito cartas, afinal, aqueles textos do início não fazem o menor sentido para quem lê, só para mim.

Depois disso convidei algumas pessoas para participar. Cada uma com a sua concepção particular do que é a vida, uns participando mais, outros participando menos, mas ainda algo íntimo. Acabou por se tornar um diário coletivo.

Por muito tempo pensei em encerrar o blog, por não conseguir ver sentido nos meus textos. De certa forma isso me causou angústia, porque eu gosto dos meus textos. Também outro motivo que me fez querer encerrar é a falta de público para ler, mas eu não sei. Não sei quantas pessoas passam por aqui. Nem todos que vem aqui deixam comentários ou querem expor publicamente as impressões que eu causo. De certa forma isso é ruim para mim, porque eu não sei qual o impacto as minhas palavras vem causando, ou até mesmo se elas vem causando agum impacto em alguém.

É a primeira vez que tento não ser tão íntimo, tão individual nas idéias. Estou exercitando a minha escrita, a mente, as idéias, para que eu possa olhar o que está ao meu redor, e não apenas o que está dentro de mim.

Existe um mundo inteiro ali fora, e eu preciso observá-lo de alguma forma, sob algum ponto de vista, afinal o escritor é uma espécie de tradutor da sua época. Tradutor pois o mundo sempre é visto sob uma perspectiva.

Então que as palavras venham e vão se soltando, como a minha respiração. O ar sujo que eu respiro, devolvo à atmosfera. Devo dar a mesma retribuição no que diz respeito às idéias.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Tudo bem amor, está tudo bem

Eu vou permanecer aqui no meu canto roído da cama. Ficarei imune a mim mesma, moldando no colchão o formato do meu corpo, enquanto espero por ti, completamente sólida. Permanecerei muda e estática, sem expressão de desapreço, sem desgosto pela vida ou pela morte, apenas esperando.

Tudo bem meu amor, está tudo bem. Não vou confundir a generosidade com algo maior, pois generosidade é apenas o agradecimento pela minha existência.

Meu coração é frágil e temperadamente necessitado, mas esforça-se para não ver as coisas que mais deseja; esforça-se para não fazer de si mesmo a sua própria armadilha, que é um charco de lágrimas dolorosas e uma angústia silenciosa de apenas aceitar generosidade. Apenas uma generosidade mansa e cálida, que resume a alegria dos meus dias no esticar dos seus lábios, desenhando um sorriso que é típico de você.

Dormirei mansa, sóbria, estagnada, esquecendo-me completamente de que é o ar que me dá vida; queimando meus ombros no roçar e rolar interminável de uma noite mal dormida, embalada por lembranças de um tempo que nunca foi (mas bem que poderia ter sido), e por esperanças que nunca serão.

O vazio imenso que só se preenche com a minha teimosia de não enxergar a parede fria que está encostada em mim. Há um abismo cavado bem fundo no meu peito, onde de um lado está você, cantarolando com seus olhos esmeralda e sorrindo com sua gratidão, e eu aqui do outro, lutando pra te alcançar. Mas querido, não há abismo. Você está bem do meu lado.

Tudo bem por agora, eu vou ter paciência. Deixarei de alimentar uma relação inexistente; que quando está perto de mim eu fico boba, te provoco com as nossas maiores disparidades, tento te afastar pra bem longe, só pra ver se te pego desprevenido do outro lado da vida.

Sim meu amor, permanecerei aqui no meu canto roído do leito. Eternamente enferma de carinho, o leito roído, roído por mim mesma, nessa espera desatinada, onde eu sou a cupim que destrói o nosso futuro berço matrimonial. Exageradamente.

Na minha expressão eu sou pra você a sua pintura parnasiana. Serei um vaso azul celeste, como o céu, que te faz sempre imaginar a vida como algo bom, ou uma toalha branca de linho, toda macia repousada no armário do banheiro. Posso bem ser um canapé amarelo, onde você se senta confortável, e muito me agrada isso. Ou serei uma flor, flor vermelha, que traz alegria. Estarei sempre alegre com minhas pétalas vivas. Só até o momento em que me atiras no rio, com um gesto vívido de liberdade: "vai minha flor, desce o rio porque logo após terás o mar só pra ti". Mas eu quero ficar meu bem, eu quero ficar aqui, murchar nas tuas mãos, e ser enterrada por ti.

Eu serei também apaixonada, definitivamente agradável à sua generosidade; ao seu carinho, que me conduziu a esse encantamento. Poderia ao menos não ser tão adorável aos meus olhos, ser um pouco mal educado e exarcebado. Faltar com gentilezas aqui e ali. Sinto muito meu amor, eu sinto muito.

Caí na minha própria armadilha novamente, caí na tentação de amar o que é sutil e confortável ao meu coração. Tudo bem meu amor, está tudo bem. Eu aguardo com a conservação dessa bondade, o prato de alfaces que me falta.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Frase VIII

Porque eu mesmo não criei aforismos:

"Os sábios prevêem o futuro, os loucos escrevem no muro"
(Raul Seixas)

"Os sábios prevêem o futuro, os loucos escrevem no muro"
(Cazuza)

"Os sábios prevêem o futuro, os loucos escrevem no muro"
(Bob Marley)

"Os sábios prevêem o futuro, os loucos escrevem no muro"
(Kurt Colbain)

"Os sábios prevêem o futuro, os loucos escrevem no muro"
(..... .....)

terça-feira, 3 de março de 2009