terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Incurável Ferida na Alma


O escultor no eremita abrigo
Tem no silêncio da sua obra
Seu único e sincero amigo.

A nota voa triste e vã
Do violão de um barraco
Sem a certeza do amanhã.

Há o poeta com seus versos
Conversa só em sua pensão
Diálogos secos, frios, dispersos.

Com três pincéis em certo mangue
O artista pinta o céu e o chão
De tinta suja, suada e sangue.

A dor eterna da arte nobre
Não nasce em palco acadêmico
Não é comprada em prata ou cobre.

E não há saldo de alegria
Pra tal intento involuntário
Que punge sua alma todo dia.

É uma dor de existência
Buscar o lado diferente
Sempre tentando a clemência.

E então após a rejeição
Do mesmo hipócrita que ria
Adora-lhe hoje exaltação.

Risco de Vida


Olhar de Pedra
Pede pra parar.
Parar meu vício de parar o mundo
Quando eu te olhar.

Pedra de risco
Risco de olhar.
Risco de uma vida quando paro a vida
Para te riscar

Para-te vivo
Vivo a te pensar
Penso que presente olhos vidrados
Quando te está.

Vidro que quebra
Pedra de quebrar.
Risca a minha vida com cuidado
Quando já estou lá.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Roxo

O hematoma que tenho no peito
Manchou eternamente minha mente
Mente a vontade minha ao leito
Quente como sonho igualmente.

Bate fraco e fosco indolente.
Falo só do que não posso ver
Vejo só o que não posso dizer
Digo o que poucos ouvem
Ouço o que poucos dizem
Faço o que muitos querem
E vivo como vertigem.

Sangue negro e perturbado
Dói a alma íntegra e conformada

Mas o que dói é alma minha?
Ou alma flor?

Roxa flor que nasce da ferida
E bela ilumina a minha vida.
Que dói que dói
Mas é assim.
Sento consumindo meu café.
E vivo perseguindo minha ida.

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