sábado, 17 de maio de 2008

Meu Verso é Minha

Meu verso é o espelho
Dessa alma rouca
Não é espelho de velho
É espelho de louca.

Meu verso é doença
É esparsa demência
Meu verso é desgraça
É eterna indulgência.

Meu verso é desgraça
Do berço suave
À vida mormaça
Orquestras e Clave

Orquestra de graves
E suaves agudos
De graves entraves
De amores mudos.

Meu verso é demência
Meu verso é Entrave
Meu verso é fineza
De tristeza grave.

Meu verso é triteza
É falsa beleza
É desgraça falsa
É alma descalça.

Sou verso do avesso
Sou verso do osso
Sou beça do poço
Sou oca no moço.

Meu verso é ter tudo
E não enxergar nada.
Meu verso é ver mudo
É ser namorada.

Meu verso é o verso
Meu verso é o avesso
Meu avesso é verso
Da vida que averso.

Meu verso é o avesso
Da vida suave
Meu verso é o avesso
De amores graves.

Meu verso é o desejo
De não ser mais versa.
Meu verso é o desejo
Do amor suave.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Através do Espelho E o Que Vi Lá


Hoje escrevo assim, sem compromisso.
Sem querer saber muito do nada.
Obrigado
De nada
Escrevo um pouco sem querer muito, e não querer ser mais ou menos.
Apenas ser menos.
Mostrar que sou menos.
Palavras desconexas como aprendi
Com alguém que não posso crer.
Abrir a porta do tribunal e descobrir que ali está um belo jardim.
Cavar um buraco e plantar uma árvore,
E que ao invés de semente,
Devo usar do conteúdo científico químico muito perigoso para a saúde.
Escrever e reler o escrito,
Tentar entender o que escrevi.
Assim é melhor que me ver no espelho.
Escrevo hoje, tentando empurrar goela abaixo de quem lê
Uma parte de meu narcisismo de escritor.
Mostrar um pouco que a roda roda e empaca.
Mas pacas!
O que fazer?

Quero não ler notícias, só hoje.
Não quero pensar no futuro.
Quero não planejar o dia,
Nem a noite.
Nem o amanhã.
Só hoje não quero nada.
Quero sair de casa sem carteira, sem roupa, sem cara, sem nada.
Quero que o sentido seja íntegro e único.
Não quero nada.
Deixa eu ir.
Solta a minha mão e deixa eu ir
Deixa eu caminhar em direção alguma.
Não me diga pra onde ir.
Não me diga por favor.
Não me diga para fazer, não me diga para querer.
Não me diga que não posso escrever:
- Me deixa caminhar em direção alguma.
Através de seus olhos eu vejo o que eu deveria ser.
E através dos meus eu vejo o que eu quero ser.
Deixa eu beber.
Me deixa caminhar, cair, chorar e me machucar.
Deixa-me
Me deixa
Deixa em
eixadem.
Deixa eu me aceitar como sou.
Me deixa.

Hoje queria escrever por escrever.
Mas eu não me permiti não querer.

Hoje queria escrever pra você.
Queria escrever por você.
Hoje eu queria ser você
Hoje eu queria você
Hoje eu você
Hoje você
Amanhã eu
Mas não é, não vai ser e não será.
Porque hoje
Hoje eu queria você ser eu.
E ser o que todos queriam ser
O eu em você.
E viver em paz.

Mas eu sou apenas eu.
E os outros.

Hoje escrevo assim, sem compromisso
Sem querer nada além disso
Sem desejar algo bonito
Sem rimar isso com aquilo.
Pois se algum dia houve momento
Que a rima de encantamento
Combinasse com vida sem sofrimento
Esse dia não viu ainda o tempo.
Por isso hoje
Hoje escrevo assim, sem compromisso
Sem rimar aquilo com isso
Sem rimar nada com compromisso.
Sem querer nada com compromisso.

Eu queria hoje
Estar presente na melhor das lembranças
De quem hoje não posso ser.
De quem hoje não querer.
Crer.

Hoje queria saber
O quão forte eu sou
Ou fraco deixei de ser
Se medir com esses dois
Quantidade do quanto
Sou.

Hoje queria saber que sou humano.
Hoje queria saber que humano sou.
Hoje queria saber pra onde vou.
Hoje vou saber pra onde queria.
Hoje queria ir pra onde sei
Saberia querer pra onde hoje irei?