sábado, 14 de outubro de 2006

Entre as brumas incógnitas da vida

Entre as brumas incógnitas da vida
Descansava-me em plena inconsciência
No aconchego da mórbida demência
Tu, existência ainda inconcebida

Porém, em pleno sonho não lembrado
Despertada a vítima, que tormento
Para causar a dor e desalento
E o gozo metafísico roubado.

E jogado cá nesta vida, agora
Refletindo pra onde vou embora,
Sofro a dúvida eterna universal:

Do meu berço para a vida que estoura?
Terra inópia lar para almas agouras?
Nós herdeiros do desvelo do mal?

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Brasil

Aqui é a terra linda
Menstruada.
Ferida pelas mãos estúpidas
Terra de nada e de ninguém, desde a primeira dúvida.
Mas todos querem o que aquém.

Lugar onde todo mundo é cego;
E minhas vós já diziam que em terra de cego, quem tem olho é Rei.
Mas nosso rei é bobo,
E o bobo é artista
E o artista, ladrão
E o ladrão, é rei... Que pena.

- Vagabundos! Vão trabalhar!
- Os circos já fecharam meu senhor – que tristeza bufão.
Agora só lhe resta soprar fogo nas calçadas, pois sua roupa é sem logotipo.

Terra de surdo que ouve mais,
Gente sã anestesiada com as epidermes formigando por aí
Cheias de palavras redondas rolando ouvido abaixo.
Mas ta cheio de vocabulário magro, faminto, pedindo pelo amor de        [Jesus Cristinho um dicionariozinho pra alimentar o léxico 
[estomacal.

Vejo a esteira do supermercado
Uma mãe carrega o resto de tua resignação nas mãos.
Não se sabe o que tem mais vida
Se o produto nas alturas exaltado ou a mãe que está no chão.

O resto são apenas valores.