terça-feira, 21 de novembro de 2006

Filhos da Pátria Sacrificada


Debaixo daqueles castelos tomando meu café
O céu estava lindo de um azul da nossa pátria
De um azul do nosso mundo ao redor do nosso pé,
Debaixo daqueles castelos, tomando meu café.

Tomando o café que alguém fez,
As caixas dizem que além dos mares existe um horizonte.
Com as bestas desconhecidas mas nossos homens valorosos são!

Ao pé daqueles castelos tomando meu café. 
Existe além dos muros do horizonte, o mundo que não conheço
Só me resta crer nos escritos rodapés
Ao pé daqueles castelos tomando meu café. 

Queimaram as nossas perguntas
Dez séculos atrás dos muros da vergonha. 
Calaram todas as nossas respostas
Eu sou seu Único e verdadeiro Amigo
Dois pássaros pousaram na sacada
Mas fizeram um grande estrago comigo. 

Em nome de Deus, derrubem os castelos
Pois não agüento mais plantar café
Pra quem não me dá pé.

Mágoa Polissêmica

Vou beber para esquecer as minha mágoas
Vou viver o modo que não deveria
Pobre mágoa, que me fez senão a dor?
Mas não posso afogar quem gostaria. 

Viajarei em busca de minhas respostas
Talvez biltre seja meu futuro nome. 
Talvez mágoa o que apóia em minhas costas
Talvez louco pra que não me sinta fome. 

Nossas lágrimas q'ocupam mais espaço
Do que a sede de estar além dos anos
Mesmo que do meu irmão lhe mate os planos. 

Não derrubam, não plantam não nos ensinam
Só há poças que a história vai secar
Pelo Sol que tristemente faz chorar.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Simples

Não faça das verdades, o que não se vê no espelho.
Tuas faces enevoadas
Lábios falsamente rubros
Cintura sufocada...

Pois o que meu coração nota
E como lira teu nome toca,
São as belas carnes de teus seios
O brilho infantil de teus olhos,
Que muda as formas reais do lixo podre,
Para um perfumado soar de ventanias campestres.
Um apaixonado suar de vozes arfantes.
E a respiração rápida, livre e solta,
Do teu ventre embebecido
Da tua cintura louca.

sábado, 14 de outubro de 2006

Entre as brumas incógnitas da vida

Entre as brumas incógnitas da vida
Descansava-me em plena inconsciência
No aconchego da mórbida demência
Tu, existência ainda inconcebida

Porém, em pleno sonho não lembrado
Despertada a vítima, que tormento
Para causar a dor e desalento
E o gozo metafísico roubado.

E jogado cá nesta vida, agora
Refletindo pra onde vou embora,
Sofro a dúvida eterna universal:

Do meu berço para a vida que estoura?
Terra inópia lar para almas agouras?
Nós herdeiros do desvelo do mal?

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Brasil

Aqui é a terra linda
Menstruada.
Ferida pelas mãos estúpidas
Terra de nada e de ninguém, desde a primeira dúvida.
Mas todos querem o que aquém.

Lugar onde todo mundo é cego;
E minhas vós já diziam que em terra de cego, quem tem olho é Rei.
Mas nosso rei é bobo,
E o bobo é artista
E o artista, ladrão
E o ladrão, é rei... Que pena.

- Vagabundos! Vão trabalhar!
- Os circos já fecharam meu senhor – que tristeza bufão.
Agora só lhe resta soprar fogo nas calçadas, pois sua roupa é sem logotipo.

Terra de surdo que ouve mais,
Gente sã anestesiada com as epidermes formigando por aí
Cheias de palavras redondas rolando ouvido abaixo.
Mas ta cheio de vocabulário magro, faminto, pedindo pelo amor de        [Jesus Cristinho um dicionariozinho pra alimentar o léxico 
[estomacal.

Vejo a esteira do supermercado
Uma mãe carrega o resto de tua resignação nas mãos.
Não se sabe o que tem mais vida
Se o produto nas alturas exaltado ou a mãe que está no chão.

O resto são apenas valores.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Donzela Puta


Era uma linda donzela batuta, 
Nas suas cavalgadas, não mais é pura, 
Pois cai a mascara e surge a puta, 
Com o advogado que se mistura.

Embora que de Cezar tenha a sina 
Herdado, foi teu perdão esquecido,
Logo de abandonado a menina
Tenha no seu amor a fé perdido.

Ajuda por apelo não recusa
Pois sabe o amor que existia
E que à presença antiga não resiste

De bode advogado não se usa
Da rola grossa nunca desistia
E finge que o passado não existe

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Frase III

A verdadeira arte vem do meio do povo, que sofre todo dia para inovar o modo padrão de viver imposto pela elite.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Frase II

Procurei na casa inteira, na rua inteira, no bairro inteiro.
Nenhum sinal, nada. Só um copo vazio no meio da estrada.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Genesis 2, 16-17

Depois de comer da fruta da ciência do bem e do mal,
Recordo-me que no meio do caminho,
Daquela vida tão jovem...
     ...e tão cansada...
      ...e tão distante...
Obriguei-me a subir no bote da ciência do bem e do mal.

Aos poucos, e cada vez mais,
O bote ia embora, velejando.
A terra ia pequeninando e me deixando maior,
ilhado no mar.
Tão triste é tudo isso, mas ele se afastava...
                 ...tão distante...

Que susto de angústia que levei!
Quando notei que não, o bote não se afastava.
Ficou parado no mesmo lugar que entrei.
                        ...e tudo tão distante...

No dia que comi daquela fruta,
e entrei naquele bote,
Certamente morri!

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Identidade

Como é dele o mundo do poeta.
Pinga como chuva no pantanal:
  
     Dez gotas de salivas efervescidas
     Dez contos sobre meninos de rua
     Um comentário sobre a beleza da lua...

Igual da Vincis e Michelangelos, Dali sai alguma poesia.

Nesse mundo
Nasce o que se quer nascer,
Colhe o que se quer colher,
Bebe o que se quer beber,
E não há coração para mexer.

terça-feira, 6 de junho de 2006

A Decente Mentira

Olhar para trás
Não passa
De olhar pra trás.

Olhar para o passado
Impossível.
Olhamos para nós mesmos
Cujo passado se remonta
Nas memórias de quem quiser.

A história mais bonita é a história que bem me quer.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Frase I

Sou jovem hoje, uma vez e nunca mais. Minha fortuna engana os meus olhos, mas não a minha natureza.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Love Story

Após o último frame rodado
Enquanto a tela ainda exibia o Staff
Jennifer da Silva enxugava as lágrimas, 
e lamentava o final indignável de Rose Bukater. 

Que estrondo de lágrimas incontestáveis!

Nem quis escutar, 
Com tanto pranto e emoção, 
Que logo ali na esquina fria da rua tupiniquim, 
Um pretinho chorava também.