quinta-feira, 26 de agosto de 2004


Eu desejo de coração, aos formandos de 2010, do curso de Letras da UNISA, que saibam olhar os seus alunos sem esperar que eles sejam como a nós mesmos. É difícil manter uma bandeira hasteada. O grupo de pessoas que estiveram comigo diminui, porque cada um deve seguir o seu caminho.

Desde os 15 anos de idade, quando o meu primeiro professor de literatura recitou um poema em sala, e aquilo mudou a minha visão de mundo, e me fez enxergar uma porta cheia de uma luz tranqüila, eu tenho esta meta, eu quero ser professor, quero ter essa mesma capacidade. Acho que este é o mínimo que temos o direito de ter, uma meta. Mesmo que isso não seja soado como fanfarras aos quatro ventos, basta que o nosso coração saiba o que queremos, e o restante do mundo saberá seguir o seu curso sozinho, ainda que numa trilha incompreensível, e para nós, tortuosa.

Sim, todos nós temos as nossas feridas de infância, de adolescência, mas não é o caso, porque ninguém deve ser responsabilizado pelo que passamos. Eu levei anos para entender isso. Há pessoas que vivem uma vida inteira e não conseguem entender. A ferida dói, e nós, humanos, queremos uma culpa, uma resosta, queremos um responsável. Às vezes ele não há, e quando percebemos, a vida já passou sem que pudessemos encontrar nada.

Sei que cada um passa por problemas que só o sentimento particular compreende: é difícil o abandono do pai ou da mãe, e difícil o desentendimento com o irmão, o descontrole sobre o filho; é difícil o casamento que acaba às vezes por nossa própria culpa; é difícil quando um ente querido morre, ou adoece; é difícil até mesmo coisas que para muitos pode parecer banal, como algum trauma vivido na escola.. E é compreensível que os caminhos se percam, uns se afogam em suas religiões, outros querem mudar para o exterior, outros simplesmente mudam de curso, outros duvidam de tudo quando todos já encontraram a sua certeza. Mas somos humanos, todos temos o direito ao erro, e ninguém tem o dever de julgar.

Sabem o que é um espelho? Quando procuramos olhar para os outros mas o que vemos, na verdade, são os nosso próprios erros?

Já ouvi dizer que nos desentendemos com aqueles que mais se parecem conosco, porque estes são os que carregam os defeitos dos quais mais tentamos fugir ou nos esconder. Em situações de tensão nos vemos no outro. Os outros são os nossos espelhos. Sábias palavras não precisam de sobrenome. Na sociedade contemporânea isso é uma idiossincrasia que dá descrédito ao simples, de que tanto necessitamos, porque nossa mentalidade se limita ao medíocre. Precisamos de um sobrenome, de alguém para seguir, de alguém que pense por nós.

Enfim, que nós usemos este final de ano para repensar muitas coisas. E peço desculpas, muito do que falo para os outros, pode ser que eu esteja falando também para mim mesmo, mas por que não? Eu não sou deus, sou apenas humano, é uma pena.

Enfim, que nós usemos este final de ano para repensar muitas coisas. E peço desculpas, muito do que falo para os outros, pode ser que eu esteja falando também para mim mesmo, mas por que não? Eu não sou deus, sou apenas humano, é uma pena.

Já ouvi dizer que nos desentendemos com aqueles que mais se parecem conosco, porque estes são os que carregam os defeitos dos quais mais tentamos fugir ou nos esconder. Em situações de tensão nos vemos no outro. Os outros são os nossos espelhos. Sábias palavras não precisam de sobrenome. Na sociedade contemporânea isso é uma idiossincrasia que dá descrédito ao simples, de que tanto necessitamos, porque nossa mentalidade se limita ao medíocre. Precisamos de um sobrenome, de alguém para seguir, de alguém que pense por nós.

Sabem o que é um espelho? Quando procuramos olhar para os outros mas o que vemos, na verdade, são os nosso próprios erros?

Sei que cada um passa por problemas que só o sentimento particular compreende: é difícil o abandono do pai ou da mãe, e difícil o desentendimento com o irmão, o descontrole sobre o filho; é difícil o casamento que acaba às vezes por nossa própria culpa; é difícil quando um ente querido morre, ou adoece; é difícil até mesmo coisas que para muitos pode parecer banal, como algum trauma vivido na escola.. E é compreensível que os caminhos se percam, uns se afogam em suas religiões, outros querem mudar para o exterior, outros simplesmente mudam de curso, outros duvidam de tudo quando todos já encontraram a sua certeza. Mas somos humanos, todos temos o direito ao erro, e ninguém tem o dever de julgar.

Sim, todos nós temos as nossas feridas de infância, de adolescência, mas não é o caso, porque ninguém deve ser responsabilizado pelo que passamos. Eu levei anos para entender isso. Há pessoas que vivem uma vida inteira e não conseguem entender. A ferida dói, e nós, humanos, queremos uma culpa, uma resosta, queremos um responsável. Às vezes ele não há, e quando percebemos, a vida já passou sem que pudessemos encontrar nada.

Desde os 15 anos de idade, quando o meu primeiro professor de literatura recitou um poema em sala, e aquilo mudou a minha visão de mundo, e me fez enxergar uma porta cheia de uma luz tranqüila, eu tenho esta meta, eu quero ser professor, quero ter essa mesma capacidade. Acho que este é o mínimo que temos o direito de ter, uma meta. Mesmo que isso não seja soado como fanfarras aos quatro ventos, basta que o nosso coração saiba o que queremos, e o restante do mundo saberá seguir o seu curso sozinho, ainda que numa trilha incompreensível, e para nós, tortuosa.

Eu desejo de coração, aos formandos de 2010, do curso de Letras da UNISA, que saibam olhar os seus alunos sem esperar que eles sejam como a nós mesmos. É difícil manter uma bandeira hasteada. O grupo de pessoas que estiveram comigo diminui, porque cada um deve seguir o seu caminho.


O Espelho

Diante do espelho constatei minha teoria:
O espelho é liso e brilhante
O espelho é branco e reluzente
O espelho é silencioso como um gato.
É puro como o leite das rãs.
É calmo como as águas do Éden.
Quando olhei para o espelho,
Não consegui enxergar nada.
26 de Agosto de 2004 (Matheus Araújo Vieira, quando completei 19 anos de idade)