quarta-feira, 13 de outubro de 2004

Tragédia de um casal de adolescentes

Meio-dia.
O moço fitou-a com mãos trêmulas.
A moça olhava atentamente o resultado da loteria.
Por um instante, a luz do Sol pairou sobre suas cabeças.
E entre eles estava o teto escuro.


O relógio parou, o tempo parou e tudo ficou parado.
Uma linda história de noticiário os invadiu por instante.
A jarra de água entornou sobre a foto que dizia pra sempre
A moça deu as costas e foi ao cabeleireiro.
O moço tentava, desesperadamente enxugar a foto.
E o relógio ainda não soava o meio-dia e um.

domingo, 19 de setembro de 2004

Cidade Fantasma

Fechou o dia.
A cidade está vazia,
Ruas inteiras com a imensidão da ausência.
Portas fechadas,
Janelas fechadas,
Porcas fachadas.


A cidade está vazia
O dia está vazio
Tudo está vazio.


O Sol nasce cinza e lamenta
O movimento de translação dos planetas.
Pobre Lua, escrava nossa, eterna rainha dos amantes loucos.


Não consigo sentir o cheiro.
É por isso que sempre estou do lado de fora das vitrines.


Por que o dia fechou.
A cidade fechou.

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

Filosofando o TIC-TAC

Dias vão, dias vêm
Vão-se as cavalarias e infantarias
Boemias e orgias inteiras
Vão-se as horas de gozo e as obrigações


Mas nada disso me faz entender,
Nada;
Nada me faz compreender o porquê do relógio às vezes fazer tic
[e às vezes fazer tac.
Por que do seu ir para a esquerda
E depois para a direita?


E porque os seus ponteiros giram giram giram
Incessantemente...
Dolorosamente...

quinta-feira, 26 de agosto de 2004


Eu desejo de coração, aos formandos de 2010, do curso de Letras da UNISA, que saibam olhar os seus alunos sem esperar que eles sejam como a nós mesmos. É difícil manter uma bandeira hasteada. O grupo de pessoas que estiveram comigo diminui, porque cada um deve seguir o seu caminho.

Desde os 15 anos de idade, quando o meu primeiro professor de literatura recitou um poema em sala, e aquilo mudou a minha visão de mundo, e me fez enxergar uma porta cheia de uma luz tranqüila, eu tenho esta meta, eu quero ser professor, quero ter essa mesma capacidade. Acho que este é o mínimo que temos o direito de ter, uma meta. Mesmo que isso não seja soado como fanfarras aos quatro ventos, basta que o nosso coração saiba o que queremos, e o restante do mundo saberá seguir o seu curso sozinho, ainda que numa trilha incompreensível, e para nós, tortuosa.

Sim, todos nós temos as nossas feridas de infância, de adolescência, mas não é o caso, porque ninguém deve ser responsabilizado pelo que passamos. Eu levei anos para entender isso. Há pessoas que vivem uma vida inteira e não conseguem entender. A ferida dói, e nós, humanos, queremos uma culpa, uma resosta, queremos um responsável. Às vezes ele não há, e quando percebemos, a vida já passou sem que pudessemos encontrar nada.

Sei que cada um passa por problemas que só o sentimento particular compreende: é difícil o abandono do pai ou da mãe, e difícil o desentendimento com o irmão, o descontrole sobre o filho; é difícil o casamento que acaba às vezes por nossa própria culpa; é difícil quando um ente querido morre, ou adoece; é difícil até mesmo coisas que para muitos pode parecer banal, como algum trauma vivido na escola.. E é compreensível que os caminhos se percam, uns se afogam em suas religiões, outros querem mudar para o exterior, outros simplesmente mudam de curso, outros duvidam de tudo quando todos já encontraram a sua certeza. Mas somos humanos, todos temos o direito ao erro, e ninguém tem o dever de julgar.

Sabem o que é um espelho? Quando procuramos olhar para os outros mas o que vemos, na verdade, são os nosso próprios erros?

Já ouvi dizer que nos desentendemos com aqueles que mais se parecem conosco, porque estes são os que carregam os defeitos dos quais mais tentamos fugir ou nos esconder. Em situações de tensão nos vemos no outro. Os outros são os nossos espelhos. Sábias palavras não precisam de sobrenome. Na sociedade contemporânea isso é uma idiossincrasia que dá descrédito ao simples, de que tanto necessitamos, porque nossa mentalidade se limita ao medíocre. Precisamos de um sobrenome, de alguém para seguir, de alguém que pense por nós.

Enfim, que nós usemos este final de ano para repensar muitas coisas. E peço desculpas, muito do que falo para os outros, pode ser que eu esteja falando também para mim mesmo, mas por que não? Eu não sou deus, sou apenas humano, é uma pena.

Enfim, que nós usemos este final de ano para repensar muitas coisas. E peço desculpas, muito do que falo para os outros, pode ser que eu esteja falando também para mim mesmo, mas por que não? Eu não sou deus, sou apenas humano, é uma pena.

Já ouvi dizer que nos desentendemos com aqueles que mais se parecem conosco, porque estes são os que carregam os defeitos dos quais mais tentamos fugir ou nos esconder. Em situações de tensão nos vemos no outro. Os outros são os nossos espelhos. Sábias palavras não precisam de sobrenome. Na sociedade contemporânea isso é uma idiossincrasia que dá descrédito ao simples, de que tanto necessitamos, porque nossa mentalidade se limita ao medíocre. Precisamos de um sobrenome, de alguém para seguir, de alguém que pense por nós.

Sabem o que é um espelho? Quando procuramos olhar para os outros mas o que vemos, na verdade, são os nosso próprios erros?

Sei que cada um passa por problemas que só o sentimento particular compreende: é difícil o abandono do pai ou da mãe, e difícil o desentendimento com o irmão, o descontrole sobre o filho; é difícil o casamento que acaba às vezes por nossa própria culpa; é difícil quando um ente querido morre, ou adoece; é difícil até mesmo coisas que para muitos pode parecer banal, como algum trauma vivido na escola.. E é compreensível que os caminhos se percam, uns se afogam em suas religiões, outros querem mudar para o exterior, outros simplesmente mudam de curso, outros duvidam de tudo quando todos já encontraram a sua certeza. Mas somos humanos, todos temos o direito ao erro, e ninguém tem o dever de julgar.

Sim, todos nós temos as nossas feridas de infância, de adolescência, mas não é o caso, porque ninguém deve ser responsabilizado pelo que passamos. Eu levei anos para entender isso. Há pessoas que vivem uma vida inteira e não conseguem entender. A ferida dói, e nós, humanos, queremos uma culpa, uma resosta, queremos um responsável. Às vezes ele não há, e quando percebemos, a vida já passou sem que pudessemos encontrar nada.

Desde os 15 anos de idade, quando o meu primeiro professor de literatura recitou um poema em sala, e aquilo mudou a minha visão de mundo, e me fez enxergar uma porta cheia de uma luz tranqüila, eu tenho esta meta, eu quero ser professor, quero ter essa mesma capacidade. Acho que este é o mínimo que temos o direito de ter, uma meta. Mesmo que isso não seja soado como fanfarras aos quatro ventos, basta que o nosso coração saiba o que queremos, e o restante do mundo saberá seguir o seu curso sozinho, ainda que numa trilha incompreensível, e para nós, tortuosa.

Eu desejo de coração, aos formandos de 2010, do curso de Letras da UNISA, que saibam olhar os seus alunos sem esperar que eles sejam como a nós mesmos. É difícil manter uma bandeira hasteada. O grupo de pessoas que estiveram comigo diminui, porque cada um deve seguir o seu caminho.


O Espelho

Diante do espelho constatei minha teoria:
O espelho é liso e brilhante
O espelho é branco e reluzente
O espelho é silencioso como um gato.
É puro como o leite das rãs.
É calmo como as águas do Éden.
Quando olhei para o espelho,
Não consegui enxergar nada.
26 de Agosto de 2004 (Matheus Araújo Vieira, quando completei 19 anos de idade)

domingo, 4 de abril de 2004

Sonho

Fiquei com sono
Não me bateram à porta
Por respeito.


Peguei no sono
Não me bateram à porta
Por respeito

Adormeci
Não me bateram
A porta
Por despeito.