quinta-feira, 4 de maio de 2017

Homossexuais

Quanto mais eu penso a respeito, menos eu compreendo porque a sociedade discrimina, zomba e agride casais homossexuais. Eles dizem que não é natural. Mas o que há de mais antinatural do que negar a maior de todas as naturezas, a morte, em função de provar para a sociedade que você não é quem realmente é, afim de agradar algum tipo de Deus que você inventou para si mesmo, enquanto adapta a este mesmo Deus a tudo o que há de moralmente errado com você? O que não é natural é o medo de pensar que, talvez, a eternidade seja apenas uma maneira narcisista de não querer aceitar a morte e o esquecimento.

domingo, 2 de abril de 2017

A Saída

À mesa do jantar, nesta abastância de sabores

Perco o apetite.
Caio no mar
Quanto de mim espirra?
E quanto sobra para enviar?

Qual é o caminho?

Voa em direção à penumbra eterna
Dar o último gole, do último vinho
Segue no trilho da infinita caverna
Ou sustentar a morte com o amor.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Anapneo

Sonho como não deveria.

Deveria ser assim:

Da forma diferente de agora
Uma trilha na montanha leva pra cabana reclusa
Lá dentro não tem tristeza nem ansiedade

A gente olha pro mar e não sente saudade
De quem a gente é agora porque não sabe como é
Estar longe do que a gente não quer ser.

A gente anda na praia de mãos dadas
Com a sombra de quem completa nossas falhas
(Sem que as falhas voem para lá)
E sonha com o dia sem incômodo.
E com o dia sem gente,
Só com a gente.

O incômodo sem incômodo é incômodo menor
Não é assim tão mais cômodo?

Mas em um mundo sem tormento
Não há a beleza de movimento
A paz que eu espero desta parte
É a paz do constante envolvimento
Com o caos que envolvo esta arte.

Deveria ser, é assim:

Uma montanha erupta morro acima
Uma trilha para uma caverna confusa
Lá dentro não tem luz, nem felicidade.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Rock People

Você nunca será Disseram Não fui Porém sigo sendo Até enquanto houver ousar Mas ar enquanto está tendo Não hei O que quer que seja Que não seje Suje... Saja voa como voa a asa E vaza Ninguém se importa da sua importância Ou sabe da essência Como sangue em aberta artéria Arturia em sua lenda do ser No molde do teatro moderno Cumpro meu papel com feitio De fato em goma e falso estio Mas que impeça desta breve estilha de vida Dai-me então o pronto tiro Enquanto está ditadura morta Me dá preguiça. Do Basque até a Sevilha Cantabria é eterna lenda Celta afora nesta selva de matilha.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Você

Meu corpo
Não é mais minha cela embaraçada
Obscura e confusa
Confiscando os desejos.

Entra o pasto a rua cidadela
Passo, após, passo,
Andarilho pensante
Seu passo insistente e amante

Minha mente é a minha chave
E desde então nada é estranho
Sem cercas, portões ou células

Borboleta. Laranja. Libélula.
Aquelas coisas que só nós entendemos.

Subi ao patamar de anjo
Ou desceste ao inferno
Ou apenas nos vimos na rua
E nos reconhecemos.

Eu te vejo nesta vida cínica e teimosa
De fechar os olhos para a dor
De deixar-se seduzir pelo mundo
Optar a tudo, e no fim, ser amor.

E que me transforma no melhor que tem de mim
Sem que eu saiba direito quem eu sou.
E que se esconde em mim sem que eu sinta vergonha
De aceitar a vida com tudo o que ela traz

Faça bem ou faça mal, faça.
Não importa com qual pronome se conjugue
Apenas é isso, apenas me abraça.

Tudo fez mais sentido e mais clareza
Quando achei melhor sentir medo,
chorar de tanta tristeza,
perceber que a solidão é o prato principal
Nesta obscura mesa que é o universo
Do amor que trouxe pra mim
Nesta terça-feira de manhã
Em que não sabemos mais
Qual calendário seguiremos
Na hora em que baterem com a pá
Na porta de nossa última cama.

Apenas apenas
Diz que me ama.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Verdades não doem, mal caratismo sim!

Eu só peço licença para ser um idiota quando minha inteligência é insultada. To caminhando pela internet quando num texto que começa com "O difícil de ser feminista, é que de repente a gente percebe que homem dá nojo." Até aí tudo bem. Mas depois de ler e reler e reler, porque eu me dou a esse trabalho até mesmo pelos textos pequenos, eu percebo que o texto não é para abordar uma verdade universal, e sim pra falar das dores de uma mulher mal amada.

"A verdade dói, mas é melhor uma verdade que doa do que uma mentira que oprima."

Não consigo pensar em nada mais senso comum do que essa frase. A verdade doer é a desculpa para os covardes não abraçá-la completamente. A verdade não dói, liberta. O que dói é a distorção da verdade para conquistar objetivos individuais e mesquinhos.

Queria eu que a verdade fosse um deus e pudesse condenar a todos aqueles que fazem uso do seu santo nome em vão apenas para criar uma frase de efeito, um impacto impressionável, uma distorção da realidade.

Essa deusa da verdade pode vir como já disse o profeta lá, enfeitada em pele de cordeiro, mas na verdade ser um lobo. É uma pena porque eu gosto tanto de lobos.

Não existe pior coisa do que usar uma particularidade de sua própria vida e aplicar numa situação para torná-la universal. Essa é a famosa Anedótica, ou talvez a "falácia da experiência pessoal", onde as pessoas admitem que "se aconteceu comigo pode acontecer com todo mundo, então é verdade". Não, não é.

Separar a experiência pessoal do todo e falar sobre isso como sendo algo único é uma coisa, agora universalizar sua experiência negativa para criar um argumento sólido é uma coisa completamente diferente. Em se tratando de relacionamentos amorosos, toda história tem dois lados. Um lado é chamado de feminismo vitimista, enquanto que o outro é apenas o machismo paternalista crápula.

Haja vista que a maioria dos homens que entendem o discurso feminista acabam sendo machistas com culpa de consciência. Então, seguindo a sua mesma lógica anedótica, eu afirmo que nós homens machistas estamos sofrendo os males dessa criação paternal, que não é inteiramente culpa nossa. A contra reação já é por si só algo louvável, e o respeito e posição a favor dos direitos das mulheres, de querer que elas sejam livres para viver e fazer o que quiserem, já nos dá uma vantagem em relação àqueles homens que são machistas porque se sentem ameaçados. De certa forma, acho que por criação, ainda vai se levar muito tempo até que um garoto não seja educado com a consciência de gênero incutida no seu comportamento diário. Só cabe lembrar que existe uma diferença crucial entre a mulher ser feminista e a mulher ser o pior ser humano do mundo com as pessoas, e depois justificar suas atitudes sem ética e nem coerência no feminismo. Isso é que realmente me dá nojo. "Você não pode se queixar de eu ser assim porque eu sou livre, sou mulher, sou feminista". Ah faça-me o favor. Por Maria Deraisme vê se não fode comigo!

No fim das contas, isso só tem alguma utilidade se você realmente faz vez pra que isso te tire o sono. Como eu tenho mais o que fazer, deixa eu usar aqui o meu poder masculino opressor pra que esse discurso fajuto entre por um ouvido e saia pelo outro. De repente eu consigo entender o que Dalberg-Acton disse. E sim, como é ótimo estar absolutamente corrompido às vezes.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Amor da minha Vida

Às vezes te quero tanto como nunca
Como nunca quis nada da vida.
Às vezes te encontro assim, largada
Como refúgio, como sonho
Como ilusão perdida.

Sempre me engana e por isso
Às vezes te odeio
Às vezes choro por ti,
Agarrada em convulsão
Num travesseiro na cama.

Às vezes fico séria,
E quando me perco de ti
Tudo se alastra em drama.

Às vezes te amo
E como te quero
Começo o dia sorrindo
Tudo brilha, tudo é perto
Andar por cima é fácil

Às vezes chove
Essa metáfora dos românticos
Dos realistas e dos modernos
É fresco, é triste, é silêncio, é paz
Às vezes te quero tanto que não te quero mais.

Às vezes sinto vontade de ficar aqui
Agarrada aos joelhos, longe de ti
Às vezes quero apenas o teu conforto
A certeza de que é meu amigo

Tem vezes que me quero só, comigo.

Na maioria dos reveses
Reveze felicidade com tristeza
Isso com aquilo
Controlo-me, controla-me
Vejo o dia como dia
Ou como metáfora
Igreja vira vidro, ou fé
Prédio vira pedra ou moradia
Seu olhar às vezes dura
Mas às vezes fria.

Às vezes tu não sabes do que estou falando
Então só ouve o que quer, e segue sua vida
Às vezes queria ser assim, mais querida
Mais que esse olhar de superfície
Que não sabe do que falo, cria ferida.

E às vezes que eu me deparo com ti
Paro pra te pensar no tanto
Quando às vezes que quis tudo e não podia,
Morria.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Perdendo

Transborda de mim o mundo de minhas costas
Perdi dos meus olhos a minha criança
Cirandando por aí, vejo-a mal, um vulto
Persigo-a, adepta à covarde nostalgia
A nuvem flutuante que de seu canto vem

Dilui-se em alívio, um respiro, o ar
Tão simples, o ar.
A medicina para o pisar no chão

Aquele homem bom, com aquele manto, suas feridas, braços abertos
Não sei mais, até isso repousa na mente

Mas me promete amor?
Felicidades?
Não duvidar de mim?

Bebi, porém, sozinho, da fonte
Extraí o néctar da vida
Não foi por egoísmo
Foi por pura dor.

sábado, 29 de outubro de 2016

A Luz da Montanha

"Eu não vou solucionar a situação de vida dessas crianças, eu não sou governo. Eu adoraria mudar esse bairro, essa situação, mas eu não posso resolver o problema deles sozinho, estou aqui pra contar histórias, levá-los pro mundo de faz de contas e tirá-los um pouco da sua realidade dura" - Professor Jairo

Esta é uma citação que veio após o professor compartilhar um pouco da sua experiência de Contador de Histórias em um projeto Nossa Senhora de Caropita com crianças carentes.

Isso me faz pensar do quanto estamos infelizes com a nossa condição social e tendemos a projetar essa insatisfação no indivíduo, nos esquecendo dos principais culpados, os desgraçados que estão no governo.

Essa divisão ideológica que assola as nossas mentes é o principal alimento desses abutres que nos bicam nas costas quando não estamos percebendo.

Como professor, eu repenso a minha função. Repensar é fácil, o desafio é vivê-la.

Sou professor, não sou a solução. Minha função é, quando muito, mostrar o caminho. É apontar e dizer: "está vendo aquela montanha ali? Vê aquela luz lá no alto? Aquele ponto brilhante, que se move? Depois daquelas copas de árvores? Pois bem, ali está o seu sonho. O caminho é por aqui. Precisará sobreviver, então me escute com atenção. Não, não posso ir contigo. Cada um é dono de uma luz única, e com ela terá o que precisa para fazer o que sente para que veio, sua missão, seu motivo, sua razão de viver, chame como quiser. Eu não posso ir. O que tem ali é para você e apenas para você, não para mim, portanto apenas ouça-me e aprenda como te direi para chegar lá."

De certa forma querem que professores, médicos, policiais, juízes, arquitetos, engenheiros, profissionais em geral, subam na montanha e tragam a luz de cada aluno e as deposite em seus colos. Esta concepção está muito errada. Esta concepção explica muita coisa.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Amigos para Sempre: A mentira da geração Coca Cola

Eu não sei nem por onde começar.

Não falo por todos, falo apenas por mim, pela minha experiência, e isso aqui não é uma fórmula ou uma receita de bolo, portanto não me siga, apenas leia, se quiser.

Minha vida foi sempre vítima do idealismo televisivo. Acho que todas as nossas foram. Nosso comportamento foi condicionado, dia após dia, a ser de modo x, isso não é novidade para ninguém. Qualquer pessoa adulta com um mínimo de consciência sabe disso, e também não vejo problema algum nisso. Já vi pessoas com mais de 25 anos que brigam e perdem a cabeça porque o mundo não entra nos trilhos do seu trem individual (eu mesmo já fui um deles, até bem irritante), mas isso é puro narcisismo, escapismo, negação da realidade. A vida é o que é, ponto final.

Você pode me dizer: mas não podemos nos conformar. Esta resposta messiânica de que temos que mudar tudo o que nos incomoda é o que realmente mais me deixa transtornado. Porque honestamente eu gostaria apenas de ser e só. Só ser, simplesmente, sem ter que me sentir culpado que o meu ser esteja desagradando alguém.

Por causa disso eu desesperadamente moldei toda a minha adolescência para se encaixar nos eixos de outrem, em busca de amizade, de parceria, de compreensão. Abri mão de muita coisa para conseguir alcançar esse ideal. Mudei tanto de ideia, de religião, de crença, de descrença, que cheguei a um certo ponto que já não sabia mais quem eu era.

Para muitas pessoas isso vem de forma natural, são excelentes comunicadores, aquela imagem do rapaz que fala apaixonadamente sobre qualquer assunto e consegue torná-lo interessante, enquanto todos em volta escutam e riem. Lá está ele falando de quando comprou Danone mas queria na verdade ter comprado sorvete, e isso se torna mais atraente do que discutir energia geotérmica.

Ou a situação em que eu esteja passando por algum problema pessoal, e de repente surge aquela pessoa que me dá todas as respostas pro que eu preciso pra lidar com aquilo, nem ao menos que seja dizer: você consegue.

Foram muitas as vezes: as novelas, os seriados, os filmes, as músicas. Muita coisa mundo afora trazendo essa mensagem de que a vida sem amigos é uma vida infeliz. Isso é uma tremenda mentira, descobri hoje.

Mas porque ao mesmo tempo não consegui me educar em dizer: acredite em si mesmo?

Cheguei à conclusão de que a infelicidade de não ter amigos é equivalente a infelicidade de tê-los, sem o agravante de que precisamos buscar alguma coisa. É uma lacuna da vida que requer muita energia e disposição, toma muito tempo e no fim das contas, quando uma pessoa simplesmente se vai, traz uma sensação desesperadora de um tempo e investimento de vida que nunca mais terei retorno. Isso não é egoísta demais?

Por que imprimiram nas cabeças da minha geração essa ideia falsa de "amigos para sempre"? Não existe isso e nunca existirá. A pessoa que acredita que terá um amigo para sempre não deve estar colocando o seu tempo nesse mundo em perspectiva. Pessoas seguem em frente, mudam de cidade, mudam de pensamento, mudam de ideia, morrem, e na pior de todas as situações, decepcionam.

Viver sem amigos, de certa forma, não é de todo ruim quando se busca algo para si mesmo. Não quero aqui exprimir uma regra, é só algo que digo a mim mesmo para diminuir minha miséria, porque honestamente, cansei de tentar.

Sim, eu sou inconveniente, me entedio fácil com qualquer assunto, não gosto de falar de coisas mundanas, tenho interesses por coisas diferentes, não me choco ao falar de assuntos que todo mundo considera tabu como sexo, estupro, pedofilia, e pode ir piorando essa lista. Eu não tenho esse recalque moralista e sinceramente me cansa a covardia moral das pessoas em não querer falar de certas coisas, porque eu quero falar sobre elas. É como se eu estiver falando de estupro as pessoas automaticamente começam a pensar que eu concordo com o estupro, ou que eu gosto de estupro, ou que eu estou motivando o estupro, e só isso já demonstra a forma covarde como todo mundo lida com as questões da realidade. Então vamos ao escapismo: amigos para sempre. Eu gosto de assuntos que muita gente considera entediante, e já me cansei de tentar ser desinteressante para que me considerem interessante. 

Ou tem aquela situação em que você tenta fazer amizade com alguém que não te dá abertura, e as conversas não passam de monossílabas, e logo depois de um tempo você passa a se sentir um verdadeiro imbecil que está implorando pela atenção de alguém. Esse jogo social é muito cansativo.

Amizade para sempre. Que patético. Não, não existe. e a partir de hoje eu vou passar a repudiar qualquer pessoa que tente imprimir esse conceito de sempre na minha cabeça. Nada é para sempre no que diz respeito à vida humana, é tudo uma ilusão que criamos porque não queremos aceitar a ideia de que um dia iremos embora daqui e ninguém mais vai se lembrar de nós. Ninguém mesmo. Seremos varridos do planeta e mal teremos vestígios de que um dia aqui habitamos.

Quando começamos a ler sobre ideias incríveis do tipo multiverso, teoria das cordas, matéria escura, percebe-se o quão mundano essa ideia de amigos para sempre se torna. Imprimir todas as nossas perspectivas na crítica alheia é algo que me faz sentir pânico e paranoia ao mesmo tempo.

Durante muito tempo, para se poder ser amigo para sempre de alguém, era necessário estar à disposição de agradá-lo. Não só isso me tornou uma pessoa fraca e covarde como me fez sentir incômodo por qualquer pessoa que aja de forma diferente da que eu espero.

Eu posso naturalmente conhecer uma pessoa e ter tudo o que ela possa me oferecer naquele momento, por sabermos da fragilidade da vida, ali, naquela hora, sem esperar que ela esteja comigo pelo resto da vida. Não há necessidade, é esperar demais de mim, é cobrar demais dela.

Por que eu faria isso? Por que eu submeteria uma pessoa a ser completamente diferente do que ela costumava ser apenas para que ela possa me fazer bem, ou vice-versa? Por que simplesmente não encará-la como uma pessoa que é livre e independente, e deixá-la seguir o que quiser como eu poder seguir o que quiser? Por que a interação entre duas pessoas deve-se dar sempre nesse campo do idealismo?

"Não podemos mais ser amigos porque não acreditamos mais na mesma coisa". Por que não? Seria o mesmo que dizer que uma palmeira não pode dividir o mesmo espaço que uma alga apenas porque elas se desenvolveram de forma completamente diferente.

E é por causa desse narcisismo e egocentrismo moderno estúpido que vemos um crescente de pessoas desesperadas porque não conseguem encontrar alguém que se encaixa com elas, ou não conseguem fazer com que alguém as ame. É cruel demais, simplesmente assim.

Apenas cansei de sofrer por causa desse idealismo, amizade. De forma tão óbvia, e simples, e chega mesmo até me dar raiva do tempo que levei para perceber isso, pensei: se fosse por não ter amigos, pare de querer tê-los. Sua vida ainda pode ser boa assim. E agora sinto um alívio como não sentia em anos.

Uma vez disseram: "se quiser ter amigos, seja um, eles virão". Vejamos então.

domingo, 16 de outubro de 2016

Apoena

Nessa casa que aí passeias
Há anos que habito
E tudo que faço não é por hábito
Só não gosto da casa suja

Querê-la silenciosa
Calma, presente
Sem aquele ardor iludido de ontem
De quando temos todas as respostas

Nessa casa que aí passeias
Há tempos que são só perguntas
Ambiente arejado, fresco, incômodo
Senta aí é só ouve o quanto é difícil

Tem coisa que fica porque ser humano
Como essa vidraça que o olho ofusca
Mas quando foca, limpa.

O que não se sabe é que a fachada é feia
Mas por dentro
Tudo é combustão por culpa
Por ter nascido como é

Mas não há parede que não possa ser derrubada
E feita de novo
Dá-me tempo
Encontrarei as ferramentas certas
Mas não para você

Essa casa que aí passeias
Ela é minha
E há tempos que por hábito
Habito.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Eu posso não ser tão bom com crianças, mas eu sou ótimo com plantas, cachorros, gatos e outros tipos de animais.


Non posso essere buono con i bambini, ma sono eccellente con piante, cani, gatti e altri animali.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Elogio uma anônima passada

Estava vendo um filme pornô um dia desses e me lembrei de você. Eu sei que soa mal educado, mas na minha cabeça isso é bastante lisonjeiro. Eu lembrar de você me desperta meus instintos mais animais, que no fim das contas, é a única coisa em que eu realmente acredito, porque eu posso ver minha própria ereção.

Peônias após a dinastia Han

Enxofre, carvão, nitrato de potássio

Badala o sino anunciando a missa
Perco a missa

O café amarga, azeda, queima
Sem a fumaça do consolo

Largo ali a xícara
Que permanece por uma semana

Porta entreaberta, todos os dias
Espero alguém chegar
Ninguém chega.

Luz vai e volta sozinha
O calor existe, mesmo debaixo da sombra da árvore.

Ouço um choro na caverna
Nesse som que bate no fundo e ressoa.

Badala o sino anunciando a missa
Perco a missa.

Caverna escancarada, todos os dias
Espero alguém chegar
Ninguém chega.

Bebo o café, acabou o café

Largo ali a xícara
Que permanece por um mês

Odeio o lago da calmaria
Quando se tem medo de nadar

Badala o sino anunciando a missa
Perco a missa

Mar aberto, escancarado, agitado, calmo, todos os dias.
Espero alguém chegar
Ninguém chega.

Badala o sino anunciando a missa
Ninguém chega.

Enxofre, carvão, nitrato de potássio.

Pedaços de porcelana ao chão.
Ninguém chega, todos se vão.

domingo, 2 de outubro de 2016

Soma numa conversa com Aldous Huxley

Na festa em que todo mundo vai,
Permanecer
É a melhor forma de protesto

Célebre como ponto radiante
Irradia tudo
De luz fresca ao negro véu cortante

O que importa é o que importa
O que não vale é o que não vale
O que não quer, joga-se fora
Nenhum resto é fora de moda

Pedintes de vida também precisam de vida.

Não há nada mais irresistível do que um pedinte onde tudo sobra
Do que um choro convulsivo onde tudo é sombra
Da verdade onde tudo é cobra.

Nesta era em que o sorrir é quase uma tortura
Chorar pelo direito ao mal-estar
Parece ser a única forma de cura

Naquela hora em que é quase obrigatório o riso do palhaço
Fazer o caos sem explicação é o maior alívio
Da covardia senil, falsa, em estardalhaço.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A Internet aproxima as pessoas? Ou um desabafo de uma pessoa que não aguenta mais de tanta solidão.

Eu sou um grande crítico de iniciar postagens com interrogações, porque isso passa a impressão de que eu não tenho certeza do que estou dizendo, mas para o caso a seguir, isso faz jus ao que eu quero dizer.

Não tem jeito, mas nós, jovens dos anos 80 e 90, que passamos boa parte de nossas vidas sem ter noção de que era possível um futuro em que as relações humanas interagiriam por intermédio de computadores, é difícil ainda aceitar um fato: vivemos a era online e isso não vai deixar de ser parte do cotidiano humano tão cedo.

E por anos a fio eu tenho escutado a premissa do porquê a internet é algo positivo para nós: ela aproxima as pessoas. Mais especificamente, as redes sociais, e-mails, canais de streaming, tudo nos dá a ilusão de que o nosso amigo que mora em outro continente está logo ali do nosso lado.

Agora vamos falar um pouco sobre o que é estar perto.

Estar perto no que diz respeito a termos acessos a fotografias selecionadas ou pensamentos recortados de um dia a dia entediante de nossos contatos? Ou quando temos a vantagem de estar em contato com gente de outras partes do nosso círculo social?

Mas o que eu ando percebendo é que isso é só mais uma das grandes mentiras que contamos a nós mesmos para não encararmos a realidade de que estamos vivendo uma realidade de merda. Não há como ter um diálogo rico e inventivo através de um site, uma vez que por mais disposto que se pareça, existe uma preguiça muito grande em se desenvolver uma conversa, a menos que haja um interesse muito intenso por trás dela, afim de que todas as conversas não passem de diálogos pobres e monossilábicos. As pessoas tornam-se fortalezas inacessíveis em que o máximo que conseguimos delas é o que elas estão fazendo naquele momento. Essa proximidade é falsa.

Como se não bastasse, combinando de encontrar essa pessoa, e vivê-la em caráter tempo real, não conseguimos extrair dela nada mais do que impressões superficiais do momento presente. Não se sabe mais a data de aniversário, a cor preferida, o nome dos pais e dos irmãos, essas coisas.

Eu venho sentindo esse incômodo de tentar me aproximar de pessoas inaproximáveis, que se fecham em suas preguiças de tentar mostrar um pouco mais de si mesmas. É triste, é a plastificação das relações humanas. Ou de repente é a mais pura hipocrisia e falsidade que permeia a vida adulta, que para mim não passa de um jogo de egos obceno e hostil.

sábado, 10 de setembro de 2016

Dez de Setembro

Amarelo
Porém preto constante

Trem em movimento
Ponte elevada
Cicuta
Som de disparo

Tanta gente querendo
E você sem querer

Mas sem querer eu não quis
Enquanto quis
Ninguém queria

Engraçadas estas coisas

Ninguém aplaude quando a moça dança
Ninguém se cala quando a moça sofre
Ninguém ajuda quando a moça morre

Num Domingo qualquer
A missa do sétimo dia vai ser
Mas vai ser pra expiar os erros

Enquanto isso, enquanto quer
A gente namora na praça
Ninguém se lembra mais

Amanhã nasce um outro sol
Que será o mesmo em nome do Pai.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Meu caso com Anna O.

Hoje, nesta tarde fria e nublada
Estarei te esperando, de coração,
Levando-te para todos os vazios
Pelas quais minha mente passeia

Depois da meia noite
Estarei só, ainda aguardando
Antes de que a gota caia surda
Deixa-me saber que tentou.

Leve-me daqui até onde der
Infinito, belo ou impossível
Faça-me apenas sentir livre
Enquanto olho pro inalcançável horizonte.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

A valsa de máscaras de Bethlem Royal

Leve e irrequieta a noite vai chegando
E sei que contigo ela o traz em seu encalço
Um misto de inquietude intensa me desmancha

Tuas garras, mãos delicadas acercam-me fortuitas
Perco-me só, isolada, não sei o que faço
Esgueiro-me furtiva, finjo estar falando, estou quieta.

Fecho os olhos, acalmo-me, sei que estás me olhando
Pego um copo, outro copo, outro copo, outro corpo
Sorrio em nervosismo, morro em silêncio, afundando.

Levanto-me, deito-me, sento-me, levanto-me
Um outro copo, um outro corpo, o coração palpita
O pensamento, túrbito, se escancara enquanto eu quase...

Tu chegas, suave, sorri e não me aguarda
Segura-me nas mãos, eu me levo, indefesa
E quando menos quero, estás em mim

Estás em minha vida, em meu corpo, em minha roupa
Estás em minha cama, estás na minha gente, sem licença
E tudo o que de mim conheço, não dura mais que um beijo

E este beijo, ele é frio, deixa-me a sofrer
E de mim sei, não te preciso, mas estás aqui, um vício
Observa-me enquanto tremo, quero ir morrer.

Essa mancha escura em meu peito, de tormento mudo
Que na vigília extensa me sufoca, me intranquiliza
E sua-me, asfixia-me no leito, não tenho escudo

E você, que condena-me a sandice à tortura
Transparente pessoa por fora, pessoa por dentro
Em explosão ardente no peito, sem candura.

A multidão passa, sou só uma mulher plana
Nada do que está dentro está óbvio
O que parece amor, é mais que uma intensa chama.

Sou só uma mulher, nem de mulheres ou de homens
Terei a atenta vista, sofrendo por isso, incógnita
Calada, disforme, valsa de máscaras, sem nomes.

Dirão, no fim, que foi a causa da mais solúvel.
Tão simples assim, sem profundeza de pensamento.
O complexo se deixa, porque é fácil deixar ao relento.

Terão o verso por superfície, isso não é uma dedicatória
Pois quem souber a quem, diga-me, não entendo,
É claro que enquanto houver, não haverá história.

sábado, 16 de julho de 2016

Vamos falar sobre o feminismo

Vamos falar de feminismo.

Sempre que me perguntam sobre o feminismo, eu digo que não consigo ver coerência em um homem ser feminista. Feminismo é uma luta da mulher, é uma busca pelos direitos igualitários em relação ao homem, dentro de uma sociedade em que homens prevaleceram por séculos. O máximo que posso fazer é dar o meu apoio.

Eu percebo que a minha sociedade brasileira tem uma inteligência social muito limitada no que diz respeito às questões de relação com outros grupos, uma vez que preciso ver oposições falaciosas para desaprovar e injustificar lutas sociais como feminismo (mas e quando a mulher chama o homem de gostoso?) e racismo (se um negro me chamar de boneco de neve, isso não é racismo?). Tal postura é covarde, ignorante e falaciosa. Feminismo e Consciência Negra não existem para contrapor a predominância e tomar o lugar do Machismo e do Racismo, mas sim para acabar com isso de uma vez por todas.

Agora como o machismo é prejudicial até mesmo para os homens? Existem homens peculiares, que tem atitudes e comportamentos que não condizem com o que é esperado de um homem. Por causa da sociedade machista, é esperado do homem um papel que é fisicamente e psicologicamente desgastante, como por exemplo, o de ser o provedor da família, algo que, nos dias atuais, tem se tornado cada vez mais difícil. Existe uma questão de auto estima caso uma mulher passe a ganhar um salário melhor do que o homem. As implicações psicológicas que recaem sobre um homem por causa da predominância machista são tão prejudiciais que nem ele mesmo é capaz de perceber. E como um homem poderia responder a isso? Esse tipo de violência psicológica não fica inerte, como toda interação social, isso também corresponde a algum tipo de reação: adultério, desinteresse em progredir financeiramente, abandono das obrigações familiares, etc, etc. Coisas que o tradicionalismo tende a confundir com honra ou responsabilidade, não passam de uma cobrança constante sobre a cabeça dos homens para manter um papel que é esperado pela sociedade. A luta das feministas é, em primeiro lugar, e principalmente, uma causa em favor das mulheres, mas defendê-lo rompe com um modelo de sociedade que nos torna obsessivos por poder, por sucesso e por conquistas imaginárias impostas por uma sociedade consumista.

Eu também, como um apoiador do feminismo, vejo-me no direito de ser um homem incomum. Não sou menos homem caso uma mulher seja financeiramente mais poderosa do que eu, afinal, cada um sabe das metas que traçam para si.

Viva o feminismo, e que tenhamos mais mulheres poderosas e menos homens com sentimento de ameaça.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A Triste História de Dali Salvador

A Triste História de Dali Salvador


Essa é a história de um pintor triste
Vindo de um reino distante, seu nome é Dali Salvador,
É, porque ele ainda existe, e tão triste é sua história
Que a cidade definhou, sem um pingo de memória.
Dali Salvador, pintor artista de mão cheia
Sabia de todas as técnicas da época
Pintor de bons santos e santas ceias.
Paladino da alegria e da ternura
Um relance em um quadro seu
Era uma benção e alegria que perdura.
Mas como toda vida o sossego estranha
para Salvador algo lhe faltou
Uma donzela que não só o seu olhar
Mas seu coração ingênuo roubou
"Oh musas, que tanto me deram" clamou
"Daria tudo por uma última pintura
Mas que pudesse conquistar tamanha candura"
O clamor foi tão sincero e tão honesto
Que um trovão num dia quente ecoou
Assustado, Dali saltou, do momento funesto
"Dali Salvador, nobre criatura" disse a musa
"Estava ali ocupada com meus afazeres eternos
Como não pude escutar sobre a sua perdição
Artista belo do nosso tempo, de puro coração?"
"Oh musa, ouviste minha prece
O que faço com este amor que me apetece?"
"Teu amor é especial, pois tão especial é tua conquista. Levará o teu amor com algo que jamais estivera em sua vista"
"Busque nos confins do reinado, dos galhos de uma floresta encantada, nas profundezas do seu lago, e nas cerdas de um mágico corcel, tudo o que precisas. Dos galhos fará um cabo, da água, uma tinta, e das cerdas, um pincel."
"Desta tinta pintarás sua amada em sua mais bela forma
Ausente de tudo o que é pecado, de tudo que é mal"
Com o coração ardente, Dali Salvador partiu em sua busca
Enfrentou perigos que nunca imaginou. Pra aventura não nasceu, era artista. Mas seu amor era fogo, e diante dos perigos do mundo não feneceu.
Durante 7 dias peregrinou, quando as mãos na lagoa encantada se lavou. Encheu seus frascos e 3 galhos do chão recolheu. O corcel, domado, roubou suas cerdas, e dali pra volta viajou.
Ao longo do trajeto forjou os seus pincéis e sua tinta, e já tinha o coração em brasa. Imaginou-se, par em par, feliz e completo, e dali mais 7 dias, na cidade se encontrou.
Mas algo estava errado, algo era novo, diferente e assustador. Os muros outrora alegres, eram cobertos de musgo e limo. O ambiente alaranjado e sorridio, deu lugar a um ambiente de murmúrios e amargores. "Olá" dizia com preocupação, mas ao fundo só se ouviam uns tambores.
Pois soube que ali se instalou o novo Duque da região. Pretendia em um duelo, provar ao pai de sua donzela a sua mão. Dali Salvador aceitou em silêncio, provar o duelo com sua arte, e entregar a sua amada o seu tesouro.
Passou dias confinado em busca do que já sabia, "mas como dar vida nova à perfeição?" a si mesmo dizia, quando mais uma vez à sua musa ele clamou:
"Oh musa, pela última vez, eu te suplico e te prometo. Dai-me a luz do que preciso, e em troca tudo lhe dou."
"Como bem já esperava, digo-te como pintar sua amada. Mas em troca também desejo ser pintada."
"Tão simples tarefa por tão difícil exigência?"
"As musas pedem pouco por tanta clemência" disse a musa a seu artista.
E com toda a orientação, uma obra prima, em poucas horas, podia ser vista. Era a pureza em tinta e tela, era a beleza em meias pinceladas, tornando quase em vida uma pintura, laçando seus encantos em moldura.
"Agora vamos, pinte-me como combinado"
"Para tamanha exigência, faço de bom grado"
Pobre Salvador que mal sabia o que fazia. Pintou sua esperança e sua tragédia, ambas no mesmo dia.
Carregou Salvador o seu prêmio até sua amada, porém foi tarde. Já estava ela feliz, apaixonada, envolvida e desposada, O Duque de quem tanto se falou, lançou-lhe aos olhos o ouro, prêmio maior e de qualquer outro valor, que aos corações tão ansiosos seduz, não há valor maior num mundo em que pouco reluz.
Não sabia o que sentir o amargurado pintor. Seu ódio e imagens do apocalipse de seu pincel brotou. Sentiu medo da solidão, o que nos deu túmulos, sepulturas, casas de terror e de perdição. Sentiu uma tristeza, pior que a tristeza dos poetas, e o horror deprimido de sua fantasia nos deu essa pintura, a sua última face, diante do que resistia.
Em sua busca, pouco antes de desistir da vida, Dali Salvador pode perceber. Muito pode se fazer enquanto se reveste em ornamentos pueris, mas nenhum deles é capaz de ser manipulado e preso em uma moldura. O coração dos homens não se comanda, nem com encantos, nem com pintura.
Morreu infeliz e só, mas sua própria cara pintada em tela ganhou vida. A musa que pintou em tinta ganhou vida, e a tudo que a cercava, deu a vida, ainda que a vida triste.
Essa cara, eterna expressão de dor, é para que a gente nunca se esqueça dessa história triste. A história triste de Dali Salvador.

Reforma

A lâmpada pisca acima, são seus sinais de sobrevida
Quase não a noto, quase não percebo
Há muito ruído lá fora
Muita responsabilidade que ficou por ser cuidada
Muita louça na pia por ser lavada
Muita roupa suja por ser lavada

Na última canção do violão uma nota ficou vaga
Sobrou no ar, perdeu-se no espaço
Quase não se pode escutar o que ela soa

Talvez um branco gelo na parede para encobrir esse encardido
E depois pegar a mochila, sair por aí
Ver o mar ou as montanhas
Andar errante, pro lugar desconhecido
Ou tentar, quem sabe, preencher o espaço vazio de tudo.

Não se cabe em si tanto quanto lhe falta
A lâmpada enfim morre e só sobra escuro
Sobra tanto que se esparrama pelos braços e cabelos
E os cabelos, esses cabelos sujos, sem comportamento

Bate-se uma porta tão forte na casa ao lado
Assusto-me mais com a porta do que com os gritos
Mas tudo bem, mistura-se aos gritos da galera
A galera da rua que grita pra não ser desgraça
Esses gritos de felicidade incauta pra afastar a beleza da cisma social

Gritar é a única coisa que ainda pode-se fazer
Quando não se pode nem falar do próprio nome

Essa mania tola de existência constante
Em que estamos todos em todo lugar
Menos em si mesmo, mesmo aqui.

Não cabe em si e em lugar algum
Nem em parede branca
Por baixo, saberei, estará sempre sujo

No escuro, uma explosão!
Pow, pow pow!
Momentânea, assustadora, fisicamente impossível de ser!
Até que o teto caiu
Abriu um buraco no chão
E saiu um pedaço de nuvem!

Estávamos idiotas demais de felicidade
Pra entender o que aconteceu.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Vaso

Este alvo trabalho em lama branca
E um sopro de Deus que deste vida
Deste vida e nada mais
Podias ser 
um vaso 
de jardins ornamentais
Mas és oco, e só.
Posto indiferente em um 
corredor
pouco 
circulado
Quantas vezes passarão 
por ti
Para verem que és 
um 
Vaso quebrado?



quinta-feira, 17 de março de 2016

Carta Aberta a um certo Professor Japonês Indignado

Eu sou filho de nordestinos, paulista, mas me considero mais nordestino do que paulista, e é graças ao nosso jornalismo fajuto, que há mais de 14 anos envenena a cabeça dos seus cidadãos, parece que a minha descendência anda vindo com um certo falso DNA: sou petista, sou vagabundo, uso bolsa-família, roubamos o emprego de algum paulista aí.

Não sou nada disso. Eu não sou um estereótipo. Você é de humanas, não deveria se basear em estereótipos, pelo contrário, sua licenciatura tão sofrida deveria ter te ensinado a ser um investigador incansável, e saber analisar caso a caso. Julgar as pessoas por um DNA pré-estabelecido é o que fazem os números, e isso apenas para o levantamento da estatística. Até mesmo uma pesquisa vox populi carrega mais humanidade do que essa verborragia grotesca e sórdida.

Pois bem, a você que enche a boca para falar numa sala de aula, cheia de adolescentes em formação, todas as ilusões que você acredita serem verdades, que não passam de um alívio imediato de uma indignação que sequer você mesmo entende, aqui vão algumas palavras: eu sou sempre a favor da rebeldia e indignação com o mundo. Sou um anti-conformista, um anti-moralista por assim dizer. Mas esse sou eu, e como professor, cabe a mim mesmo me policiar da minha conduta, da minha postura e das minhas opiniões. A minha palavra cai de forma desfavorável num ambiente cujo sistema mede tudo pela dicotomia do certo e o errado. Não é à toa que temos um dos piores sistemas educacionais do mundo, e você está contribuindo para isso com a sua estagnação intelectual.

Existem documentos e leis que me previnem de ser um doutrinador em sala de aula, e até mesmo existe um código de ética. É uma relação completamente vertical, pois apenas quem tem a palavra, o professor, tem o direito de expressar a sua opinião. Qualquer opinião contrária é vista como errada, por mais que certa. Existem muitos profissionais colegas que se aproveitam dessa posição de vantagem para fazer uso de discursos totalmente tortos e descabidos, passando por cima das crenças e experiências individuais de qualquer aluno, subjugando-os de forma petulante a falas totalmente desconexas do foco educativo. Não estamos em sala de aula para ditar o que eles já sabem, que é a formação de uma opinião pessoal e crítica.

Isso é a típica atitude de um imbecil que perdeu completamente a linha e a noção do que está fazendo em sala de aula. Não, você não usa a sua sala de aula para doutrinar seus alunos e impor, como o pior dos ditadores da palavra, que a sua verdade é a verdade universal. É simplesmente covarde e de baixo nível. E não, você não destila preconceitos sem logo, mais tarde, exigir seu direito de opinião ou benefício. Por que demonstrar tanto ódio pessoal por pessoas que estão ali por uma mera relação profissional, e que serão passageiros? Portanto, eu repudio você, e da mesma forma que você pede que a presidência atual seja impedida, eu espero que a sua licenciatura também, pois a meu ver, não existe nada mais corrupto do que mentir para mentes em amadurecimento apenas pra satisfazer a sua sede por verdade.

Nós vivemos em um país desigual, não importa o quanto você tente negar isso pra não lidar com a dureza dessa realidade, nós vivemos em um país desigual, ponto final. As pessoas estão em um lugar por um motivo, a sua postura estúpida e nauseante deveria estar em outro lugar, onde as mentiras podem correr soltas sem sofrer o prejuízo do julgamento, ou melhor, sofrendo mesmo sob um medo invisível, como em uma Igreja por exemplo.

Mas como colega também, imagino que ao longo de suas aulas exista a atitude de uma formação crítica de seus indivíduos, e isso me dá a esperança, pois é essa a formação que os dará a liberdade de te considerar uma idiota.

PS> Existem idiotas em todos os lugares, inclusive no Japão.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Astreia

Lembra de quando conheci
E depois de algum tempo
Te conheci

Da primeira vez em que te vi
Como se fosse a primeira vez em que te vi.

Lembra dos dias de calor
Do corpo suado sem se importar
Lembra dos lençóis amarrotados

Lembra de quando tudo era presente
Sem ansiedade, sem preocupação
Lembra da minha mão na sua mão

Lembra da primeira porta que batemos
De quando entre um e entre outro
Havia uma janela aberta

Lembra das noites descobertas
Com o turbilhão no pensamento
Da solidão, do tormento

Lembra da música que dizia tudo
Que era como um casamento

Lembra do ruído incômodo da noite
E de repente o som tornou-se mudo.

Lembra do sorriso da manhã seguinte
Do coração leve e perdoado
Lembra do arrependimento

Lembra quando notamos a primeira falha
Quando a voz causava furor
E quando despertava o amor

Lembra quando quis acordar contigo
E quando quis acordar sozinho
E quando quis acordar comigo
E não quis mais ser meu amigo.

Quando fomos ao parque sorrindo
E retornamos chorando
E quando nos encontramos no meio do caminho
E voltei gynos
E voltou andros

E quando te vi, menina
E quando te vi menina
E quando te vi, mulher
E quando te vi mulher.

Lembra quando surgiu sobre nós
E parou entre a lua e o sol
A luz forte da estrela Libra

Quando dia e noite se misturam
Quando som e silêncio se agarraram
Quando és meio homem, meio mulher
Sem saber como começou, ou como terminou.

Lembra quando a culpa de tudo era minha
Quando a culpa de tudo era sua
Quando a culpa de tudo era nossa.
Quando a culpa não existia.

Quando era Zeus e Têmis
Afrodite
Apolo
Atena

Lembra quando todo poema de amor surgia
Sem que a vida fosse tragédia.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Idéia

Efêmera como a respiração
Cristalizamos o nada
E por ele matamos e morremos
Vivendo os mesmos dias de cada vez.

Quando te disseram que eras único
Mentiram para ti
Não és único.

E te disseram que voarias alto
Mas não tens asas
Nunca terás asas.

E quando te disseram
Sigas teu coração
Seguiste, e viste que nada te aconteceu
Pois é só um coração.
É apenas sangue.

E quando sangraste
Disseram: sangra pelo que é sagrado!
Mas tudo o que ficou foi dor e cicatriz.

E tua platéia se foi sem apagar a luz
O lixo ficou no chão para que tu apanhaste.
Dali ninguém te comentou
E ficou aquela emoção tardia de que talvez nada tenha mudado
E não mudou.

Tu não és a natureza que muda sem querer que mude.
Nem o impávido que joga a pedra no mar
E não se importa com o que transborda.

Não é a natureza quando não sentes vontade
Ou ao menos a natureza quando tua vontade
É a vontade dos outros.

E quando te disseram: a vida valeu apena!
A vida não valeu a pena
Foi apenas um breve instante
E a menos que tu deixes uma lápide
Mal serás uma memória.
Serás, tanto mais, pó atrás de pó atrás de pó.

Não serás o molde que forma teu horizonte
Sobrarás o resto de ti
Apenas aquilo que te lembrarão.
Mas não serás o que quer

Amanhã, na porta de tua casa, talvez no auge do meio dia, pode ser que te tragam uma flor.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Das justiças desse magnânimo mundo!

Enquanto uns nascem para advogar, outros se prestam a dar palestras ruins. Por alguma razão que a dicotomia não explica, ambos podem coexistir.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Daquele Artístico Cinismo Feminino

Se bem me lembro ele estava lá na dele, ruminando sua auto comiseração, atormentadamente em paz, se perguntando porque diabos ele estava naquela festa sendo que ele poderia estar se queixando de solidão sozinho, quando aquela garota super "cool" o tocou no ombro, e tinha uma voz típica de adolescente que acredita que tem o mundo em suas mãos: "e você não dança?".

Nessas horas não ter o dom da clarividência é uma maldição. Um envolvimento romântico e ingênuo conduziu-o a vários dias de tormento desnecessário por estar acorrentao a uma ideia, não à realidade. Porque se a realidade pudesse tomar forma teria-lhe chutado nos escrotos e dito: "aparta-te deste diabo!"

Confusão mental e mais auto depreciação foi o que ficou, e aí você teve de se reerguer sozinho, e eu aqui, vendo tudo repugnado e sentindo pena do seu comportamento patético.

Mas ei, deixa isso pra lá, estou falando de outras pessoas e não quero ficar aqui dando motivos óbvios pra chamar a atenção do ego de alguém, afinal, de que adiantam índios, poetas decadentes e pretensiosos dos anos 80, e uma arte meio que pra atrair platéia, além de um cinismo e arrogância de nunca saber dizer "me desculpe, eu errei", se não for pra, bem, pra isso mesmo, dizer "me desculpe, eu errei".

O que você pode dizer com quem conviveu contigo por tanto tempo e ainda é capaz de dizer que tem uma mente limitada? Sua mente é atormentada, claro. Você pensa em suicídio quase todos os dias, tudo bem. Você vive se remoendo aí dentro por causa de conflitos emocionais mau resolvidos, isso a gente também sabe. Você também sabe que precisa de um controle mental muito grande pra suportar tanta coisa que já te causaram até hoje, e por causa disso mesmo vive nessa ilusão de perseguição... pra falar a verdade, já que citei tudo isso, quando é que você vai se tratar hein? Do que eu estava falando mesmo?

Ah, claro. Esse cinismo em dizer que o que disse foi entendido errado, essa falácia tão de baixo nível em dizer "não fui em quem disse isso, você que entendeu assim", em que até a mente mais insólita pode se deixa levar, se resigna e vai, com a missão grotesca e imoral de se desculpar pelo que não fez, é isso o que fode o espírito do filósofo.

Então deixa eu dizer de forma bem clara: se dê ao direito de pensar por uma vez na vida que existem pessoas tão grandiosamente filhas da puta nesse mundo que elas conseguem até mesmo fazer com que a sua tristeza seja unicamente culpa sua. Vá lá amigo patético, abra seu coração e sinta raiva, porque você sabe que isso passa e que ninguém precisa te ensinar a viver, ou a ligar ventiladores, e tacar pedras e plantar flores. Todo mundo sabe a diferença entre flor e pedra: nessa vida, pedra começa com "P", de Puta!

Esse é um texto de um alter ego raivoso, alguém que também se dá o direito de se passar por outra pessoa, afinal quem tem que provar algo pra alguém é um espírito fraco e necessitado dos outros.

O que sobra é amor, mas ele fez uma pausa porque agora está profundamente magoado e tem esse direito.

Obs: Esse texto contém incoerências, mentiras, falcatruas, falha de caráter, egoísmo, narcisismo e ironias. Tudo em uma forma de pessoa só. ;)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Adeus recebido, agora me deixa ir.

Enquanto caminhava na minha estrada, não era uma adolescência tardia que eu buscava. Houve um momento em que a voz do menino se calou e passou a tentar parar de ter medo, porque todo mundo tem medo. Se não tenho psicólogos na vida, nem amigos, nem pessoas que possam estar dispostas a acompanhar a minha loucura, então de verdade, me deixa ir.

Mas não me diga que não tentei, não me diga que não amei, que não me sacrifiquei, que não tentei crescer antes do tempo, que venci meus medos individuais, que superei barreiras, que passei noites em claro pensando pro bem e pro mal, que não me doei. Mas me doeu, e por isso é que fui. Porque chegou uma hora que minhas palavras eram tipo canto de pássaro. Algumas pessoas acham bonitas, outras pessoas acham incômodas, mas no fundo, ninguém entendia. Na tentativa de ser sozinho a dois, optei por ser sozinho sozinho.

Uns tem medo de passar a vida achando que não aproveitaram o suficiente, outros tem medo de dividir sua vida com outras pessoas e acabam crescendo uns sociopatas dementes, mas todo mundo aqui tem o seu direito à sol ou sombra, e claro, água fresca.

Fui tarde, mas tentei até o último minuto. Amar em liberdade não permite incoerência, não permite ciúmes e nem insegurança. Amar em liberdade não permite medo, então se houve enclausuramento, essa gaiola foi construída a dois. O que faltou foi o que se perdeu: cumplicidade. Mas toda paixão nova e diferente começa sempre do mesmo jeito. O pior é cometer os mesmos erros.

Deixa eu ser egocêntrico porque a referência é clara.

Il sistema educativo

Ingredienti: Arancia, Fragola, Latte, Arachidi, Fagioli, Patate dolci, Ribes, Broccoli, Lattuga.

Preparazione: Masticare, spiedo e cuocere in forno.

Solo risultato atteso e ha chiesto: Vitamina da Banana

Questa è la nostra società pensare dell'educazione e della politica.


=====================================================================/
Ingredientes:

Laranja, Morango, Leite, Amendoim, Feijão, Batata Doce, Groselha, Brócolis, Alface.

Preparo:
Mastigue, cuspa e leve ao forno.

Único resultado esperado e exigido:

Vitamina de Banana

Essa é a nossa sociedade pensando em educação e política.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Reorganização Escolar

Na boca do povo, todo mundo sabe que existe uma justificativa para a depredação do sistema educacional que, na minhas observações, já caiu por terra faz anos, de tão óbvia:

"Os políticos não querem uma educação de qualidade porque é mais fácil de manipular a população."

E essa frase, que poderia ser um símbolo de despertar da consciência, que eu já escutei em tantos lugares e vindo de tantas classes de pessoas e trabalhadores diferentes que já se tornou quase um provérbio, me faz pensar: se temos a consciência de que a educação é a chave para a não manipulação, porque nos deixamos manipular então? Se temos a consciência de que precisamos de uma educação de qualidade, então porque não vamos em busca dela? E digo isso tomando como ponto de partida a atitude mais simples de todas: estudar. Se sabemos que é necessária uma busca constante pelo conhecimento, então porque permanecemos inertes à vida, apenas recebendo o produto mal elaborado da indústria cultural, sem que por alguns minutos, possamos desenvolver nossas defesas contra ele, e travar um caminho mais livre, independente? Por que relutamos tanto em saber?

E isso, o saber, pode significar inúmeras atitudes diferentes, que foram discutidas, pensadas e repensadas ao longo desses 30 anos de sociedade dita livre, que vivemos desde 1984. Ao mesmo tempo, eu não consigo deixar de me incomodar com a postura dos cidadãos em geral. As pessoas não parecem querer uma educação de qualidade, mas um messias que as salvem da ignorância. E essa ignorância me parece ser muito mais uma insistência pessoal do que uma falta de acesso a alguma coisa, levando em conta que vivemos na era da internet.

Se você por um acaso não tem paciência ou disposição para assistir a uma aula de 50 minutos, acessar o youtube em busca de informação diferente, ler um livro diferente, parar para escutar uma música diferente, então você não precisa de um sistema de educação melhor, você precisa mesmo é rever os seus valores e necessidades como ser humano.

E não vejo a depredação escolar tendo como fim a manipulação política, essa representação que está aí que mais parece um circo de horrores. Entendo que esta finalidade está muito distante já, anos atrás. Hoje a coisa tem a ver com outro aspecto da sociedade que insistimos em ignorar: consumo alienado e desenfreado.

A má educação nos torna consumidores idiotas, e essa é a nova finalidade da má educação, porque os políticos que você tanto odeia e ataca podem ser os mesmos fornecedores das bugigangas que você tanto ama e defende.

Então eu venho pensando em uma proposta de uma forma de educação que seja, de fato, totalmente independente. Que ela seja livre totalmente de qualquer expectativa que a sociedade imponha sobre ela, isenta dessa ideia consagrada "de educar pra ser alguém na vida", porque você já é alguém na vida antes mesmo de ir para a escola. Precisamos de uma escola que valorize o ócio, porque diferente do que acreditam, a mente vazia não é oficina do diabo, é oficina do artista, ou aquele que é dono de si e dos seus próprios caminhos.

Antes de uma reorganização escolar, ou de uma crítica à reorganização escolar, precisamos mesmo é de uma reorganização humana, social, intelectual e espiritual. Precisamos de um minuto de silêncio conosco. E digo isto sem o menor prazer dos revolucionários que sonham pela maioria. Digo isto por mim mesmo.

Mais sobre isso eu recomendo a leitura dos textos de Theodor Adorno, Max Horkheimer e Zigmunt Bauman.

Unbroken

Unbroken

The girl
The little princess, safe in her tower of love
How many sets of ears does she glove?
Her shilly-shally smile towards life
But her own hero she carried off

Cape flying, she sees, with the drift,
The man she gazes, for all eternity, amazes.

The man
Impavid eyes chasing dreams beyound
The horizon is just a line
But what happens when the hero begans to fade
while the human within starts to cave?

The greatest mountain can be hollow inside
And fall into dust when the earth shakes
Even if the shake is a farewell look
A stare of goodbye
There is, for sometime
No ground, no sky
But even so, mountain born, mountain go by.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Flor Suicida

A casa era daquelas simples
Nada de extraordinário nem memorável
Não fica na memória, não fica na alma
É vento, lixeira, folha no chão
Um pedaço de papel amassado
Nada que valha a pena comentar.

Não se ouve por aí
- E aí me deparei com aquela lata de sardinha.
Não, a vida é mais memorável que isso:
- E foi massa, foi da hora, foi incrível!

Mas então...
Tinha uma flor dentro de um vaso.
E sou tão insensível e ignorante
Que nem sei seu nome.
Azaléia, Rosa, Cravo... era flor.
E a cada dia que passava,
Via que morria de vida
Recebia água e luz do sol
Sombra fresca e luz do sol
A água fresca e luz, e sombra.

Mas morria
Sem entender
De vida
E morria mais
E mais
E mais

Suas folhas iam murchando
Suas flores iam perdendo a vontade de desabrochar
Seus galhos perdiam a vontade de se levantar

Até que morreu mesmo.

Sem entender, retirei seu vaso e joguei fora
Agora jaz um vazio
Agora vaz, um jazigo
Sem entender
Não tem mais flor, só inconsciente.

domingo, 13 de setembro de 2015

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Entrevista comigo mesmo

Entrevista comigo mesmo no show de TV 'O Eu Narcisista e Egocêntrico'

O que eu penso da sociedade? A sociedade é ingênua, mal intencionada e carente.

Somos ingênuos em depositar a nossa esperança em falsos idealismos, num mundo onde não haja pobreza nem violência, mas nossa má intenção está em justamente não encarar como justiça a divisão dos parcos recursos que nos sobram, aí imprimimos nossas ideologias instântaneas e mal elaboradas. Temos essa inconstância depravada, uma ideia senil não mais à beira da falência, falida.

A sociedade é carente por essa necessidade doentia de se expressar o tempo inteiro, mesmo sem ter algo a dizer de verdade. É um vício, quase uma doença mental.

A sociedade quer liberdade, mas se incomoda com quem é livre. Com quem é livre mesmo, extrapolando, aquele livre que é tão livre a ponto de não condizer com nada que você considere como um ser humano aceitável. Um livre tipo o cara que transa com tudo o que se mexe, não toma banho todo dia, escuta uma música estranha e que ninguém conhece, fala sozinho, come só verduras e legumes, não tem carro, não paga condução do ônibus nem do metrô, e sempre arruma briga por causa disso, às vezes mija na rua, e às vezes dorme fora de casa durante quase uma semana, pra chegar em casa e não se incomdar com aquela pia suja de um mês. Verdade, essa liberdade porca e exarcebada incomoda bastante a vida tradicional dos limpinhos que pedem a liberdade de que todo mundo seja obrigado a ser limpinho também.

Vejo por aí tanta gente esperando um líder revolucionário que nos traga a solução, mas esta mesma gente se incomoda com quem tem pensamento livre, com quem é líder de si mesmo e fala exatamente o que pensa. Existe uma opressão muito grande quando o que você pensa não condiz com o coletivo, uma hostilidade que eu nunca vi antes. Estão calando os que não concordam com a maioria, e das maneiras mais cruéis que eu já pude testemunhar: agressão física, agressão direta ao que a pessoa acredita, ou a quem a pessoa é. Queremos tanto essa tal liberdade, mas uma pessoa que diz e faz o que pensa é mal vista, acaba sendo vitimada pelo tradicionalismo confuso e mal resolvido, em que a gente não sabe se quer ser Cristão, Comunista, Libertário, Capitalista ou tudo ao mesmo tempo. Resumindo, a sociedade não sabe mais o que quer, tamanho é o nível da insatisfação pessoal.

Eu vejo nas escolas em que eu dou aula. Os alunos que são mais hostilizados são aqueles que mais tem uma independência de atitude e opinião. Aqueles que não aceitam ser controlados e querem se expressar, acima de qualquer tradicionalismo, acima de qualquer "ele tem experiência, ele sabe o que faz", são os alunos que são mais excluídos e oprimidos, e isso é um sinal de que a liberdade que todo mundo quer, mas não tem, incomoda e desperta uma sensação de inveja em quem tem coragem de viver isso de verdade, que vai além do discurso. Às vezes não tem nem discurso, tem apenas ação, e essa ação é realmente incomoda pra quem não tem a coragem de ser o que gostaria realmente de ser, e fica só no falatório pra impressionar audiências. Isso tem um nome: hipocrisia.

Eu corro o risco de ser "curtido", "compartilhado" ou até mesmo "comentário-elogiado" por pessoas que não são exatamente o que querem ser, mas vão usar minhas palavras pra dizer "é assim que eu penso". Pensar sem ação vira apenas discurso de fogão.

Eu adoro inventar ditos populares que não são populares porque só foi dito por mim mesmo. Ditos Borgiolares.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Reforma na educação para quê? O que vai ser dos nossos McDonald's?

La riforma in educazione per che cosa? Che ne sarà del nostro McDonald?
Uma brisa fresca me bate no rosto
Isso nada quer dizer
Mas lá longe um pedacinho amarelo pinta o céu
Um lenço de adeus se abanando
E essa brisa fresca me traz um perfume
Não de flores, mas de fêmea
Com um toque suave das lembranças mais intensas
O nome daquele barco que vai te levando
Saudade

Divaga o pensamento nas cores da cidade

E uma forma se reforma
Entre as cores da mureta e as nuvens do céu
Formando voluntário um rosto delicado
O nome desta obra
Saudade


Não vejo ninguém brincando em velório. Vejo o velório de um país, sendo sepultado a cada dia que passa, e todo mundo brincando.

Contraponto

Contraponto

Vivemos dois tempos diferentes

Um enquanto o mundo se acaba em caos, discórdia e ignorância
E outro no tempo dos amantes

Embriaguez

No verso já fui de tudo
O trágico, dramático, desacreditado que acha que morrer dá alguma importância.
O esperançoso repleto de fé, com olhar adiante na metáfora do futuro.
O trágico que aceita, só aceita, e vive intensamente.
O iludido de sua própria importância.
O narcisista que se importa com a sua ilusão.

Sou um bartender.
Minha roupa não é clássica, é moderna
Tenho um sorriso das surdinas sociais, minha simpatia quer mais.

O espelho mágico do bar traduz tudo em triste.

- Whisky e gelo por favor

Sirvo-lhe água

- Cramberry e Vodca

Sirvo-lhe água

- Caipirinha de Morango

Água, água, água!

- Por que diabos me serve tão mal?

- Meu senhor já me pergunto isso há tanto tempo que nem me lembro mais do meu nome.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Nel paese dei ciechi è escluso il guercio.

"Em terra de cegos quem tem olho é excluído"

domingo, 12 de julho de 2015

Sobre a Redução da Maioridade Penal

Já perdi três amigos queridos por causa da violência. Dois dos três casos envolviam menores de 18 anos, e mesmo assim, eu sou contra a redução da maioridade penal.
Sociedade é formada por laços e relações complexas e logo tudo o que a compõe também é. Os problemas não são um botão de liga desliga que se resolvem de forma imediatista.
Quem cresceu em periferia e entende o que é de verdade a falta de oportunidade, o que é ver amigos e parceiros perdidos porque não tem realmente nenhum lugar para ir, não tem perspectiva, não enxergam uma saída, quem viu isso com os próprios olhos consegue sentir que reduzir a maioridade penal para 16 anos é uma medida paliativa e só vai servir pra aliviar a ilusão de gente que tem uma cabeça enclausurada na falsa segurança de um condomínio.
Mas a bomba tá aí fora, pronta pra explodir. Reduzir a maioridade penal não vai diminuir a criminalidade. O que reduz a criminalidade é dar oportunidades e condições para todos. É ter escola pública de qualidade, porque não é mérito algum derramar suor, isso aí é resquício de escravidão, chega a ser até humilhante você demorar anos pra conseguir uma coisa, porque tem que dividir o seu tempo de estudos com trabalho, pagar contas, assumir responsabilidades, enquanto que o seu vizinho, que tem a benção de ser financiado por alguém, que tem incentivo, motivação (e isso faz uma puta diferença na vida de uma pessoa), vai muito mais longe.
Eu tive família, meu pai veio do nordeste com pouca escolaridade e comeu o pão que o diabo amassou. Minha mãe teve o ensino médio e sofreu preconceito pra caramba, mas eles se mantiveram firmes. Se você acha mesmo que todo ser humano precisa passar por essa provação de caráter pra conseguir as coisas, se você quer apostar mesmo na força de espírito de cada um desse país, então boa sorte. Mas acho que teríamos um país muito mais feliz se as pessoas não precisassem sofrer tanto para conseguir conquistar seus sonhos.
Nosso país nunca investiu na educação dos mais pobres, enquanto somos obrigados a ver um desfile pomposo de ostentação nojenta de uma elite arrogante, alienada, oportunista e hipócrita. Onde eu vejo que a minha categoria sofreu com uma greve de mais de 80 dias e saiu humilhada, sem conseguir nada do que reivindicou. Onde o professor é visto como um vagabundo, e não como um profissional que merece ser respeitado, que estudou e estuda diariamente pra pelo menos despertar a vontade de saber de uma nação completamente ignorante. Onde temos cada vez menos leitores e cada vez mais consumidores. Vivemos em um país que ridiculariza e escracha quem gosta de aprender, e exaltamos a esperteza de passar a perna em alguém. Não conhecemos nem os nomes dos nossos maiores pensadores e cientistas nacionais, mas sabemos prontamente quem são os que tem mais poder de bagatela, os mais ricos. Nosso país é violento porque vemos toda hora alguém gritando que tem o direito de se expressar, mas eu mal vejo pessoas exigindo o seu direito de ter silêncio para refletir um pouco, reorganizar as ideias, avaliar se até este ponto da vida você está certo do que está pensando, fazendo ou seguindo. Acho que estamos num tempo em que todo mundo está falando demais, como se o tempo todo estivessem gritando no seu ouvido e você não conseguisse nem saber quem ou o que você é.
O que torna nosso país violento é a epidemia de burrice emocional e intelectual que nos assola. Falta mais humanidade e menos gritos de ódio e vingança

sábado, 20 de junho de 2015

La pubblicità è l'attività dell'anima.

A propaganda é o negócio da alma.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

L'isolamento

"Se ti senti solo, cerca di morire. Le persone ci verrano alla fine."

Se você se sente solitário, exprimente morrer. As pessoas vão aparecer eventualmente.

Cry

Cry

Let me out
It hurts too much
Inside

Where`s the key?
There's no Key
There's your mind
What a...
What's that?
I've brought you something
Oh, that's kind.

A twinge in the stomach
A sarcastic point
A flavour different from yore
Is this a thought?
It's lemon lime
Great stuff
That's mine.
What a bore

Fetch me those flowers
Which ones?
Up there, by the sky
Oh my, look the hour
Stay more
Tomorrow
So, drop by
That's a date
And there'll be masks
And no more asks
And no more tasks
Or more poor rhymes



Care to open?
I can't
Oh let me
Stay back
Get aside
Try this
This one?
That's Good
Ginger Bread
Bread Winner

Pose
Feint?
Dying
Cry

Sometimes I don't believe in what the mirror on the silver lake implies.

domingo, 24 de maio de 2015

Frase L

Para qualquer situação ruim em sua vida lembre-se do ditado: rodinhos de pia parados criam Streptococos.

Que Seja

E se for por nós, quem será contra nós?
Senão todos os que não nos vêem!

Esteja agora, neste eterno presente
Neste momento etéreo
Ou nada mais do que ente

Venha pela rima fácil
Ou pela dor da perdição
E escolhe o teu caminho como escolhe ser no mundo
Mas venha, não só, não apenas
Acompanhada enquanto estamos
Mãos em mãos.
Venha em plena, forte, corajosa intenção.

Pois enquanto é assim
Será,
Simples como pode ser
Sem de verdade pra onde saber.
E que seja!

Não derrubarão nossos sonhos
Não destruirão nosso direito
De ser direito
Ou esquerdo
Ou centro
Ou laranja.

E se for por nós, quem será contra nós?
Senão todos os que não nos vêem!

E não nos sabem!
E não nos querem!
E fingem que nos querem!
E fingem que nos fingem!
E querem nos fingir!

Vamos fugir?
Nem quando o deserto seque
Ou a Lua caia!

Sejamos, apenas.
Escolha por si só, como bem esperaria
Desta paleta despojada e mutante
Que é o mundo como queira, como queira.

Pois sendo um ou sendo dois
Ou sendo sempre três
Somos mais, agora, e só.
O que vier não existe.
O que já foi só permanece
Se não permanecermos mais.

Rasteje por dentro de si
Somos todos animais
Somos todos anjos
Somos todos todos!

Somos realidade ou ilusão
Sonho ou vigília
Vontade ou tentação
Que seja!

Pois enquanto estamos mãos em mãos
Essa luz brilha intensa
Esta luz brilha plena
E mesmo diante do caixão
Ainda somos mais
Somos todos
Somos plenos
Sendo um ou dois
Ou sendo sempre três

Carrega alguém da morte adiante

Eternidade existe
Enquanto existe lembrança.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

De Humano pra Humano

Sou egocêntrico, narcisista, niilista, e recentemente me descobri perplexamente individualista e indiferente. Não consigo sentir todas estas coisas sem aquele misto de culpa e liberdade, aquela sensação fresca na alma de que você não precisa responder a nada, ao mesmo tempo em que você se vê como ser inserido em sociedade e por causa disso responsável por tudo o que o cerca. Bem, essa é a condição de ser humano em um tempo em que estamos quase à beira da extinção de tudo.

Nossa tradição está totalmente corrompida e talvez seja essa a maior de todas as crises que eu e todos os humanos estejamos vivendo, porque não sabemos pra onde seguir. Estávamos errados até pouco tempo atrás e agora estamos em busca de um desesperado motivo pra viver.

Minhas palavras são só um fluxo de pensamento e não precisam estar coerentes ou conectadas, mas eu tenho educação amigo, então eu justifico dessa forma.

Hoje cedo estava conversando com uma amiga sobre uma brincadeira de rede social, em que vocÊ fazia um teste pra saber qual tipo de criminoso nós seríamos. No resultado ela acabou sendo uma assassina se não me lembro, e aí eu comecei a dizer que vejo algum charme no ladrão que usa nada mais que a inteligência pra conseguir o que quer, sem deixar prejuízos às pessoas, afetando só quem sequer se sentiria afetado com uma investida. Mas um pensamento levou ao outro e eu soltei uma conclusão de bate papo: a criminilidade é mais uma das facetas que pode nos mostrar como o nosso sistema de sociedade (desapegue-se de ideologias aqui por favor) é genialmente arquitetado pra nos controlar e nos manter presos a esse rebanho repulsivo em que vivemos. O ponto de partida foi quando eu me perguntei porque as pessoas, mesmo as mais corruptas e mentirosas, sentem tanto ódio da criminalidade, até mesmo quando elas fazem parte disso?

Minhas palavras num Natal de pouco significado soam pesadas e indiferentes, mas eu só tive um ano muito difícil em que eu senti minha alma sendo arrancada de mim à força, e que eu vi meus ideais, que já eram frágeis, sendo atiradas na privada e levadas descarga abaixo pra qualquer esgoto em que resida outras das minhas ideias, esperanças ou fé. Hoje sou um homem que vivo apenas o agora, e não, isso não é um pensamento otimista.

O sistema.

Eu quis dizer exatamente como somos educados desde cedo para sermos obedientes e comportados, como estamos agarrados a uma definição tão frágil do ideal de um cidadão de bem, trabalhador e batalhador. E esse imaginário é tão forte e tão presente nas conversas cotidianas que a gente mal percebe depois, à noite, os motivos que fazem com que a gente se sinta um lixo por sermos o que somos exatamente.

Seguimos obecadamente esse ideal, seja lá quem o tenha imprimido na nossa mente, e morremos por ele, desfazemos amizades por ele. Eu tenho só 29 anos, mas desde sempre eu soube que nunca nessa vida nós teremos alguém olhando para nós com orgulho e satisfação dizendo que fizemos a coisa certa. Desperdiçar uma vida inteira em busca de um momento que duraria o quê? Cinco minutos? E cinco minutos num entreolhar tímido, às vezes vindo da pessoa mais inesperada, e não daquela que você gostaria, e ela vai sequer olhar nos seus olhos, ela vai olhar pro chão, ou para as próprias mãos, ou pra qualquer objeto em que ela possa se concentrar pra não transparecer o constrangimento de ser um pouco mais humano e digno de reconhecer algum esforço que para ela na verdade não faz o menor sentido e não tem o menor significado.

Mas e o sistema? Digo-lhes o sistema.

Você é proibido de ser inescrupuloso, invejoso, de sentir raiva, de sentir ódio por quem te faz mal, de ficar triste e querer se atirar na depressão. Você é proibido de ter pensamentos maldosos e impróprios, você é proibido de descarregar sua raiva momentânea num estereótipo, porque estamos presos também à ilusão de que a sua fala pode influenciar o comportamente coletivo, mas isso é apenas mania de grandeza, porque o que você diz não tem o menor significado na maioria das vezes, e na maioria das vezes as pessoas estão mais centradas em si do que prestando atenção ao que você está dizendo. E você é proibido de buscar o que você quer não importam quais sejam as consequências. Mas você sendo um ser de uma casta tão irrisória da sociedade, um ser que se desespera pra ser notado a todo custo, porque ser obediente afinal?

A subida ao poder, a história nos ensina, ela não é honesta. A busca pelo poder te leva a ser mesquinho, egoísta, sujo, baixo, antiético, imoral, indigno, traiçoeiro, não necessariamente ao mesmo tempo, e não necessariamente constantemente, mas é, e isso é verdade, e você sabe disso.

Sua primeira reação seria negar veemente a imagem de si mesmo agindo de uma forma que você repudia pra transparecer a sua imagem, aquela imagem mentirosa que foi impregnada na sua cabeça desde criança. Mas a verdade você sabe, mas não precisa admitir a ninguém, que em algum momento na vida você fez uma ou duas coisas pra conseguir o que quer, e usou do pior lado que o ser humano pode ter. Você sabe que já fez mal a alguém e que já fez muita gente chorar intencionadamente pra alcançar aquilo que você quer. E você vai ser julgado e derrubado por isso, e vai ser apedrejado e crucificado, e vai ser mal falado, e as pessoas virarão as costas pra você, mesmo as pessoas que também cometeram seus deslizes imorais ao longo da vida, e você vai se sentir um lixo de ser humano de novo.

Mas tem a Igreja. Ah, a Igreja. Não existe artifício melhor pra que você se sinta absolutamente escravizado mentalmente em falsas ideias do que um grupo aspirado por religião. Porque se a lei do sistema não funciona pra te por nos trilhos, funcionará a lei divina, a lei do ser que vai te castigar e te jogar no fogo do inferno quando você não for um bom cidadão, um ser humano digno e comportado.

Afinal de contas qual o meu objetivo com isso?

Diversidade cultural é a mentira do século. Fala-se tanto disso mas é apenas discurso de politcamente correto, de intelectualmente alinhado. Ninguém aceita ou acata a diversidade cultural, o máximo que você faz em si mesmo é um auto policiamento de todas as suas opiniões, é uma opressão individual em si mesmo na hora de expressar o que você realmente pensa sobre as coisas.

Essa sociedade nunca me doeu tanto. Exatemente, eu falo assim mesmo, como se eu estivesse de cima de um pódio, de um pedestal, isento de tudo, acima de tudo, porque eu me calo por tanto tempo, eu fico sem voz, sem ação, sem nada, diante de tanta barbaridade e de tanta crueldade que é exibida como espetáculo diário nas TVs e hoje em dia na Internet. Eu fico tão horrorizado com tanta coisa fútil e tanta coisa superficial e passageira que é mais valorizada que as coisas mais básicas de que nós precisamos, e nunca precisamos com tanta urgência: um pouco mais de amor e menos julgamento.

Porque o seu julgamento está preso a valores falsos, fabricados unicamente pra que você prossiga nessa vida consumista idiota que você leva. O seu julgamento está tão arraigado em mentiras, e te corrompe tão profundamente, que você mataria ou morreria pra que ele fosse dado como verdade, e você sequer percebe, de tão afundado em lixo e merda que está.

Eu vejo pessoas morrendo e matando, físicamente e verbalmente, só pra valer uma opinião vazia e distorcida de uma causa que você sequer luta. Os homens e mulheres de verdade estão acabando cada dia mais.

Eu sinto tanto repúdio dessa vida de rede social onde você sorri pra tirar uma foto que fique bem, que fique estilosa, que fique instantaneamente impressionável, mas você sabe aí dentro, onde ninguém atinge, mas que está por baixo até mesmo do seu mais profundo orgulho, você sabe que existe uma camada em si, que em algum momento do seu dia te diz: a sua vida é um lixo. E você é mesmo isso, um lixo de ser humano, que vive como um parasita consumista sem se importar com nada além de si mesmo, destilando verborragia nauseante pra aparentar a imagem de alguém que se importa com as coisas, mas que no fim das contas não se importa com nada além do seu ideal de mundo melhor.

A minha solução pra conviver com essa nova revelação de mim mesmo foi simplesmente não buscar ideal. Abandonar as expectativas dos outros e seguir o meu próprio caminho. As pessoas não vão entender, elas vão achar que você está se perdendo ou que está à beira de um precipício emocional, o que poderá te levar à autodestruição, ou talvez suicídio. Mas isso é só um desapego violento de tudo e de todos, porque no fim das contas, quando você estiver no seu caixão, seja com 30 ou 60 anos, não importa o que você tenha feito, a imagem final que as pessoas terão de você não será a que você idealizou de si mesmo. A sua última lembrança estará totalmente fora do seu controle e você será lembrado de uma forma que talvez nem concorde. Ou quem sabe até algo mais maravilhoso que isso: você talvez sequer seja lembrado.

Parece inacreditável, mas mesmo após os 30, até mesmo após a adolescência, eu não sei o que houve no nosso tempo, mas eu ainda vejo pessoas que estão desesperadamente tentando se provar, e elas destróem a sua saúde em função disso. Vindo de não sei qual corrente de pensamento eu digo, seja você mesmo. As suas falhas já estão perdoadas por si mesmo e você não tem que provar nada a ninguém.

Liberte-se dessa sujeira mental que imprimiram na sua cabeça de que você precisa alcançar alguma coisa pra se sentir bem consigo mesmo. Tudo o que você precisa é de água, um pouco de comida, um lugar seguro e confortável pra passar a noite e de ar. E é claro, um pouco de amor por si próprio. Todo o resto são coisas que as pessoas te cobram porque elas tem medo demais pra perseguir sozinhas, ou medo demais de admitir sozinhas que também são incapazes e cometem falhas.